O mercado de trabalho pela visão de quem contrata

Por Levi Aguiar

O índice de desemprego no Brasil, atualmente, é de 12,2%, atingindo 12,7 milhões de pessoas em todo o país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Instituto também divulgou dados de pesquisas sobre o crescimento de trabalhadores autônomos, o número de pessoas que trabalham por conta própria ou em vagas sem carteira assinada superou o daqueles que têm um emprego formal pela primeira vez em 2017. Mas ainda há quem prefira ter sua carteira assinada, e busque um emprego formal. E um desafio para quem está desempregado ao ingressar no mercado de trabalho é a tensão provocada pelos processos de entrevista.

O Jornalismo NIC entrevistou duas profissionais que trabalham com Recursos Humanos (RH), Christiane Sampaio e Ketsia Oliveira, para entender mais sobre as exigências do mercado, sobre o comportamento adequado em uma entrevista de emprego, como compensar a falta de experiências expressas no currículo e outros aspectos importantes para alguém que procura emprego ou estágio.

Christiane Sampaio, 32, atua como Gerente de Recursos Humanos na empresa de indústria de comércio e confecção. Ela é responsável por desenvolver e gerenciar planos de carreira, elaborar o recrutamento, seleção e treinamento dos empregados e estagiários, ou seja, cuida da gestão de pessoas dentro da empresa. Ela frisa a importância do entrevistado ter desenvoltura, calma e planos que coincidam com as perspectivas da empresa, pois seu desenvolvimento dependerá da identificação e dedicação que o profissional terá no ambiente de trabalho. “Quando a gente está entrevistando um estagiário, normalmente são pessoas inexperientes, então, o currículo não é um fator determinante. Na entrevista, a gente analisa a questão comportamental. Fazemos perguntas referentes ao histórico e ao que ele pretende para o futuro, analisando se esse perfil está de acordo com a vaga”, ensina.

Além dessas características, ela relata que cada emprego ou estágio tem suas exigências, e que isso vai de encontro ao perfil da vaga disponível. “Na área do marketing, por exemplo, eu analiso sempre a criatividade, a forma de se relacionar, seu estilo de vida e se este estilo coincide com o setor”, explica. A gerente de RH diz que não basta que o interessado na vaga seja contratado, ele precisa manter a postura profissional, entrando em detalhes, essa postura, segundo ela, corresponde a pontualidade, a manter um bom relacionamento com seus colegas, a reagir bem sob pressão e a corresponder às demandas do cargo que lhe foi confiado.

Box: Levi Aguiar

Ketsia Oliveira, 23, psicóloga com especialização em Recursos Humanos e Psicologia Organizacional. Ela trabalha para uma empresa que lida com alguns estagiários, especificamente, um grupo de estudantes ligados aos cursos de Comunicação Social, Administração, Artes Cênicas e outras áreas conectadas à Comunicação e Gestão.

Para Ketsia, em uma entrevista de emprego, há fatores que influenciam para sua contratação ou não. Ela destaca que “existem fatores na entrevista que implicam o objetivo do indivíduo e o seu interesse em buscar aquele estagio. E depois da análise, o entrevistador decide se o absorver ou não”. Ela traz o exemplo dos estudantes universitários que vão atrás de estágios apenas para preencher uma disciplina na faculdade, pois alguns cursos exigem, para formação do estudante, que ele esteja envolvido com o mercado de trabalho. “Quando o estagiário começa a falar sobre si, ele precisa realmente estar voltado ao desejo de ingressar na atividade profissional com foco em seu desenvolvimento”, pontua Ketsia.

Os maiores fatores levados em consideração dizem respeito a quanto o estagiário transmite da ideia de que ele almeja evoluir no campo profissional. Para Ketsia, a disponibilidade em aprender, mesmo com a insegurança na entrevista de emprego, é o que realmente é interessante ser captado na entrevista. “Por se tratar de um candidato que está inserido em uma realidade de absorção de conhecimento e prática, a faculdade e o estágio, ele recebe informações atualizadas sobre o mercado de trabalho. Essa é a diferença entre ele e o indivíduo que está parado no mercado a um certo tempo”. Essa é mais uma declaração da psicóloga justificando o interesse da sua empresa nos estagiários universitários, pois eles estão aprendendo a teoria e exercitando na prática.

Já na questão do currículo, o interessado na vaga nunca deve esquecer de pôr a data de início do seu curso até sua formação. Se ele tiver outras experiências, é necessário informar sua trajetória (início e fim desse trabalho e alguns detalhes da função que ele desempenhava) e, principalmente, seus dados, por exemplo: telefone, nome completo e endereço.

Ilustrações: Alvim Silveira/Mídia Interativa NIC

Confira algumas exigências do mercado de trabalho:

Infografia: Levi Aguiar

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