Vazio existencial estimula mercado da autoajuda

    Por Sabrina de Souza

Nunca foi tão vendida a promessa de que, caso seja lido, ‘aquele’ livro transformará a sua vida. Na opinião da doutora em Literatura Comparada (Literatura e Cinema) Aíla Sampaio, “se a pessoa procura uma profundidade, um pensamento filosófico, questionamentos, não vai encontrar nos livros de autoajuda. A grande maioria de leitores desse tipo de literatura busca uma solução rápida e fácil”. Essa situação colabora com o sucesso dos livros de autoajuda.

Em 2017, os livros de autoajuda estão em alta. Foto: Reprodução

O balanço de vendas de livros feito pelo ‘Painel das Vendas de Livros no Brasil’ aponta que houve um aumento significativo nas vendas desse tipo de literatura entre os anos de 2016 e 2017. Em termos de volume, houve um crescimento acumulado de 4,55%, o que equivale a cerca de 1 milhão e 800 mil exemplares. A pesquisa se baseia no resultado de  verificações de vendas em livrarias, supermercados e bancas.

Em relação à ascensão desse tipo de literatura nos últimos tempos, a professora Aíla enfatiza sobre a efemeridade dos relacionamentos atuais. “Nós vivemos uma época em que as pessoas estão buscando uma resposta para esse ‘vazio existencial’, para essa insegurança que a vida moderna nos transpassa”. Segundo Aíla, o ser humano é muito subjetivo, então não há respostas objetivas para suas indagações, como pressupõem esses livros. “São muitas cobranças, e nisso entra o livro e suas respostas”, completa.

A doutora Aíla explica que a leitura é uma fonte muito importante para a formação e autoconhecimento de uma pessoa. Mas, um aluno que ainda está fazendo seu ‘acervo literário’, por exemplo, deve buscar uma melhor leitura para aprimorar seu aprendizado.

“Fórmula pronta”

Segundo a professora Aíla Sampaio, a literatura de autoajuda mostra fórmulas prontas, como se todas as pessoas fossem iguais. Ela aponta que os livros de ‘amparo’ “não são livros nocivos, mas eles ‘servem’ para quem não busca uma literatura mais complexa”. E, “essa busca por respostas leva muitos ao autoconhecimento, que é importante. Mas isso apenas ocorre se descoberto pelos questionamentos trazidos pelos livros”, alerta.

“Essa busca por respostas leva muitos ao autoconhecimento, que é importante. Mas isso apenas ocorre se descoberto pelos questionamentos trazidos pelos livros” (Aíla Sampaio)

Para a advogada Suely Ozorio, 48 anos, “banalizaram a [literatura de] autoajuda, mas existe muita coisa interessante ainda. É bom ter cuidado na seleção de autores”. A assídua leitora desse tipo de gênero acredita que se uma pessoa tem algum problema psicológico, “não é um livro que vai resolver”.

Porém, esses livros não são utilizados apenas para soluções fáceis. Segundo a empresária Joyce Pereira, 35, “não leio [autoajuda] para encontrar métodos para melhorar minha vida, mas para uma autorreflexão daquilo que o livro está transmitindo, e muitos deles têm mensagens que implicam uma reflexão profunda”.

6 livros de autoajuda mais vendidos

A ordem dos livros abaixo foi disponibilizada pela livraria Saraiva:

Infográfico: Sabrina de Souza

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