A intrigante harmonia da destruição

Por Clara Menezes

Lena (Natalie Portman) é uma bióloga e ex-militar do Exército dos Estados Unidos. A cientista vivia uma vida comum como professora até seu marido, Kane (Oscar Isaac), ser convocado para uma expedição misteriosa. O homem se tornou fechado, não falava sobre o trabalho que seria feito na denominada “Área X”. Logo após sua ida, Lena nunca mais teve notícias de seu cônjuge.

Lena participa da expedição após o marido voltar. Foto: Reprodução

Depois de um ano sem informações, ela o considerava morto. Porém, subitamente Kane chega em casa. Quando a bióloga se reconstrói da surpresa, ele tem uma hemorragia e é levado em uma ambulância. Mas homens fardados carregam o casal de volta para a expedição da “Área X”.

Com essa introdução, o longa “Aniquilação”, do conhecido diretor de ficção científica, Alex Garland, coloca seu espectador em um mundo onde as leis da natureza não se aplicam. Mas, contraditoriamente, essa realidade é quase “plausível”. Estudiosos encontraram esse local rodeado por um filete de luz, que se expande de maneira constante. Para entender o fenômeno, pessoas sempre são mandadas para esse “universo”, mas elas nunca voltam.

Com o objetivo de entender o que ocorreu com seu marido, Lena se vê obrigada a entrar em uma das expedições com outras quatro mulheres, todas cientistas. Com um pequeno elenco, o filme de ficção científica tem uma forma diferente dos comuns: dessa vez, os “aventureiros” são todos do sexo feminino.

Reflexões

Um filete de luz rodeia o local onde as leis da natureza não funcionam. Foto: Reprodução

A ficção científica, muitas vezes, é vista como os filmes superficiais de “monstros”. Porém, essa barreira consegue ser quebrada – ou quase – com “Aniquilação”. Apesar de o enredo, às vezes, se tornar fraco por causa de algumas criaturas que aparecem, os questionamentos perpetuam.

Em um local que as leis da natureza não funcionam, o que resta aos personagens e aos espectadores é questionar: o que é, de fato, a vida? No novo universo introduzido por Alex Garland, as células são formadas de maneira diferente, as pessoas que entram não sentem fome, nem sede. Os seres humanos, quando morrem, se tornam parte da natureza ao florescer, por exemplo. Porém, as pessoas são, aos poucos, destruídas – aniquiladas -, célula por célula, enquanto estão no local.

Dessa forma, o filme nos traz uma nova visão da condição humana, ou do que ela pode vir a ser. Em um dos diálogos de Lena com a psicóloga da expedição, Dr. Ventress (Jennifer Jason Leigh), a bióloga questiona o motivo pelo qual seu marido aceitou uma missão suicida. Ventress responde dizendo que ela está confundindo suicídio com autodestruição. “Quase nenhum de nós comete suicídio, mas quase todos nos autodestruimos. De alguma forma, em determinado momento de nossas vidas. Nós bebemos, usamos drogas, desestabilizamos um bom trabalho, ou um bom casamento”, reflete a psicóloga.

“Quase nenhum de nós comete suicídio, mas quase todos nos autodestruimos (Dr. Ventress)

Entre diálogos intrigantes e criaturas desanimadoras, o longa se torna uma mescla indefinida de sentimentos. Mas o que resta aos espectadores é questionar: algo pode destruir e construir ao mesmo tempo?

Para entender mais, confira o trailer abaixo:

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