Vício em jogos eletrônicos é classificado como doença pela OMS

Por Thomás Regueira

A partir desse ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluiu na classificação de doenças o vício em jogos eletrônicos. Muitas pessoas, principalmente crianças e jovens, têm afinidade pelos games. Apesar de muitos deles servirem como uma forma de entretenimento, o seu uso em excesso pode levar a sintomas de dependência, como depressão, ansiedade, sensação de abstinência e apatia social.

Pessoa viciada em jogos. Foto: reprodução

Segundo uma pesquisa realizada em 2007, nos Estados Unidos, cerca de 21% dos jogadores seriam dependentes. No entanto, o diagnóstico ainda não é preciso. Na sociedade, alguém que joga com uma certa frequência é logo classificada como “viciada” pelo seu círculo social, o que traz a imprecisão na classificação e nos diagnósticos de viciados em jogos. Tanto é que quando a OMS anunciou essa inclusão na lista de transtornos mentais, tiveram várias críticas por parte dos estudiosos.

De acordo com um estudo feito por Guilherme Pinho Meneses, mestre em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP), as principais razões para uma pessoa se viciar em games são bastante semelhante a outras drogas como álcool e tabaco: o usuário experimenta, gosta e, depois de um tempo, não consegue viver sem aquilo, se torna algo compulsivo. Outro fator que leva a isso é o efeito de fuga da realidade que os jogos oferecem. Muitas vezes, a pessoa tem depressão e é insatisfeita com a própria vida, o que a leva a jogar para esquecer do que há em seu redor. Seguem abaixo os sintomas da dependência em videogame:

Fonte: Guilherme Pinho Meneses

Celina Beatriz. Foto: arquivo pessoa

Uma pessoa que passa por isso é Celina Beatriz, 25, profissional do ramo de dublagem. Ela começou a jogar League of Legends porque se sentia deprimida e queria ocupar a cabeça com outras coisas fora o trabalho. O jogo também a ajudou se reaproximar de amigos que havia se afastado e, na época, chegou a conhecer uma pessoa que até hoje ama, mas não está mais em seu convívio. “Acho que jogar para preencher um vazio é uma linha bem tênue entre um escape e um vício. Pode ajudar, mas eu também sei que pode virar um problema”.

 

 

“Jogar pra preencher um vazio é um linha bem tênue entre um escape e um vício” (Celina Beatriz)

Juliano Almada. Foto: Pedro Vidal/FotoNIC

Juliano Almada, 20, estudante de Publicidade e Propaganda, já foi uma dessas pessoas que passava horas na frente de uma tela jogando. Ele jogava bastante League of Legends e Counter Strike. “Hoje eu fico muito assustado com o que ele [jogo] me causou. É triste e, ao mesmo tempo, é só um jogo. Ao mesmo tempo em que eu conhecia muita gente pelo jogo, eu deixava de conversar com os outros, dormia muito pouco, porque dormia de madrugada até em dia de semana”, relembra.

Quando ele se deu conta de que aquilo estava tomando conta da sua vida, ele parou de jogar com essa frequência, “era a diversão que acabou se tornando uma dependência, jogava porque tinha que jogar”. Hoje, ele raramente joga e diz que o mundo é muito mais interessante do que passar horas apertando botões e controlando um personagem.

“Era a diversão que acabou se tornando uma dependência, jogava porque tinha que jogar” – Juliano Almada

No entanto, os jogos também podem ajudar as pessoas em diversos aspectos, entre eles o raciocínio, como foi o caso de Mateus (nome fictício, o entrevistado preferiu não ser identificado). Ele lamenta que o tempo gasto nos jogos poderia ser investido em outras atividades, mas eles o ajudaram a ter mais raciocínio em várias coisas, até nos esportes que pratica. “Tudo na vida em demasia faz mal. Tem muita gente que pratica os corujões, que é virar a noite jogando. Isso é uma das piores coisas que você pode fazer com seu corpo tanto no game como no trabalho e/ou estudos. É uma prática bem ruim”, declara.

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