TV Unifor debate guerra na Síria

Por Letícia de Medeiros e Yasmim Rodrigues

A Síria enfrenta um dos conflitos mais graves da história do Oriente Médio, desde 2011. Segundo dados divulgados pela imprensa, até março deste ano mais de meio milhão de pessoas haviam perdido a vida na guerra civil. Esse foi o tema de debate realizado, hoje à tarde (22), pela TV Unifor, no programa Grandes Debates. Foram convidados a fotógrafa e relações internacionais Karine Garcêz, o pesquisador do Núcleo de Estudos Internacionais da Unifor (NEI) e professor Daniel Camurça; e o professor de Direito Internacional, Marcelo Uchoa.

Na foto, Marcelo Uchoa, Ana Luíza Serrão, Daniel Camurça e Karine Garcêz”. Foto: Ana Luiza Serrão

O debate se iniciou com Daniel Camurça explicando o contexto histórico da guerra, que é um reflexo da Primavera Árabe, onda de protestos e revoluções contra os governos ditatoriais do mundo Árabe que eclodiu em 2011. A fotógrafa Karine chamou a atenção para o conceito de regime change, ato que acontece quando um governo é substituído por outro. “Foi o que aconteceu no Egito. O governo de [Hosni] Mubarak não atendia mais à cartilha dos Estados Unidos. Assim, eles financiaram grupos estudantis que surpreendentemente conseguiram eleições e elegeram Mors. Porém, ele não aceitou seguir a cartilha e foi deposto, ascendendo ao poder [Abdel] Fattah (em 2014, mais conhecido como general Sisi), ditador muito mais rígido que o Mubarak”, explicou Karine. “As pessoas não falam muito do regime change, ele dá a impressão que o governo mudou”, acrescenta.

É importante salientar o envolvimento de outras nações no conflito sírio, como Estados Unidos e Rússia, duas potências bélicas mundiais que assumem diferentes posições tanto no apoio ou não do governo do ditador sírio Bashar al-Assad. Estados Unidos é contra e Rússia a favor. “Durante o final do século XIX e começo do século XX, houve um processo de ‘fatiamento’ do Oriente Médio baseado em interesses econômicos. Os Estados Unidos promoveram ditaduras para ter o seu marco de poder”, explica o professor Daniel Camurça.

Problemas humanitários

Foto de divulgação do evento. Foto: Arquivo pessoal

O programa também evidenciou os problemas enfrentados com a ajuda humanitária. “A ajuda internacional não chega às pessoas. Ela só aparece quando é pra filmar e fotografar”, alerta Marcelo Uchoa, que visitou campos de refugiados no Oriente Médio em 2018. O professor fez questão de deixar claro que, apesar  do sofrimento existente, os campos são também lugares nos quais as pessoas tentam viver a vida normalmente.

Também foram debatidas questões como os traumas sofridos pelas crianças que estão vivendo em meio à guerra “A guerra alimenta o ódio, as pessoas mudam na guerra, ninguém sai igual dela”, alerta Marcelo. “O maior dano não é cultural, são os traumas psicológicos que a guerra deixa marcado em quem a presencia. São crianças que vão trabalhar para sustentar a família porque o pai está mutilado e a mãe está com síndrome do pânico, são pessoas que vão lidar com todo tipo de exploração imaginável”, afirma a fotógrafa Karine. Ela também foi questionada sobre as dificuldades de ser mulher em meio à guerra. De acordo com ela, nunca sofreu nenhum tipo de problema por ser mulher. “Pelo contrário, parecia que tinham mais cuidado comigo”.

Ao final do debate, o pesquisador Daniel Camurça afirmou que não sabe se há como a guerra ser finalizada. “Sempre há esperança, mas tudo depende da ordem política. A Primavera Árabe ainda assusta as pessoas, talvez o terror ainda continue por um tempo”, diz. Para Marcelo, debates como o ocorrido na Unifor são muito importantes para que haja a conscientização das pessoas sobre o tema. “É importante discutir isso, não só para que a guerra acabe, mas também para que novos conflitos não surjam”, acredita.

Serviço

O programa Grandes Debates passa na TV Unifor todas às quartas-feiras às 20h10, no canal 14 na Multiplay e 181 na NET.

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