Como o K-Pop movimenta o mercado do entretenimento no Ceará

Por Alessandra Baldessar e Isabella Campos

Coreografias sincronizadas, figurinos únicos e música com mistura asiática e americana, esse é o K-Pop. Estilo musical originário da Coreia do Sul, ele tem sido exportado para diversas partes do mundo, movimentando o mercado do entretenimento, inclusive no Brasil. Com essa invasão da Hallyu, tradução do coreano para “Onda Coreana”, Fortaleza virou um dos polos que mais concentram fãs do estilo.

Membros do grupo de K-Pop Rania. Foto: Divulgação.

Um dos maiores eventos de cultura asiática do país, o Sana Fest acontece todo semestre em Fortaleza. Ele já ocorre há 17 anos e recebeu mais de 50 mil visitantes em sua edição passada. De acordo com o diretor do festival, Igor Lucena, para o Diário do Nordeste, a expectativa era de injetar 8 milhões de reais na economia local.

“A expectativa para o Sana está altíssima, com uma gama enorme de novidades pra quem é fã de cultura coreana em si”, diz Jany Caetano, 34, coordenadora do setor de K-Pop no Sana e estudante de Letras-Inglês na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Com sala temática, competições de dança – incluindo a eliminatória para o K-Pop World Festival (KWF), maior competição de covers de K-Pop do mundo –, e a grande atração do semestre, que será o show do grupo feminino Rania, o K-Pop marcará presença no festival.

De Seul para Fortaleza

K.A.R.D com seus fãs no fansign de Fortaleza. Foto: Divulgação.

Não é a primeira vez que artistas sul-coreanos vêm à cidade. Apenas no último ano, cerca de quatro grupos já visitaram Fortaleza, seja para fansigns – termo usado para  definir “tarde/noite de autógrafos” –, seja para mini shows. “São feitas pesquisas pelas produtoras [dos grupos] para descobrir quais estados têm mais fãs. O estado ‘vencedor’ recebe o grupo”, explica Jany sobre como essa escolha é definida. “No Nordeste nós temos uma concentração bem grande de fãs de K-Pop, ficando sempre polarizado entre Fortaleza e Recife”, completa.

Um exemplo é o grupo K.A.R.D, que veio ao Brasil pela primeira vez logo após lançar, no início de 2017, seus três primeiros singles, os sucessos internacionais “Oh NaNa”, “Don’t Recall” – que também ganhou uma versão em inglês –, e “Rumor”. O grupo, formado por J.Seph, B.M, Somin e Jiwoo, teve todos os ingressos da turnê esgotados em minutos e passou, primeiramente, pelas capitais nordestinas Fortaleza, Salvador e Recife, finalizando apenas com Rio de Janeiro e São Paulo.

Além dos ídolos

Eventos com ligação ao estilo musical sul-coreano, isto é, sem necessariamente a presença de artistas do gênero, ocorre com mais frequência na cidade. “A ascensão do tema nas redes sociais foi aumentando o interesse do grande público para o K-Pop”, explica Jany Caetano. As atrações principais desses eventos são as apresentações de grupos cover de K-Pop, os quais a coordenadora afirma estarem crescendo diariamente, e as lojas autônomas, que comercializam produtos voltados para esse público.

“A ascensão do tema nas redes sociais foi aumentando o interesse do grande público para o K-Pop” (Jany Caetano)

Késsia Lurdes, 21, estuda Letras-Francês na Universidade Federal do Ceará (UFC) e também é líder do grupo cover Dandelion. “De dois, três anos para cá, depois do sucesso mundial do PSY [autor do hitGangnam Style”], o K-Pop foi ganhando espaço no mercado internacional e as pessoas começaram a se interessar e conhecer outros grupos da Coreia do Sul”, ela especula sobre a Hallyu. “Em Fortaleza, por exemplo, o público de fãs de K-Pop é extremamente grande e isso faz com que as produtoras de eventos mostrem cada vez mais interesse em levar esses covers a eles”, complementa.

 

A estudante comenta que o K-Pop lhe proporcionou experiências únicas e incríveis, além das novas amizades – e, consequentemente, do grupo de dança – que fez por meio dele. “Eu acredito que o K-Pop me faça ser uma pessoa mais saudável e feliz”, afirma. “Como cover de K-Pop e por amar o que eu faço, eu pratico dança diariamente. Então, estou sempre mantendo meu corpo em movimento e praticando um exercício. Não é só um gênero musical, é algo que fez minha vida ser mais divertida de verdade”, conta.

Lojas autônomas

O estande da ADS no último Sana Fest. Foto: Divulgação.

Com difícil acesso a produtos ligados a esse estilo, surgem lojas voltadas unicamente para o público de fãs do gênero musical. “Participando de eventos aqui, em Fortaleza, percebi que não tinha produtos relacionados a isso”, conta Leanderson Alcantara, representante da Asian Dream Store (ADS), primeira loja do segmento em Fortaleza, sobre a motivação para o empreendimento. “Foi aí que a ficha caiu e decidi que não iria deixar mais nenhum fã de K-Pop sem encontrar algo de especial do seu grupo”, relembra.

Segundo Leanderson, a Asian Dream Store trabalha, hoje, com camisas, almofadas, colares, pôsteres, chaveiros, bonecos e CDs. “Também criamos um box mensal chamado K-POP SOUP, cuja ideia é misturar todos os grupos e entregar produtos de K-Pop por um preço promocional”, relata. “Hoje, todos os produtos têm uma grande procura, desde CDs a chaveiros. Os que recebem mais elogios são as camisas, então de certa forma é o nosso produto principal”, completa.

A loja também vende álbuns oficiais dos artistas sul-coreanos. Apesar dos obstáculos na hora da compra, o revendedor frisa a parceria direta com lojistas asiáticos. “Temos encontrado bastante dificuldade tanto na importação, na demora de entrega, quanto nas tarifas dos produtos, fazendo com que os CDs demorem a chegar”, afirma. “Com o hype alto, a procura se torna cada vez maior, já que o acesso a álbuns e materiais originais dos grupos, devido a esse translado, torna-se um tanto escasso”, finaliza.

Um comentário em “Como o K-Pop movimenta o mercado do entretenimento no Ceará

  • 21 de maio de 2019 em 22:39
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    Que post massa velho, além de aprender e entender sobre o assunto dá vontade de virar o site inteiro vendo o que mais tem de interessante!!!

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