Filmes reaquecem universo dos quadrinhos em Fortaleza

Por Layo Lucena

Sílvio Roberto e sua loja Revista & CIA. Foto: Layo Lucena

O cenário dos quadrinhos, ou simplesmente HQs, tem se mantido e renovado com a influência dos atuais filmes de super-heróis. Para o proprietário da Revista & Cia, Sílvio Roberto, 66, esses longas-metragem afetam diretamente o universo econômico das HQs. “Os filmes despertam curiosidades de quem não conhece. O cinema sempre andou lado a lado dos quadrinhos”, conta o também colecionador há 60 anos.

Um exemplo disso foi a 19º longa-metragem da Marvel, “Vingadores: Guerra Infinita”, que arrecadou US$ 258,2 milhões apenas no primeiro final de semana do seu lançamento. Com esse grande mercado cultural, a indústria de HQs fechou 2017 com uma disputa acirrada entre Marvel e DC. Segundo a Diamond Comic Distributors, o primeiro lugar ficou com a HQ Marvel Legacy #1, logo atrás Dark Nights Metal #1, da DC. Tratando-se de HQs mais vendidas, a Marvel vendeu um total de 38,81% de todas as revistas em quadrinhos distribuídas pela empresa no mundo, em dezembro de 2017.

Érica Caetano Sales, 28, empresária e representante da loja Reboot Comics, da sede da Avenida 13 de Maio, afirma que “o mercado está bem aquecido, não só em Fortaleza, mas no Brasil. Tem muitas publicações, lançamentos”. Segundo Sílvio Roberto, o comércio de HQs  não tem faixa etária. “Temos clientes de 6 anos que começaram recente, como temos de 75 anos que colecionam a bastante tempo”, declara o colecionador.

Coleção de quadrinhos

 

Apenas em Fortaleza, há cinco locais de comércio de quadrinhos na cidade, entre eles a Revista & Cia, que existe desde de 1995. “O mercado dos quadrinhos está muito promissor, sempre foi. Tem muitas opções de compra, tanto em lojas virtuais quanto em lojas físicas”, afirma o proprietário da loja, Sílvio.

HQ como hobbie

Coleção de 120 volumes da história da Marvel, de Murilo Wanderley. Foto: Arquivo Pessoal

No cenário dos quadrinhos existem duas vertentes: os consumidores, formados por colecionadores, público de cinema. A outra é dos produtores, com estúdios, formação de ilustradores, vinculação com grande editoras internacionais e as produções autorais.

Muitos colecionadores começam quando crianças, mantendo o hobbie por toda sua vida. Alguns até passam seus acervos para seus filhos ou netos. O professor de matemática e colecionador Murilo Wanderley, 24, começou quando menino, no final da década de 1990. Em 2005, iniciou sua coleção de HQs e outros objetos por influência dos filmes da Marvel e da DC. “Em 2013, viajei ao Rio de Janeiro, onde comprei uma graphic novel para um amigo, pouco tempo depois, esse amigo me presenteou com o mesmo exemplar, com isso, me vi na obrigação de colecionar”, declara. Segundo Murilo, hoje sua coleção principal já dispõe de 120 volumes.

“Meu TCC teve como tema a utilização de personagens de quadrinhos na matemática”,  afirma Murilo. O professor aplica a cultura pop, especificamente de quadrinhos, em suas provas, para o aluno se sentir mais à vontade. Segundo ele, “é uma ferramenta de ensino híbrido”, que consiste em usar novas metodologias na educação.

“Meu TCC teve como tema a utilização de personagens de quadrinhos na matemática” (Murilo Wanderley)

Cenário em Fortaleza

Em Fortaleza, todo o ano é realizado a Feira Livre de Quadrinhos que é a união dos amantes da 9º arte em trocar, vender, bate-papo e conhecer mais do universo dos quadrinhos. Além disso, anualmente, ocorre o Sana, maior evento de cultura pop do Norte e Nordeste. Este é outro ponto de divulgação de quadrinhos, sempre reunindo diversas editoras em seus eventos.

JJ Marreiro, ilustrador e cartunista cearense. Foto: Campo dos Sonhos

Fortaleza também é sede do estúdio profissional de quadrinhos, a Graph It, criado em 1996. O lugar já formou 900 alunos para o mercado nacional e internacional. Dentre eles, Netho Diaz, que começou quando criança, como um passatempo. Hoje o ilustrador trabalha para DC Comics, IDW, Darkhorse e Silver Fox Comics.

Um dos fundadores do estúdio Graph It foi João Marreiro, ilustrador e cartunista. Em sua carreira, teve obras publicadas no Brasil, Estados Unidos, Europa e Oriente Médio em editoras como Trama, Abril, Panini, DC Comics, Moonstone, AK comics e instituições como Fundação Roberto Marinho e Grupo Edson Queiroz. Marreiro é criador de diversos personagens entre os quais estão Zohrn, Mulher-Estupenda, Beto Foguete e Garotas da Selva.

O ilustrador editou em 1994 “O Pergaminho”, apontado como uma das primeiras fanzines (uma publicação não profissional e não oficial, produzido por entusiastas) de RPG (Role-Playing-Game) do Brasil. João Marreiro começou a lecionar desenho e ilustrar livros em 1991 e integrou a Oficina de Quadrinhos da Universidade Federal de Fortaleza (UFC).  Além disso, um dos fundadores do Fórum de Quadrinhos do Ceará, em 2010. Coordena, ao lado do jornalista Fernando Lima, o site Laboratório Espacial.

História dos Quadrinhos

As histórias em quadrinhos, ou simplesmente HQ, é um gênero muito popular entre pessoas de todas as idades, de criança de 8 anos a idosos de 70 anos. A primeira publicação do gênero foi em 1895, produzida pelo americano Richard Outcault. Mais tarde, o gênero foi utilizado pelos jornais sensacionalistas de Nova York, a primeira publicação foi uma tirinha chamada The Yellow Kid. Atualmente, com o sucesso dos filmes de heróis, as HQs ganharam mais força.

Nas décadas de 1950 e 1960, no Brasil, eram lançados HQs de faroeste, a principal temática da época, mostrando desde cedo a força e influência do cinema nos quadrinhos.

Um comentário em “Filmes reaquecem universo dos quadrinhos em Fortaleza

  • 15 de Maio de 2018 em 09:54
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    EXCELENTE A MATÉRIA JORNALÍSTICA, MUITO BEM ESCRITA E TAMBÉM ELABORADA.
    COM FOTOS MUITO BEM FEITAS E COM UM PADRÃO NOTÁVEL DE EXECUÇÃO.
    PARABÉNS !!! LAYO LUCENA!!!!

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