A “sutileza na interpretação” de Tommy Brilho

Por Melissa Carvalho

Auditório da Biblioteca lotado durante o lançamento do curta “Tommy Brilho”. Foto: Thomaz ​Cavalcante

O primeiro homosexual invisível retrata problemas sociais em forma de comédia no curta ‘Tommy Brilho’, produzido por alunos do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza (Unifor). As problemáticas trazidas por Tommy Brilho tentam representar a realidade de muitos jovens e, de acordo com Sávio Fernandes, diretor, editor e idealizador do curta metragem, tenta “mostrar para essas pessoas que não estão sozinhas”. O lançamento aconteceu nesta quarta-feira (16) e lotou o Auditório da Biblioteca, reunindo alunos e professores, muitos que chegaram a participar das gravações.

Aceitação dentro do ambiente universitário, homofobia e machismo são alguns dos assuntos tratados no curta. Tommy foi uma cobaia durante a gestação, em várias tentativas de criar um filho perfeito. O abandono do pai quando a criança não correspondeu às expectativas, e os problemas com as relações dentro da universidade são questões que o personagem precisou enfrentar. O tom humorístico presente no filme torna os temas mais fáceis de serem discutidos. “O Tommy é um filho que eu quero dar para o mundo. Ele representa como você é visto na sociedade, como você se expressa e é representado”, declara o diretor.

“O Tommy é um filho que eu quero dar para o mundo. Ele representa como você é visto na sociedade, como você se expressa e é representado” (Sávio Fernandes)

Trecho do filme “Tommy Brilho”. Foto: divulgação.

O filme teve liberdade artística por não ter vínculo com as atividades das disciplinas. Todas as pessoas que participaram da produção foram voluntárias. Sávio lembrou a dificuldade em convencer cada pessoa, mas que, por fim, eles “acreditaram no projeto”. Lívia Ferraz, uma das participante do curta, conhece o diretor desde a escola e fica feliz em ver o crescimento dele como profissional. “É uma proposta tão legal e tão diferente. Você vê o cuidado que ele teve”, admite. Arthur Almeida e Paulo Buuh deram vida ao Tommy Brilho como corpo e voz, respectivamente, participando ativamente do processo para dar veracidade ao personagem. “Eu estava em todas as gravações, tinha que parecer que estava na cena”, conta Paulo.

Processo de produção

Sávio Fernandes durante uma conversa sobre o processo de produção e edição do curta. Foto: Thomaz Cavalcante

Em uma conversa descontraída após o filme, os produtores explicaram o processo de criação. A ficção passou por um longo período de pós-produção, que durou cerca de um ano e meio. O efeito especial que tornou o personagem invisível foi possível a partir de cortes de imagens feitos quadro a quadro, um processo lento de edição. “Ver esse resultado na tela e todo mundo perguntando ‘como é que você fez?’… Se ninguém percebeu algum pequeno erro, é porque está bem feito”, orgulha-se Sávio.

As gravações duraram 28 dias, ocorrendo até em fins de semana. As cenas são muito dinâmicas, não se restringem a apenas um ambiente da universidade, mas também aconteceram em outras locações, como no Dragão do Mar. Alguns problemas durante a produção, como trocas constantes de elenco e perda do material de som, quase impossibilitaram a continuação do projeto. “Eu tinha que acreditar”.

Importância do projeto

Bete Jaguaribe, coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor. Foto: Thomaz Cavalcante

A coordenadora do curso de Cinema, Bete Jaguaribe, acredita que momentos como esse são importantes pela integração entre os alunos, já que a maior parte dos estudantes presentes fizeram parte do elenco de alguma forma. O evento proporcionou uma discussão sobre assuntos pautados no filme e as vivências durante as gravações. “Esse encontro é muito provocativo. Reúne pessoas, discutem ideias e novos projetos. Um dos objetivos do curso é muito orientado nessa perspectiva de partilha de experiências”

 

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