Os problemas de saúde que o glúten pode causar

Por Thomás Regueira

Doença celíaca é uma doença autoimune na qual o organismo rejeita o glúten, proteína presente em cereais como trigo, centeio, cevada, entre outros. O consumo de alimentos que contenham essa proteína pode levar a inflamações no intestino, diarréias crônicas, má absorção de nutrientes (anemia) e, se esse quadro se agravar, pode levar a doenças mais letais, como câncer de intestino.

A doença não é contraída por meio de um vírus ou bactéria, por exemplo, mas sim por predisposição genética. A nutricionista Karen Ribeiro, 24, afirma que ela afeta os portadores dos genes HLA-DQ2 e HLA-DQ8 (marcadores genéticos de celíacos), mas não necessariamente determina que a pessoa possa vir a se tornar celíaca. Qualquer um pode ser afetado, mas é mais comum em indivíduos que possuem algum membro da família ou um histórico familiar de doença celíaca, diabetes tipo 1, síndrome de Down, entre outras. No Brasil, não há dados nem estudos recentes de quantas pessoas são celíacas, mas em São Paulo, em 2012, uma estatística calculou que, no Estado, de cada 286 pessoas, uma é celíaca.

Não há cura para ela atualmente. O único tratamento possível é a mudança na alimentação, rejeitando completamente os alimentos que contém glúten. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a legislação (Lei Federal 10.674/2003) prevê que nos rótulos dos alimentos embalados deve informar se contém ou não glúten utilizando caracteres em destaque e de fácil leitura, com a finalidade de evitar que os celíacos consumam estes produtos.

Convívio com a doença

Auxília. Foto: arquivo pessoal

Auxília Largura, 42, foi diagnosticada com doença celíaca há cerca de 10 anos. Logo após perder seu primeiro filho na gravidez, começou a entrar em um processo de diarréia crônica, porém achavam que era devido à uma questão emocional pela perda da criança. Depois que Isadora, sua filha mais velha nasceu, os sintomas foram piorando e Auxília perdeu muito peso. Ela decidiu ir ao médico,  fez diversos exames e descobriu de que era celíaca. “Foi um choque para mim. Sou a primeira pessoa da família que é celíaca, mas, graças a isso, minha sobrinha descobriu que é celíaca. Avisei à família todinha, o pessoal começou a fazer exames e nela deu positivo”, fala.

O seu maior problema de convívio com a doença é comer fora de casa. “Os restaurantes não oferecem comida sem glúten e, às vezes, não sabem nem o que ele é. Toda vez eu tenho que chamar o garçom, perguntar para ele se aquela comida contém glúten, ele vai na cozinha, pergunta para o cozinheiro se aquele determinado molho ou comida tem glúten e volta para me dizer. Sempre tenho que fazer isso em qualquer lugar que eu vá”, relata. Além dos restaurantes, as festas e reuniões também são um problema porque não pode comer nada que é oferecido. “Já aconteceu de, muitas vezes, eu chegar em casa de noite, às vezes, de madrugada, com fome, mas aí eu estou com preguiça,  sono e acabo dormindo de barriga vazia”.

“Os restaurantes não oferecem comida sem glúten e, às vezes, não sabem nem o que ele é” (Auxília Largura)

Elisângela. Foto: arquivo pessoal

Elisângela Baldessar, 41, empresária e estudante de moda, descobriu que era celíaca há quatro anos, mas já vinha sentindo muitos sintomas desagradáveis e chegava a ir a hospitais quando consumia certos tipos de alimento. No entanto, mesmo tendo acompanhamento médico e nutricional, o problema nunca tinha sido descoberto. Por recomendação de sua psicóloga, quando Elisângela contou que sentia medo e receio de comer e passar mal, foi atrás de um gastroenterologista e, então, foi diagnosticada.

Ela comenta que sempre gostou de se alimentar de forma saudável, mas deixar de comer massas foi bem difícil. Hoje, Baldessar já consegue conviver bem com a doença. “Com uma população cada vez mais restrita e alérgica, já não tenho tantas dificuldades para encontrar esses alimentos mais específicos para minha restrição”, conta.

 

“Como não sei a procedência dos alimentos, costumo comer antes de sair de casa ou levo algo na bolsa para algum imprevisto” (Elisângela Baldessar)

Assim como Auxília, Elisângela também acha complicado quando tem que viajar ou ir eu uma festa ou reunião que tenha comida. “Quando viajo, levo quase que um arsenal de comidas especiais. Quando tenho que ir para festas e reuniões, como não sei a procedência dos alimentos, costumo comer antes de sair de casa ou levo algo na bolsa para algum imprevisto”, compartilha.

A pouca variedade e elevados preços

Na época em que Auxília descobriu-se celíaca, conta que nos supermercados  não existia nenhuma opção de alimentos sem glúten. Atualmente já é possível encontrá-los sem muitas dificuldades, porém eles têm preços elevados e pouco acessíveis. “São produtos importados (a maioria da Itália) e, por isso, os preços são caríssimos. Graças a Deus eu tenho uma condição financeira em que posso me dar ao luxo de comprá-los. Eu fico pensando em quem não tem condições financeiras, porque não dá pra comprar”.

Para ter uma noção melhor do custo desses produtos em relação aos alimentos comuns, o blog www.gostososemgluten.com.br produziu um vídeo comparando os preços, confira abaixo:

 

Infografia: Halleyxon Augusto

Sugestões da nutricionista

Devido à dificuldade em se adaptar e conviver com uma alimentação sem glúten por parte dos celíacos, a nutricionista Karen Ribeiro sugeriu alguns alimentos que podem ser ingeridos sem quaisquer problemas e substituir os que contêm glúten, são eles:

Infografia: Halleyxon Augusto

Alguns cuidados necessários

Vale salientar que, apesar desses alimentos não conter glúten, eles podem, por acaso, ser preparados com farinha de trigo ou alguns molhos em que a proteína está presente. Por exemplo, muitos restaurantes passam farinha de trigo no peixe para que grelhe sem se desfazer. Isso pode passar imperceptível para muitos, caso o cliente não seja informado.

Além disso, deve se preocupar com a chamada contaminação cruzada, que seria o consumo de alimentos contaminados pelo glúten. Por exemplo, se um pastel com glúten na sua composição for frito em determinado óleo, este não vai poder ser reutilizado caso se queira fritar um pastel sem glúten em seguida, pois aquele óleo está “contaminado”. Qualquer contato com comidas com glúten, nem que seja só um pouco, pode ser suficiente para uma crise intestinal, segundo Karen Ribeiro.

Tipos de doenças celíaca

A doença celíaca pode ser classificada em três tipos: (INFOGRÁFICO )

Infografia: Daniel Vasconcelos

 

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