Projeto Pau de Arara visita interior da Paraíba

Por Clara Menezes, Letícia Feitosa, Levi Aguiar e Melissa Carvalho

A 166 quilômetros de João Pessoa, Cabaceiras, município no estado da Paraíba, foi realizada a 12ª edição do Projeto Pau de Arara.  Conhecida como a “Roliúde” Nordestina, a cidade é localizada em pleno semiárido e é famosa por ter sido o cenário de 33 produções cinematográficas, como “O auto da Compadecida” e “Madame Satã”. A terra do Bode Rei recebeu, entre os dias 7 e 10 de junho, 47 estudantes da Universidade de Fortaleza (Unifor) para uma imersão no local. Os alunos, em sua maioria da Comunicação Social, seguiram a proposta do projeto de documentar, por meio de imagens e vídeos, as singularidades do lugar visitado.

“Fomos para ver essa beleza que está perto da gente” (Jari Vieira)

O coordenador do Pau de Arara, Jari Vieira, diz que o projeto é, antes de qualquer coisa, um aprendizado. “A gente vai a cada projeto tentando melhorar. Tentamos mesclar os alunos que já foram com os que não foram para que todos possam aproveitar a oportunidade”, explica. Quanto à escolha do local, Jari informa que “em 2018.1 decidimos ir a outro estado, o da Paraíba, por causa da localidade ser uma região em que foram feitas várias produções cinematográficas. Fomos para ver essa beleza que está perto da gente, no sentido de região”. Além de atrair turistas aficionados por cinema, Cabeceiras também é lar de belezas naturais, como a Saca de Lã e o Lajedo de Pai Mateus. O município também é famoso por ser a cidade que menos chove no Brasil e pela sua alta produção de couro de bode.

Confira a rota da 12ª edição do Projeto Pau de Arara:

Cooperativa Arteza

São processados, em Cabaceiras, entre 8 a 10 mil peles por mês. Foto: Everton Lacerda/Foto NIC

O município de Cabaceiras tem aproximadamente 5.570 habitantes, segundo estatística deste ano do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar deste pequeno número de pessoas, a cidade movimenta parte significativa da produção de couro do Brasil. São processadas entre 8 a 10 mil peles por mês, segundo Lucas, gerente administrativo da Cooperativa Arteza, empresa de curtidores e artesãos em couro de Ribeira.

Por ser referência na produção de couro, a primeira visita foi para a Arteza. Com 82 sócios, a empresa, de acordo com Lucas, agrega valor, principalmente, porque o couro feito no local não tem cheiro. Além disso, utilizam produtos que geram menos prejuízo ao meio ambiente.

Durante a visita, Lucas também falou de como era o processo antigo em comparação ao atual. Antes, o couro era feito em bacias e tonéis, e durava aproximadamente três meses. Agora, o processo é feito em máquinas especializadas e dura um mês.

Sons do Silêncio

Violão, percussão, teclado e vários tipos de flautas formam o grupo Sons do Silêncio. As canções são instrumentais e tem influência de sons peruanos, astecas, maias e nativo americanos. Ele é formado quatro integrantes, sendo dois professores de música. Depois de uma única apresentação, no ano passado, com a canção “El condor pasa”, os músicos decidiram se reunir em uma banda. O repertório inclui músicas conhecidas, como “My heart will go on”, de Celine Dion, e Hallelujah”, de Leonard Cohen, que são adaptadas para o estilo do grupo. “No Pau de Arara, nós tivemos contato com a cultura Paraibana e, nessa transferência de experiências, entramos em contato com outra cultura que é a peruana e a indígena americana. A música é muito envolvente, muito encantadora”, comenta o estudante de jornalismo, Everton Lacerda. Aperte o play para conhecer o som da banda:

 

Saca de Lã

As rochas da Saca de Lã em formato de paralelepípedos. Foto: everton Lacerda/Foto NIC

Uma das atrações turísticas da região é a Saca de Lã. O local atrai desde os mais naturalistas até os mais curiosos pelas formações geológicas ali existentes. Para o guia turístico e professor, Ribamar Alves de Farias, as rochas em formato de paralelepípedos são “enigmáticas”. De acordo com Ribamar, a geologia do lugar aconteceu após o resfriamento do magma. “O magma se resfriou e fez com que os minerais se aglutinassem, se juntassem. Essa areia branca vem do quartzo, que é o último a dissolver. Quando ele vai se quebrando, vai se transformando em areia. Então, aflorou e, com isso, fez com que surgissem os diversos lajedos”, explica.

