Gaming House: a consolidação dos e-sports

Por Mateus Moura

Cada vez mais consolidados, os esportes eletrônicos, conhecidos como  e-sports, deixaram de ser um hobby e tornaram-se, para muitos, uma profissão. A competitividade presente nos games, aliado a um grande público consumidor, fortaleceram o mercado. O investimento de grandes empresas, estruturação para atletas, competições com premiações milionárias, transmissões ao vivo e audiências que chegam a superar números da televisão, transformaram o e-sports em um fenômeno.

Sala de treinamento da Gaming House da paiN Gaming.
Foto: voxel.com.br

A profissionalização trouxe, consequentemente, a necessidade das equipes de e-sports de montar estruturas que oferecessem conforto, equipamentos de qualidade e um staff para extrair o potencial máximo dos atletas. Afinal, como em qualquer esporte de alto rendimento, para obter resultados satisfatórios nas competições é preciso investir em espaços propícios para os treinos. As Gaming House são casas ou complexos de apartamentos que reúnem jogadores profissionais, treinadores, psicólogos, nutricionistas, cozinheiras, computadores e acessórios de ponta com conexões de internet de alta velocidade. A primeira Gaming House da América Latina foi criada por uma equipe brasileira, a paiN Gaming.

Em sua grande maioria, os complexos oferecidos pelas organizações encontram-se em São Paulo. É comum, então, que muitos jovens de diferentes estados do país, saiam de casa ainda adolescentes para morar com seu time. Porém, é necessário se destacar no jogo para conquistar espaço no âmbito competitivo. Renan Augusto, 24, atleta da T-Show E-Sports, conta como ingressou na profissão, por  “jogar a bastante tempo League of Legends e ficar sempre entre os melhores no ranking. Meus amigos começaram a me incentivar a tentar entrar no cenário competitivo. Eu não me sentia bom o suficiente, mas um dia tentei e consegui”, relata.

Renan Augusto,24, atleta da T-Show E-sports.
Foto: promoarena

São diversos fatores que envolvem a vida de um pro-player quando passam a morar em uma Gaming House. Abrir mão do convívio familiar, lidar diariamente com pessoas de diferentes personalidades, rotinas de treino, pressão por parte da torcida e da empresa. Diante de todos esses aspectos, o início na profissão costuma ser difícil. Para Renan Augusto, foi “bastante triste se afastar dos familiares e amigos. A princípio, eu consegui lidar bem com a situação, mas minha família ainda está se adaptando. Apesar disso, sempre apoiaram minha decisão, por ser algo que eu gosto de fazer”, revela.

Os valores para manter uma Gaming House são elevados. Além de toda estrutura física necessária, com computadores que podem chegar a cinco mil reais e conexões de internet até 60 vezes mais rápidas que as presentes na maioria dos lares brasileiros, também é primordial a presença de suporte humano para auxiliar e administrar os atletas. De acordo com Arthur Curiati, CEO da paiN Gaming, em entrevista à Sportv, “os jogadores precisam não só de uma boa estrutura, mas também de funcionários competentes por trás. É muita gente na casa. Apoio psicológico, cozinheiras, nutricionistas. Isso gera um custo em média de R$ 80 a 100 mil por mês” explica.

O poder dos e-sports

Final do campeonato de League of Legends 2016.
foto: reprodução

Um exemplo da dimensão do alcance dessa nova modalidade de esporte foi a final do campeonato mundial de League of Legends, ocorrida em 2016. O jogo entre SKT e Samsung Galaxy superou a decisão da NBA em audiência. Enquanto 43 milhões de espectadores assistiram à final do jogo eletrônico, 30,8 milhões assistiram a da NBA. O grande número de telespectadores chamou a atenção da Sportv, que adquiriu o direito de transmissão do Cblol (Campeonato Brasileiro de League of Legends). Virou comum, também, as emissoras dedicarem programas exclusivos aos jogos eletrônicos. Globo, Esporte Interativo, Sportv e ESPN são algumas das empresas que produzem conteúdo voltado aos games.

O faturamento de mercado também tem números expressivos. De acordo com pesquisa realizada pela Newzoo – empresa de pesquisa sediada na Holanda e especializada em análise de mercado – deve haver, em 2018, um crescimento de 38,2% em relação a 2017, alcançando a marca de US$ 906 milhões, dinheiro arrecadado dos setores de direitos de mídia, publicidade, patrocínios, ingressos, mercadorias e taxas recolhidas pelas publishers.

Os salários são significativos. Atletas de mais destaque costumam receber quantias elevadas. Lucas Simon, um dos sócios fundadores da equipe INTZ E-Sports Club, revelou durante uma palestra no Game Business 2017, que o salário de cyber atleta varia de R$ 3 mil a R$ 20 mil. “Assim como acontece no futebol, apenas uma minoria entre os jogadores ganha muito bem, alguns até acima de R$ 20 mil” conta.

Ronaldo “fenômeno” testando o jogo em clube na qual comprou partes federativas.
Foto: Cnb

Com toda essa ascensão dos jogos eletrônicos, muitas empresas, personalidades e até clubes de futebol resolveram investir. A Samsung, potência internacional em eletrônicos, foi uma das pioneiras no e-sports. Montaram sua própria equipe de League Of Legends, em que conquistaram um bicampeonato mundial, principal torneio da modalidade. No Brasil, Vivo, Kabum, Nike, Intel e Submarino são alguns exemplos. Ronaldo “Fenômeno”, bicampeão mundial, comprou parte da CNB e-Sports Club, tradicional equipe brasileira, tornando-se sócio ao lado de André Akkari, famoso jogador de pôquer e campeão mundial da modalidade, e Igor Trafane Federal, diretor-executivo da Brazilian Series of Poker (BSOP). Foi a primeira personalidade de esportes convencionais a ingressar no meio dos esportes eletrônicos no Brasil.

 

Um comentário em “Gaming House: a consolidação dos e-sports

  • 5 de junho de 2018 em 09:20
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    Amei a matéria, muito bem colocada

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