Final de gigantes

  Por Marta Negreiros

Liverpool (Inglaterra) e Real Madrid (Espanha) protagonizaram a final da UEFA Champions League, a competição entre clubes europeus mais importante do mundo, no último sábado, 26, na cidade de Kiev, na Ucrânia. O time inglês, penta campeão da Europa, não chegava a uma final desde 2007, quando perdeu o título para o Milan em jogo disputado na Grécia. Do outro lado, o Madrid de Zidane alcançava a marca de três finais consecutivas, e acabou conquistando, também, mais um título para a estante do maior campeão da competição, com 13 taças ao todo.

Comemoração do terceiro título seguido do Real Madrid. Foto: Reprodução

A campanha dos dois clubes até a grande final foi difícil. Os Reds (apelido do time inglês) passou em primeiro do grupo E, à frente de Sevilla, Spartak Moscou e Maribor. Nas oitavas, derrubou o Porto. Nas quartas de final, passou pelo City de Guardiola, um dos favoritos ao título. E, por último, derrotou a Roma nas semifinais. Já o Madrid não conseguiu a classificação como primeiro do grupo H, terminou em segundo, atrás do Tottenham, mas desbancou Borussia e Apoel. Nas oitavas foi superior ao PSG de Neymar, em seguida venceu a Juventus, nas quartas. Chegou a final passando pelo Bayern.

Para o estudante André Saboia, 19, torcedor do Real Madrid, a campanha do time foi irregular e muito abaixo do esperado, fato que refletiu na partida de sábado. “Foi um jogo de altos e baixos, assim como a temporada. O primeiro tempo não foi muito bom, mas no segundo conseguiram dominar e sair com o tricampeonato”, opina. O Liverpool começou impondo o jogo no seu campo de ataque, em um ritmo frenético, sem muitas chances para o Madrid criar. Porém, o principal jogador do time, o egípcio Mohamed Salah, depois de uma disputa de bola com o zagueiro merengue Sergio Ramos, levou a pior e teve de deixar a partida, aos 25 minutos de jogo, e foi substituído por Lallana. Para André, a ausência de Salah não interferiu no resultado final, “o lance foi um acidente de jogo que poderia ter acontecido com qualquer jogador”, afirma.  

​Momento da lesão de Salah. Foto: reprodução

A lesão de Salah ganhou muita repercussão na mídia e nas redes sociais. O analista e comentarista esportivo, Bruno Formiga, comentou sobre o assunto em seu Twitter. “Obviamente, a lesão de Salah influencia no jogo. Tática e mentalmente. Porém, vale lembrar que ele foi controlado pelo Real enquanto estava em campo. O Liverpool foi relativamente melhor por 18 minutos”, pontuou. Entre os torcedores dos Reds, o clima foi diferente. Victor Duarte, 21, estudante, alega que a ausência de Salah acabou com a estrutura do time que atuou da mesma forma em quase todos os jogos da temporada. “Lallana é um bom jogador, mas não tem as características para aplicar o sistema gegenpressing de Klopp (treinador do Liverpool), que consiste na pressão sufocante ao adversário, além de mexer com o psicológico dos jogadores”, declara.

Primeiro gol de Bale, de bicicleta. Foto: reprodução

Os gols da partida só vieram no segundo tempo. Aos 51 minutos, com falha na saída de bola do goleiro Karius, Benzema abriu o placar para os espanhóis. Mas a resposta inglesa veio pouco tempo depois. Aos 55 minutos, em cobrança de escanteio, Mané ganha de Sérgio Ramos na disputa aérea e cabeceia para empatar a decisão. O jogo volta a ficar em aberto por alguns minutos, até Gareth Bale entrar na partida e colocar o Madrid novamente a frente no placar com um gol de bicicleta aos 64 minutos. Para Honorato Vieira, 23, redator do portal Futebol Cearense, apesar da beleza do primeiro gol de Bale, o ponto alto da partida foi o segundo gol do galês, o que cravou a vitória do Real e a conquista do título. “Mesmo com o golaço de bicicleta de Bale, o time inglês estava começando a se reorganizar até que Karius falhou novamente e acabou com o sonho dos Reds. O abalo psicológico foi imediato e parece que desistiram do jogo”, relata.

Para o estudante Victor Duarte, é difícil de apontar o erro do Liverpool nesta partida. Além das falhas de Karius, ele acredita que o torcedor esperava mais ação por parte do treinador Klopp. “Talvez arriscar mais nos duelos aéreos com Solanke no lugar do Milner quando ainda estava 2 x 1, ou ter confiado um pouco mais no sistema defensivo, que vinha fazendo belíssima partida”, aponta. Não só isso, como também a diferença técnica do banco de reservas dos dois times.“Começamos bem a final, mas pecamos por não ter jogadores reservas confiáveis”, relata. Para Honorato, o time inglês sentiu a pressão do jogo. “Com a saída de Salah, a válvula de escape ficou com o Mané e o Real matou o senegalês com uma marcação muito forte, apesar da grande partida dele”, destaca.

E, embora a temporada do Real na campanha da Liga Espanhola e na Copa do Rey não tenha sido das melhores, terceiro colocado em um e eliminado nas quartas de final em outro, na Champions o time parece elevar-se a outro nível. Honorato enxerga a força do maior time do mundo, com jogadores acostumados a vencer. “Mesmo com dificuldades para chegar a final, o time não sentiu o baque. Enquanto a atenção estava toda no Cristiano Ronaldo, Marcelo e Bale decidiram”, alega. Além disso, ele destaca a atuação do meio de campo merengue como fundamental para a conquista do título. “Modric, Casemiro e Kroos beiraram a perfeição”, exalta.

Cristiano comemorando seu quinto título de Champions. Foto: reprodução

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php