Os desafios de ter uma marca autoral

Por Newton Cordeiro

O mercado de vestuário teve uma alta de 7,9%. Foto: Lília Camelo

Alto valor de investimento, elaboração de um plano de marketing para concorrer com multinacionais gigantescas e o desafio de se manter relevante com o passar dos anos. Esses são alguns dos desafios que alguém que pretende abrir sua própria marca deve estar preparado para enfrentar no mercado da moda. Movimentando cerca de R$ 190,6 bilhões no ano de 2017, segundo dados da 17ª edição do estudo ‘Brasil Têxtil – Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira”, o mercado de vestuário teve uma alta de 7,9% no ano passado e deve fechar novamente em alta esse ano.

Para a coordenadora do Núcleo de Pequenos e Médios Empresários do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-CE), Fabiana Melo, um dos indicativos para esse grande momento pode ser por causa do alto índice de desemprego no país. Hoje, a taxa de pessoas sem emprego chega a 13,1% no mês de maio, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, existe a possibilidade de ser dono do próprio negócio. “O empreendedor se sente valorizado em ver que pode estar à frente da sua própria empresa e não depender mais dos meios tradicionais para trabalhar. Ele quer produzir, se sentir útil e precisa sustentar sua família”, diz.

Manutenção de uma loja

Lucas Marques é estudante de moda e avalia abrir o próprio negócio. Foto: Reprodução

Sem loja física, o empresário Lucas Reffo, 22, conta que a idéia de abrir sua própria marca online surgiu após uma brincadeira em montar uma coleção de t-shirts para um desfile de conclusão de curso. A partir disso, veio a idéia de profissionalizar o negócio e colocar os produtos à venda.  Segundo Reffo, o maior desafio ainda está em permanecer relevante no mercado. “Parece muito fácil ver as peças bonitas, as fotos ‘iradas’ no Instagram. Mas existe uma grande força por trás disso: o desejo de crescer”, conta.

Um pouco mais receoso em abrir um estabelecimento físico, o estudante de Moda,  Lucas Marques, se preocupa com a quantidade de lojas que estão surgindo e a falta de nichos a serem trabalhados. “Acho Fortaleza tão pequena para a quantidade de marcas que estão em atividade. Isso me deixa um pouco com medo”, afirma.

Apesar do receio, o estudante não descarta a possibilidade caso alguma boa proposta apareça. Ele ainda fala que montar uma loja física não é tão fácil quanto pensam. Para Marques, é preciso um alto grau de dedicação, investimentos financeiros, estudo de concorrentes e pesquisas de inovação, a fim de ver o que tem de novidade no mercado e o que pode ser feito de diferente.

Lojas virtuais

Apaixonada por moda e comprando roupas exclusivamente pela internet desde 2013, a estudante de Jornalismo, Luciana Cardoso, 32, comenta que fica atenta à veracidade de contas no âmbito virtual. “Antes de fechar qualquer compra, pesquiso se o empreendimento tem alguma loja física”, comenta.

A universitária também conta que presta bastante atenção no que blogueiras e influencers digitais divulgam nas redes sociais. Segundo ela, sempre é possível achar boas opções com ótimos preços e ter uma peça, muitas vezes, única. Além da proximidade maior que o consumidor tem com quem produz as peças e a possibilidade de encomendar outros modelos.

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