Para o estudante de Publicidade e Propaganda e integrante do Foto NIC da Unifor, Juliano Almada, a simetria do local é algo que não estamos acostumados a ver na natureza. “A gente conseguiu ver aquilo que o humano tenta reproduzir em todas as construções, mas nós vimos aquilo construído de forma perfeita, feito pela natureza. Isso que toca”, fala. As rochas da Saca de Lã foram modificadas com o passar do tempo e, hoje, se tornaram paralepípedos deitados. “Era uma rocha só, se fraturou, se lapidou e não conseguiu cair. O resultado final é formar o que iremos ver no Lajedo de Pai Mateus”, adianta o guia.

“A gente conseguiu ver aquilo que o humano tenta reproduzir em todas as construções, mas nós vimos aquilo construído de forma perfeita, feito pela natureza. Isso que toca” (Juliano Almada)

Lajedo de Pai Mateus

O Lajedo de Pai Mateus só se tornou atração turística no final dos anos 1990. Foto: Everton Lacerda/Foto NIC

Pai Mateus foi um rezador conhecido de Cabaceiras durante a década de 1950. O homem, chamado de “pai” por causa de suas atividades curandeiras, morava em uma casa de pedra, longe dos moradores da cidade. No local, ainda há a cama e a mesa rochosas que ele utilizava. “Não existe nada registrado, tudo foi passado de um para o outro”, contou o guia Ribamar Alves de Farias, durante a visita.

Apesar da beleza e da história de Pai Mateus, o local ficou conhecido apenas no final da década de 1990, quando um geólogo de São Paulo descobriu o potencial turístico do lugar. Segundo Ribamar Alves, antes, os moradores não tinham noção de como o lajedo era bonito. “No total são 14 trilhas, é uma área de 18 mil hectares cheio de formação geológica”, conta.

Para Jari Vieira, o Lajedo de Pai Mateus foi o lugar mais memorável desta edição do Pau de Arara. “Me marcou muito saber que aquele é um local místico, esotérico e que chamou a atenção de diversos diretores de fotografia”, diz o professor. Durante a visita, alunos choraram emocionados com a paisagem e com a beleza do pôr do sol em uma energia diferente da capital cearense.

“Roliúde” Nordestina

Cabaceiras é conhecida como “Roliúde Nordestina”. Foto: Everton Lacerda/Foto NIC

Cabaceiras é uma região nordestina que tem belezas singulares, como o Lajedo do Pai Mateus, os paralelepipedos de rocha, que compõe a área de Saca de Lã, e o menor índice pluviométrico do Brasil, o que gera interesse de diversos diretores do audiovisual.

Foi posto sobre o complexo da região um letreiro, “Roliúde Nordestina”, similar ao de Hollywood, na Califórnia. Este monumento serviu para caracterizar a ligação de  Cabaceiras com a produção cinematográfica. Aproximadamente, 33 filmes e curtas metragens foram gravados no municípios, o que vinculou o reconhecimento e o título para a região.

Alguns dos filmes “roliudianos” gravadas foram: O Auto da Compadecida, de Guel Arraes (2000); Madame Satã, de Karim Aïnouz (2003) e Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes (2006). Veja abaixo mais filmes que foram gravados na região:

Infografia: Daniel Vasconcelos

O projeto

Jari Vieira, coordenador do projeto.

O projeto começou em 2002, quando o professor Jari Vieira teve a iniciativa de fazer seus alunos conhecerem mais a cultura que permeia a região nordestina. “A gente começou indo ao centro da cidade. Alugávamos uma topique ou uma van e ia só o Foto NIC, que na época se chamava Central de Fotografia”, lembra. No início, eram visitas para pontos turísticos de Fortaleza, como a Praça do Ferreira e o Passeio Público.

Apenas em 2004, o professor conseguiu um ônibus para fazer viagens pelo Ceará. Porém, a viagem durava apenas um dia. Em 2012, Jari parou o projeto para se dedicar ao mestrado e voltou três anos depois. Com isso, o Pau de Arara ganhou novas proporções: a oportunidade de passar mais que um dia na viagem, devido ao apoio do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão (CCG) da universidade.

Após esse marco, em 2016, o projeto assumiu uma nova etapa, pois expandiu para além do Ceará. O primeiro local visitado foi para a Serra da Capivara, no Piauí. Este semestre, o Pau de Arara realizou sua segunda edição fora do estado, em Cabaceiras, na Paraíba.

Conheça parte dos alunos que fizeram parte desta edição:

Box: Melissa Carvalho
Box: Melissa Carvalho
Box: Melissa Carvalho

 

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