Uso excessivo de fones de ouvido prejudica a audição

Por Letícia Serpa e Levi Aguiar

Festas Silenciosas. Foto: Reprodução

Você já ouviu falar nas “baladas silenciosas”? Provenientes da Europa, onde há uma grande preocupação com o barulho que incomoda a vizinhança, este tipo de festa tem o objetivo de fazer você curtir o som que quiser, no volume em que preferir, utilizando fones de ouvido individuais. Esse novo estilo de evento ganhou popularidade no exterior e chegou ao Brasil pelo Rio de Janeiro em 2010. Em fevereiro deste ano chegou a Fortaleza, com a primeira edição ocorrendo no Espaço da Escola de Música Duetos do shopping Riomar.

Porém, este tipo de festa e, principalmente, o uso contínuo de fones de ouvido podem acarretar problemas auditivos. Segundo a professora e coordenadora do curso de fonoaudiologia da Universidade de Fortaleza (Unifor), Fernanda Mônica Sampaio, 52, “os fones de ouvido, quando utilizados de forma correta, não trazem malefícios à saúde, porém o grande problema é quando estão com uma intensidade acima do permitido”, explica.

“Os fones de ouvido, quando utilizados de forma correta, não trazem malefícios à saúde, porém o grande problema é quando estão com uma intensidade acima do permitido” (Fernanda Mônica Sampaio)

O nível máximo que o som deve chegar é 80 dB’s. Foto: Everton Lacerda/Foto NIC

Mas, como saber a intensidade certa para o som? A professora alerta para situações em que o ruído, oriundo dos fones de ouvido de um indivíduo, é escutado por pessoas próximas. Isso significa que o volume da música está alto, pois o nível máximo que o som deve chegar é 80 decibéis (dB’s). “O volume além desse nível pode danificar as células ciliadas internas, que são estruturas da cóclea, e a lesão dessas células é irreversível. Então, se você usa o fone de ouvido de forma constante, numa intensidade acima de 80 dB’s, isso pode trazer uma perda auditiva irreversível”. E alerta: “o que a pessoa deve fazer realmente é tentar não se expor a volumes altos”.

A profissional cita, ainda, o zumbido como um dos principais sintomas que podem identificar uma futura perda de audição. Os zumbidos são melhores identificados por pessoas que utilizam apenas um lado do fone, pois é mais fácil de diferenciar a mudança na escuta. Contudo, não se apresentam somente com a utilização dos fones, podem também ocorrer a partir da exposição a sons altos, como paredões e trios elétricos, o que também pode danificar a audição.

Escala de dB’s

Segundo Fernanda, o decibel (dB) é utilizado para descrever o nível do som e das ondas sonoras. A profissional ilustra, com exemplos, a intensidade dos sons, algumas situações em que a escala está em 45/50 dB’s, como em uma conversa normal, ou a 110 db’s, quando alguém está próximo a uma turbina de avião, por exemplo.

O site Hear-it traz exemplos de diferentes intensidades de som expressas em decibéis de nível do som:

  • 180 dB: Decolagem de foguete
  • 140 dB: Motor à jato em movimento
  • 120 dB: Banda de rock
  • 110 dB: Trovoadas altas
  • 90 dB: Tráfego urbano
  • 80 dB: Rádio no volume bem alto
  • 60 dB: Conversa normal
  • 30 dB: Sussurro suave

Cuidados

Lesão auditiva. Foto: Reprodução

A profissional recomenda que a higiene dos ouvidos seja feita com uma toalha úmida e não com cotonete. “As pessoas, na maioria das vezes, acreditam que a cera é uma sujeira, porém não, a cera é uma proteção. O ouvido precisa da cera para proteger a entrada de bichos e regular as condições de temperatura e de umidade desse ouvido. Então, a cera precisa existir, a limpeza do ouvido é externa, por isso, deve ser feita com uma toalha”.

Ela narra exemplos em que o sujeito tenta higienizar ou tirar a cera de suas orelhas com cotonetes, grampos e até palitos de fósforos. Nesses casos, estes elementos acabam prejudicando sua audição, pois quando empurrada para o conduto, a cera se torna difícil de ser removida. Outra situação que pode ocorrer é o traumatismo do tímpano, pois, no momento da introdução do cotonete, uma outra pessoa, ao esbarrar no seu cotovelo, pode perfurar a membrana timpânica e causar um problema mais grave.

A fonoaudióloga também fala sobre a remoção. Porém, a “lavagem” deve ser feita somente por especialistas. “Costumam disponibilizar o serviço em farmácias, mas apenas um profissional no assunto, ou seja, um otorrino, poderá realizar a remoção”. E afirma que “geralmente o médico solicita uma biometria da orelha para depois realizar o processo”.

 

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