Tecnologias podem causar dependência em crianças

Por Sabrina de Souza

Nove em cada dez crianças e adolescentes brasileiros com acesso à internet se conectam à rede por meio de smartphones, segundo a pesquisa TIC Kids Online. A pesquisa, divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (cetic.br), contou com quase 3.000 crianças e adolescentes entre novembro de 2016 e junho de 2017. Porém, os problemas começam a surgir quando esses aparelhos passam a criar dependência, conhecida como nomofobia.

Crianças têm usado cada vez mais aparelhos tecnológicos. Foto: Juliano Almada

A nomofobia é uma patologia com consequências psíquicas, sociais e físicas, tanto em adultos quanto em crianças e adolescentes. Segundo a psicanalista Galeara Matos de França, “há crianças até com tendência a obesidade por tantas horas paradas diante dos celulares”.

A psicanalista fala sobre os problemas sociais e comunicativos que essas crianças podem vir a ter na fase adulta. “Elas estão sempre jogando e sozinhas, sem interagir com ninguém a sua volta, ou com outras crianças da mesma idade”, comenta. “Por conta dessas tecnologias, as crianças estão perdendo o prazer de brincar livremente, correr, subir em árvores, curtir, fazer castelinho na beira da praia, etc. Lamento por elas agora no presente que se esvai e pelo futuro solitário que viverão”, acrescenta Galeara.

Outra pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet revela quais as principais buscas dessas crianças dentro dos dispositivos móveis. Dentre elas, a maior motivação dos jovens para usar a rede é entrar nas redes sociais, como Facebook, Instagram e Snapchat (73%); buscar informações para trabalhos escolares (68%); e pesquisas de interesse pessoal (67%). Outro modo de uso são os aplicativos de mensagens instantâneas (64%). Em seguida, vem atividades de entretenimentos, como ouvir música (50%) e assistir a vídeos (48%). Os dados foram coletados em 2014, a partir de 2,1 mil entrevistas domiciliares com jovens de 9 a 17 anos.

Uso consciente

Os tecnologias tem uma função essencial: facilitar a comunicação. Foto: Reprodução

Os aparelhos de celular e tablet também são de muita utilidade quando usados de forma correta. “Ter um celular faz bem, é útil. Mas não pode ser ele o comandante das nossas vidas e muito menos da vida das crianças. O celular deve ser posto no seu devido lugar, na sua devida função: facilitar a comunicação. Podem até ser velozes no raciocínio, porque ali [na internet] tudo é veloz”, expõe a psicanalista. No entanto, ela não vê nenhum benefício em ser rápido.

Há uma linha tênue entre estudo e diversão na utilização da internet e celulares por crianças e jovens. “Procuro sempre outro método para estudar, porque se eu for usar [o celular], vou passar o dia inteiro me distraindo com outras coisas”, comenta a estudante Larissa Cardozo, 14.  

Para a psicanalista, os pais têm peso fundamental na prevenção do vício e na reeducação, caso o apego já esteja estabelecido. “Retardar o quanto possível presenteá-las [as crianças] com celular, smartphones, tablets, notebooks. As crianças não vão na loja e compram para si mesmas esses aparelhos, elas têm porque ganham de um adulto. Então o puxão de orelha deve ser neles primeiro. Oriento pais a trocarem este presente por um instrumento musical”, orienta. Segundo Galeara, se o vício se instalou, só há um jeito: desconstruir os hábitos e substituir por outros, mais lazer, mais ar livre, mais esportes, mais artes, mais presença.

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