Como o dólar influencia a vida do brasileiro?

Por Yasmim Rodrigues

A cotação do dólar é um assunto que está sempre em alta. Diariamente, saem notícias sobre as ações nas bolsas de valores e as cotações da moeda americana. Mas a maioria das pessoas não sabe, exatamente, no que a variação de preço de uma moeda estrangeira influencia a vida delas. Uma pesquisa realizada pelo JornalismoNIC, com cerca de 90 jovens entre 16 a 28 anos, mostrou que 51% dos participantes não sabiam qual era a importância direta do dólar na vida delas, mesmo que 55% destes mesmos jovens considerassem economia um assunto interessante.

“Eu não sei qual a influência da bolsa de valores diretamente na minha vida. Eu acho complicado de entender, mas gosto muito do assunto [economia], adoro aprofundar sobre sistemas econômicos”, afirma a estudante Iuli Coelho, 17. “Eu sei superficialmente qual a  importância do dólar na minha vida. Sei que ele influencia no preço da gasolina e de outros produtos importados que fazem parte do nosso dia-a-dia”, declara a estudante de Direito Vitória Magalhães, 17.

Eu acho complicado de entender, mas gosto muito do assunto [economia], adoro aprofundar sobre sistemas econômicos” (Iuli Coelho)

Para o contador, mestre em finanças e professor universitário Marcílio Nascimento de Farias, 42, o dólar americano foi visto por muito tempo como uma alternativa de investimento. Porém, com o passar dos anos, essa ideia foi sendo desconstruída, visto que se observou uma redução no valor do montante produzido. “Expurgando os efeitos da inflação, percebemos que para cada unidade monetária investida na poupança em 1968, produziu-se um montante de 1,5 em 2008. O que se observa no caso do dólar é uma redução de seu valor, ou seja, para cada unidade monetária investida no dólar, chega-se a 2018 com 0,10”, explica.

Então, para que serve o dólar?

O dólar tem a função de proteger o agente da oscilação do preço da moeda. Foto: Reprodução

 De acordo com o professor Marcílio, a grande quantidade de operações realizadas em moeda estrangeira no Brasil se justifica quando se analisa a situação de quem tem dívidas em dólar ou pretende viajar para o exterior, pois o dólar tem a função de proteger o agente da oscilação do preço da moeda. “Vejamos o seguinte exemplo hipotético: caso você tenha um dívida em dólares no valor de 1 milhão e, no momento da contratação da dívida, o dólar tenha seu valor em reais de 3,21. Sua dívida em reais será de R$3.210.000,00 e, no dia do pagamento o valor do dólar em real seja R$ 3,48, você terá uma dívida em reais de R$3.480.000,00. Isso acarreta um prejuízo de R$ 270 mil. Neste caso, para proteção desta oscilação é necessário a contratação de operação com dólar no mercado futuro para exatamente se proteger” , exemplifica Marcílio.

Segundo ele, essa situação ocorre da mesma forma para quem pretende gastar em dólares para viajar, por exemplo, mas ganham em reais. “Essas pessoas poderão ter suas compras frustradas ou pelo menos reduzidas em função da alta do dólar”, completa.

O que acontece quando o dólar aumenta ou diminui?

Ainda segundo o especialista em finanças, Marcílio Nascimento, com a alta do dólar, saem beneficiadas empresas de turismo doméstico, empresas que vendem para o mercado interno, as exportadoras e a balança comercial. Deste modo, perdem espaço as empresas importadoras, instituições que tenham dívidas internacionais negociadas em dólar e o consumidor final, o que inclui os brasileiros que vivem fora do país e aqueles que fizeram compras no exterior com o cartão de crédito.

É mais vantajoso exportar café quando o dólar está alto. Foto: Reprodução

Apesar disso, muitas pessoas não se importam com as mudanças sofridas pelo dólar, pois não pretendem viajar para o exterior e nem têm qualquer tipo de ligação direta com a moeda estrangeira. Porém, de acordo com Marcílio, um dólar mais alto representa uma economia em desequilíbrio, puxa a inflação para cima. “A verdade é que o dólar mais alto deixou o brasileiro mais pobre” afirma.

Importantes produtos brasileiros atrelados ao dólar como a soja, o café, a carne, o açúcar e o milho, com a alta do dólar, torna-se mais vantajoso para o mercado internacional exportá-los, o que faz com que eles fiquem mais caros dentro do Brasil causando o aumento do preço desses produtos. “Além disso, muitas matérias primas do país são importadas como trigo, gás e gasolina, acarretando aumento do pão, do macarrão e da gasolina, por exemplo”, explica o mestre em finanças.

A cotação do dólar influencia na vida do brasileiro muito mais do que se imagina. Por isso, é importante que as pessoas se mantenham informadas sobre a economia do seu país. “Para conscientizar as pessoas, talvez fosse interessante promover alguma campanha de esclarecimento, encabeçada por diretórios acadêmicos”, sugere Marcílio.

Segundo o especialista, as consequências do dólar alto, que passam quase despercebidas aos olhos do público, em tempos de crise, é de suma importância que esse tipo de conhecimento fique acessível a todos, pois são justamente situações como essa que trazem a tona uma velha conhecida dos brasileiros: a inflação.

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