A modernidade histórica da série Versailles

Por Alessandra Baldessar

É 1667 e o rei Louis XIV (George Blagden) finalmente assume, com apenas 28 anos de idade, o comando absoluto de toda a França. Também é quando ele comissiona Versalhes (Versailles em francês, o nome da série), o mais belo palácio da Europa. Os nobres buscam incessantemente entrar na corte para fazer morada nessa luxuosa residência. O que eles não sabem é que estão lidando com um soberano paranoico e traumatizado devido à recente Guerra dos Trinta Anos. Por causa disso, Louis XIV decide manter, mandatoriamente, sua corte sob o mesmo teto enquanto cria códigos de conduta questionáveis e se obceca com rivalidades insignificantes

Elenco principal da série. Foto: Reprodução.

Embora tenha, evidentemente, o maior destaque na série, o rei Louis passa longe de ser o único protagonista. Dentre outros personagens notórios, estão Philippe d’Orléans (Alexander Vlahos), seu irmão caçula e famoso estrategista de guerra; Alexandre Bontemps (Stuart Bowman), seu fiel valete; Henrietta da Inglaterra (Noémie Schmidt), sua diplomática cunhada e amante; e a estudiosa Claudine Masson (Lizzie Brocheré), parteira que se torna médica exclusiva do rei. Todos trazem, com suas respectivas singularidades, um teor de contemporaneidade ao enredo indubitavelmente histórico.

Versailles é, atualmente, a série televisiva francesa mais cara de todos os tempos. Iniciada em 2015 pelo Canal+ e, mais tarde, adotada pela Netflix, ela estreou com uma maioria de críticas positivas – embora alguns franceses tenham reclamado do elenco majoritariamente britânico –, sem contar com a audiência de 1,8 milhão de espectadores, e acaba de lançar sua terceira temporada, prevista, segundo a Vanity Fair, para ser a última.

Representatividade

Chevalier, Philippe e sua esposa na segunda temporada. Foto: Reprodução.

Um dos grandes diferenciais da série é a representação realista de Philippe, o irmão mais novo do rei. Na vida real, além de ser um temível comandante no campo de batalha, o duque de Orléans era abertamente gay e se vestia com roupas femininas – fato que, curiosamente, resultava na descrença de seus oponentes quanto à capacidade de Philippe. Ele também tinha um amante de longa data, Chevalier de Lorraine (Evan Williams), que faz parte do elenco principal e é igualmente importante para o enredo.

Versailles também não foge de assuntos como a desigualdade de gênero e, mais importante ainda, o que as mulheres faziam – ou poderiam ter feito – para superar as consequentes injustiças. A personagem Claudine Masson, filha de um médico, é fadada a apenas ajudar o pai enquanto, na verdade, deseja seguir sua profissão. Quando ele morre e Claudine tem de ajudar a família real, o rei percebe seu talento e decide oficializá-la como sua profissional de saúde pessoal. Ela recebe o total apoio de Louis, apesar de ainda precisar se vestir e ser reconhecida como homem para evitar polêmicas na corte.

Confira o trailer abaixo:

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