Série traz a atribulada vida espiritual de Osho

Por Melissa Carvalho

Fé, conflitos políticos e violência marcam a saga do líder espiritual Bhagwan Shree Rajneesh, que ficou conhecido como Osho, e de sua assistente Ma Anand Sheela. A série documentário Wild Wild Country, produzida pela Netflix, narra a trajetória dos sannyasins ou rajneeshes, como são designados os seguidores de Bhagwan, durante a transição da sede espiritual da Índia para os Estados Unidos. Em uma luta por território e aceitação, a seita sofreu com a intolerância e usou da violência como estratégia para se manter firme, chegando a causar o maior ataque bioterrorista. Cada episódio mostra um novo personagem, que teve alguma participação ativa durante o processo, e conta com a narração principal da Sheela, que esteve à frente dos conflitos com a população e o governo como a “voz” de Bhagwan.

Bhagwan e Sheela durante um dos cultos. Foto: reprodução

A série exibe, durante os seis episódios, vários arquivos da época, um material que revela a intensidade das disputas durante o período. Os sannyasins usavam roupas em tons de laranja e seguiam as palavras de Bhagwan, que palestrava todos os dias no templo. O movimento acredita na alegria, no amor livre e pratica rituais exóticos. A decisão de mudar o templo para os Estados Unidos aconteceu depois de uma tentativa de ataque ao Osho, que ficou recluso após o incidente. Durante a série, percebemos que o personagem principal é Sheela, a assistente, que passa a cuidar da comunidade de perto após o incidente. A ideia de mudar para outro país também foi dela, que viu no Estado laico uma oportunidade de seguir os ideais do culto sem perseguições.

Rajneeshpuram

Bhagwan em um dos rituais.​ Foto: reprodução

Cerca de 10 mil seguidores do Osho foram até o meio do Oregon em busca da “terra prometida”. Sheela planejou a mudança, a construção do rancho e administrou as finanças do local. O rasjneeshes construiram a cidade “do nada”, formando uma sociedade lucrativa e independente. Os novos moradores da região incomodaram os habitantes de Antelope, uma pequena cidade próxima ao rancho, composta por republicanos brancos que temiam pela calma da cidade por causa dos peculiares rituais da comunidade. A preocupação surgiu quando um filme sobre os rituais dos seguidores do Osho foi lançado.

O rancho acabou sendo interditado por movimentos, e a solução foi ocupar a cidade. Os rajneeshes compraram as propriedades do local e transformaram em algo próximo com a sua comunidade. Os 95 habitantes de Antelope disputaram com os fiéis o território e o sossego, mas acabaram sendo derrotados em uma votação e perderam o domínio da cidade, que passou a ser chamada de Rajneeshpuram. Quanto mais a cidade e os seguidores aumentavam, maior era a atenção dos governantes. Quando um hotel de Bhagwan foi incendiado, Sheela entendeu o ataque como uma ameaça maior e decidiu proteger a comunidade com armamento.

Violência como proteção

Sheela durante uma entrevista. Foto: reprodução

Sheela mostra seu poder e foi considerada até um símbolo feminista pela forma que se colocava nas situações, sem esconder suas pretensões e usando todos os meios disponíveis para proteger os rajneeshes. A comunidade inteira recebeu armamentos e foi à Justiça se defender das ações que estavam sendo movidas. Uma das atitudes mais extremas é quando os seguidores, comandados por Sheela, provocam um surto de salmonela, atingindo cerca de 750 pessoas. Esse acontecimento mudou a realidade da comunidade. Osho fugiu do rancho, vários seguidores foram deportados para a Alemanha, e Sheela acabou condenada a 20 de prisão por diversos crimes.

A série

Episódios bem estruturados seguram o espectador até o desfecho. A temática diferenciada atrai públicos curiosos por novas histórias. Os recortes de reportagens se encaixam e tornam os capítulos mais interessantes, apesar de serem extensos. As 6 horas de duração poderiam ser reduzidos, compilando a história para que quem está assistindo consiga assimilar com clareza, sem excesso de informações.

Ficha Técnica

Título: Wild Wild Country

Ano de produção: 2018

Estreia: 2018

Diridido po: ChapmanWay e Maclain Way

Duração: 600 minutos (6 episódios)

Gênero: Documentário

País de origem: Estados Unidos

 

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