Barreiras linguísticas dificultam o comércio

Por Letícia de Medeiros e Yasmim Rodrigues

“O nosso cardápio tem duas opções Inglês e Português” – João José. Foto: Juliano Almada

Aprender um idioma diferente é importante para expandir a comunicação e promover a interação entre pessoas de diferentes países. Porém, esse tipo de estudo é um grande desafio para algumas pessoas. O problema, no entanto, se agrava quando atinge o comércio. “A gente sabe o ‘thank you’, o ‘yes’ mas é difícil quando aparece um cliente de fora”, afirma a supervisora de uma pizzaria em Fortaleza, Roberta Georgiana, 35.

Os estrangeiros sentem muita dificuldade para se comunicar com brasileiros, pois, segundo o surinamês Robert, 58, poucas pessoas falam mais de um idioma no país. “É a minha primeira vez em Fortaleza, estou aqui há três dias e acho que só conheci duas pessoas que falavam um pouco de inglês”, conta o turista.

Presença estrangeira

Placas em inglês e português alertando os turistas sobre as regras. Foto: Juliano Almada

Fortaleza é um dos destinos turísticos mais procurados do país. A capital, segundo dados do Ministério de Turismo de 2017, aponta Fortaleza como o 6º destino de verão mais procurado do Brasil. “Muitos estrangeiros vêm aqui, ultimamente, da América Latina, México, Venezuela, por exemplo”, confirma Luan Carvalho, 25, gerente de um restaurante em Fortaleza. “Acontece constantemente. A gente atende muitos estrangeiros”, afirma Roniery Lima, 24, também gerente de um restaurante de Fortaleza.

A marcante presença estrangeira força a interação com brasileiros e, quando não há domínio de um idioma comum a ambas as partes, a situação pode ser constrangedora. “Eu já atendi um oriental, me senti incompetente”, brinca o gerente Luan Carvalho.

“Eu acho constrangedor, pois a gente não dá o mesmo tipo de atendimento, compromete a qualidade do atendimento, alguns clientes saem satisfeitos e outros insatisfeitos”, desabafa a supervisora Roberta. “Eu me senti mal, eu não sabia responder nada”, desabafa Lucas Rabelo, 23, garçom de uma barraca de praia em uma zona muito frequentada por turistas na cidade.

“Eu acho constrangedor, pois a gente não dá o mesmo tipo de atendimento, compromete a qualidade do atendimento” (Roberta Georgiana)

Preparação do mercado

Em diversos locais, não há treinamento dos funcionários. Foto: Juliano Almada

Em uma pesquisa feita pelo JornalismoNIC com seis estabelecimentos na cidade de Fortaleza, apenas um apresentava algum tipo de treinamento para atender estrangeiros. “Eu já fiz vários treinamentos, a gente já fez até um curso de inglês”, conta João José, 50, o garçom de outra barraca de praia em Fortaleza. Além disso, somente um estabelecimento contava com placas em dois idiomas e um cardápio com tradução para inglês. “O nosso cardápio tem duas opções, é mais fácil, eles podem só apontar . Então, dá pra ‘desenrolar’”, afirma.

Para o gerente Luan Carvalho, seria ideal que houvesse um treinamento nos estabelecimentos para o atendimento de estrangeiros. “Não temos nenhum treinamento, fazemos tudo por tradutor. Seria ideal que houvesse uma formação até mesmo para poder acrescentar no currículo. Se em toda frente de loja tivesse pelo menos uma pessoa que soubesse falar uma segunda língua, ajudaria no atendimento e até daria outra visão para os turistas”, afirma ele.

De acordo com Robert, turista surinamês, as dificuldades não se restringem apenas a restaurantes. “Você está no avião, e nele só falam português, eu não entendo português, no aeroporto eles não falam inglês”, conta. Ainda segundo ele, esse problema não é exclusivo do Brasil. “Eu fui para a França, lá eles sabem inglês, mas eles não usam inglês com você”, lembra. “No Suriname, meu país, a maioria das pessoas fala inglês, português, holandês e esse conhecimento é passado de geração em geração, então é cultural”, orgulha-se o surinamês.

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