Música aumenta desempenho nas atividades físicas

 Por Layo Lucena

Quando a atividade física é acompanhada por música é possível notar alterações nos níveis de percepção de esforço, da frequência cardíaca, da resistência, da potência muscular e da motivação do praticante, segundo a obra “Música, atividade física e bem-estar psicológico em idosos”, das escritoras Maria Miranda e Maria Godeli (2003). Hebert Ribeiro, 40, professor de Educação Física, acredita que “a música influencia na concentração, no esporte de rendimento e motiva quem faz atividade física de corridas e academias”.

Sarah Queiroz, 21, estudante de Jornalismo e atleta da Universidade de Fortaleza (Unifor), declara que “a música me ajuda a manter o foco, tenho uma playlist para dia de jogo”. A música serve para motivação e concentração, de acordo com Sarah.

A tabela abaixo mostra uma pesquisa realizada em 2008, que mede a distância percorrida por indivíduos, em metros, com e sem música. O estudo foi realizado na quadra poliesportiva da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Campus de Jequié.

Tabela da pesquisa realizada em 2008

Segundo o estudo realizado em 2009, pelo Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro em Leipzig, Alemanha, ouvir música aumenta o nível de oxigenação no sangue, maximizando o desempenho durante o esporte. O professor da Universidade de Brunel, Costas Karageorghis, que estuda os efeitos da música na performance, afirmou em sua obra “Aplicando música no exercício e no esporte”, de 2017, que a música é capaz de “diminuir sua percepção de esforço, bloqueando alguns sintomas relacionados à fadiga”.

A música pode ser utilizada em todos os esportes ou para uma simples caminhada. Foto: Reprodução

A presença da música durante a atividade física pode aumentar a freqüência cardíaca devido ao estímulo do sistema endócrino, que faz com que o corpo libere muitos hormônios. Como conseqüência disso, ocorre o aumento da oxigenação dos tecidos musculares fazendo com que o indivíduo suporte por mais tempo as cargas impostas, tendo uma fadiga mais tardia.

Em contrapartida, quando a música for desagradável aos ouvidos, o indivíduo terá uma percepção maior da dor e do cansaço. Assim, o estímulo musical influenciará de forma contrária, aumentando a percepção do corpo para respostas negativas do exercício.

Contradições

Apesar disso, nem todas as pessoas são afetadas pelo método de incentivo musical. O atleta Paulo Alberto Freitas, 31, afirma que “não faz tanta diferença, eu mesmo consigo treinar com ou sem, ou com qualquer tipo de gênero de música. Vejo como um efeito placebo, mas esse efeito muda de pessoa para pessoa”.

Thaina Freire, 23, estudante de Fisioterapia da Universidade de Fortaleza (Unifor), afirma que, “dependendo do ritmo, se for mais agitado ou com batida, me dá um estímulo maior para praticar atividade física”. Segundo Thaina, a utilização de música no trabalho físico quebra a monotonia. Porém, o praticante perde atenção no exercício.

Doping musical

Michael Phelps, na preparação pré-prova. Foto: Reprodução

É comum observar atletas profissionais, antes das provas de competição, com fones de ouvido, escutando músicas de sua preferência, com a intenção de criar um ambiente psicológico de foco e concentração. Nas Olimpíadas de Pequim, Michael Phelps utilizou música para seu aquecimento à beira da piscina. O velocista jamaicano Usain Bolt também costuma se aquecer usando música, em busca de concentração e redução dos níveis de ansiedade e tensão que geralmente precedem as provas.

O doutor Alexei Koudinov, editor do Doping Journal Web site, acredita na proibição do uso de fones antes de provas de alto rendimento, “o uso da música é um método inválido e os ouros e recordes de Michael Phelps em Pequim são falsos. As medalhas deveriam ir para outros competidores”.

As principais maratonas, como a de Boston, vetam o uso de i-pods ou qualquer outro tocador de mp3 durante as provas. O motivo é justamente pelo caráter de estímulo positivo da música, que aumenta a resistência psicológica dos corredores submetidos a um nível extremo de fadiga física e mental, nas provas de longa duração. Segundo especialistas, é um efeito similar aos gerados por substâncias ilícitas usadas em dopings esportivos.

Um comentário em “Música aumenta desempenho nas atividades físicas

  • 14 de junho de 2018 em 11:37
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    ÓTIMA MATÉRIA, MUITO BEM DESENVOLVIDA.

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