Festival de cinema revela a singularidade francesa

Por Letícia Serpa

Foto: reprodução

A cultura francesa é muito peculiar em suas representações artísticas e cinematográficas. A maior parte das pessoas conhecem a França por causa de sua bandeira, culinária, arquitetura, moda, além da grande Paris. Porém, a peculiaridade francesa pode ser encontrada, principalmente, no cinema. Por não ter uma relação direta com os filmes hollywoodianos, o cinema francês é pouco divulgado e não muito popular, a maioria deles não é aclamada pela crítica nem ganha a estatueta do Oscar. Dessa forma, falar de cinema francês não é algo simples. É desafiador e intrigante.

E foi isto o que o estudante de Publicidade e Propaganda, Lucas Rodrigues, 20, analisou enquanto assistia ao Festival Varilux de Cinema Francês deste ano. É a terceira vez do estudante no evento, que ocorre uma vez por ano em vários estados brasileiros, e também a terceira vez que assiste, aprecia e se emociona com a cinematografia francesa. “O cinema francês é apaixonante. Desde o momento em que conheci o festival, venho todo ano apreciar essa cultura pouco conhecida”, relata.

O festival ocorreu do dia oito ao dia 20 deste mês e foi apresentado em três lugares diferentes na cidade de Fortaleza. O Cinema do Dragão do Mar, o Shopping Riomar e o Cine Teatro São Luís foram os locais que receberam os 20 melhores filmes franceses entre 2017 e 2018.

Marvin

“Marvin”, filme. Foto: reprodução

Um dos primeiros filmes exibidos no cinema do Shopping Riomar – dia 8 deste mês (sexta-feira) – foi “Marvin”, de Anne Fontaine. O longa é um drama que narra a infância e adolescência de Marvin, um garoto que se descobre homossexual muito cedo e que, por isso, sofre diversos tipos de preconceitos. Porém, desde os seus 10 anos, Marvin se interessa pelo mundo do teatro, em que tenta crescer como ator, profissão que assume pelo resto da vida.

É um filme muito sensível. Por se tratar de cinema francês é normal que seja. Além disso, o drama é de tal forma expressionista, porém algumas coisas não são tão óbvias. Lucas diz ter apreciado o filme por, principalmente, tratar questões polêmicas. “O filme levanta questões sobre o racismo, a xenofobia, a religião e, claro, a identidade de gênero”, conta.

A fotografia também é algo que chama atenção no filme, há cenas que se destacam exatamente por causa das cores da obra, que são bem equilibradas. Como, por exemplo, a última cena, o diretor encerrou o longa de uma maneira interessante, tanto visualmente quanto simbolicamente.

“De Carona Para o Amor”

“De carona para o amor”, filme. Filme: reprodução

O longa “De Carona Para o Amor”, exposto no Cinema do Dragão no dia 19 deste mês (terça-feira), conta a história de Jocelyn, um homem bem-sucedido nos negócios, que costuma ter sucesso com as mulheres, e acaba seduzindo uma jovem bonita, fingindo ser paraplégico, até o dia em que ele é apresentado a irmã da jovem, Florance, que é realmente deficiente.

O mais interessante foi o fato de o filme fugir dos estereótipos franceses. Muitas cenas remetem a filmes hollywoodianos, porque não havia uma paleta de cores bem definida, ou um comportamento dos personagens típicos do cinema europeu. Talvez se o longa fosse no idioma inglês, daria perfeitamente para dizer que o filme é americano.

Último dia

Na última quarta-feira (20), foi o último dia do festival e, para encerrar o evento, o Cine Teatro São Luís apresentou uma mostra de curtas que continham sete dos melhores curtas franceses de 2017/2018. Como é de costume em muitas tramas, os curtas trouxeram ou tentaram trazer uma mensagem escondida no final, algo que estava implícito ou que explicitaram melhor apenas no fim do filme. Os curtas apresentados foram, respectivamente,“Le Caresse”, “Bélle a Croquer”, “Garden Party”, “Pépé le Morse”, “Le Bleu Blanc Rouge de Mes Cheveux”, “Les Bigorneaux” e “Kapitalistis”.

La Caresse, curta. Foto: reprodução

Le Caresse” foi o primeiro curta apresentado. Ele traz a história de um personagem higiênico, organizado e metódico ao extremo, que não se permite sequer sair de sua casa e entrar em contato com outras pessoas. No desenrolar da trama, o homem consegue deixar de lado sua obsessão por limpeza ao acariciar o gato de sua vizinha, o toque da mão com pêlo do animal é prazeroso e o faz feliz por alguns instantes.

A fotografia também é incrível, pois possui uma paleta de tons azuis em todos os cenários, a musicalidade do filme, que não tem fala, também é algo importante, pois o curta possui apenas um som instrumental de fundo.

“Belle a Croquer”, curta. Foto: reprodução

Belle a Croquer”, foi o segundo curta exposto e o mais intrigante. O filme traz a história de Oscar, um carnívoro gourmet que é apaixonado por sua vizinha vegetariana, a Srta. Carotte. Em um certo momento, a mulher o convida para jantar em sua casa, e Oscar se vê obrigado a consumir comidas vegetarianas.

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