Ortorexia: o outro lado da vida fitness

       Por Yasmim Rodrigues

O estilo de vida ‘’fitness’’ tem se popularizado nos últimos anos, principalmente entre os jovens. Diversos influenciadores digitais já adotaram o estilo de vida e motivam seus milhares de seguidores a fazerem o mesmo. Um exemplo disso é Gracyanne Barbosa, uma das modelos fitness brasileiras mais conhecidas, que contabiliza um total de 6,1 milhões de seguidores em seu Instagram. Porém, há um outro lado desse ‘’universo fitness’’ que poucas pessoas percebem, a ortorexia, recentemente diagnosticada pela medicina.

Gracyanne Barbosa, modelo fitness brasileira, que contabiliza um total de 6,1 milhões de seguidores em seu Instagram. Foto: Reprodução

O transtorno alimentar ocorre quando a pessoa fica obcecada com a sua dieta e passa a examinar minimamente todos os detalhes sobre o que é ingerido. Uma pessoa com ortorexia não se permite desviar das suas regras dietéticas e isso pode causar inúmeras adversidades. “O paciente fica fixado por uma alimentação saudável. A patologia pode estar ligada a outros transtornos alimentares”, explica a nutricionista Fabiana Melo, 29.

Ortorexia: sintomas e tratamentos

A nutricionista Fabiana Melo explica que um paciente ortoréxico tem diferentes formas de encarar as dietas, uns dispensam alimentos com corantes, ou geneticamente modificados, outros excluem radicalmente alimentos com açúcar, sal e gordura. Mas os motivos que podem levar ao vício são bem diversos e trazem consequências para além da saúde. “Normalmente, eles se distanciam da família e dos amigos para não receber as críticas pela fixação na dieta.” afirma.

Para tratar a ortorexia é necessário um acompanhamento de profissionais da Nutrição, Psicologia e Medicina. “Primeiramente, ele [o paciente]  precisa reconhecer que tem a doença, para que haja um tratamento e uma readaptação a uma rotina alimentar saudável de verdade.” explica Fabiana.

Mirian Bottan é uma jornalista paulista que sofreu com transtornos alimentares desde adolescente. Aos 13 anos, a jovem desenvolveu um quadro de bulimia que a acompanhou até os 26 anos. Porém, no processo de cura da bulimia, Mirian desenvolveu ortorexia, transtorno que a acompanhou por mais um ano. “Ortorexia pode ser desencadeada por outros transtornos alimentares, desnutrição ou exclusão social”, afirma a nutricionista Fabiana. Atualmente, a jornalista tem um blog para ajudar e apoiar as pessoas que sofrem com transtornos alimentares.

 

Ser fitness e ser saudável

A vida fitness pode trazer bons resultados, desde que acompanhada por um nutricionista. “Comecei a fazer dieta acompanhado por um nutricionista do esporte, porque só os treinos não estavam mais dando resultado”, afirma o estudante Juliano Santos, 18. “Eu acho importante ter alguém te acompanhando. Esse estilo de vida pode viciar sim, porque quando você vai vendo os resultados, você quer se superar e melhorar cada vez mais”, completa.

“A pessoa fica obcecada com a sua dieta e passa a examinar minimamente todos os detalhes sobre o que é ingerido”. Foto: Reprodução

Para a também estudante Vitória Lira, 18, a dieta começou a ser feita para ganhar peso, pois ela não estava satisfeita com a perda que estava sofrendo por comer pouco e não sentir fome. “Eu faço acompanhamento nutricional, acho muito importante. O profissional estudou para aquilo, ele pode fazer planos personalizados. É necessário que seja um bom nutricionista, que não te dê só uma dieta de gaveta”. Segundo ela, é essencial que as consultas sejam completas. “Fazer todos os exames, ver como está o seu sono e o seu emocional é muito importante. Quando o profissional é bem capacitado você não vai receber uma dieta já pronta” afirma.

A estudante também concorda que o estilo de vida fitness pode ser viciante. “Conheço pessoas que mudaram da água para o vinho. Muitas pessoas não têm equilíbrio e ao começar a ver resultados se deixam levar”, conta. Para Vitória,  há dois tipos vícios: o estético e o da saúde. “Há pessoas que ficam viciadas e não saem mais para comer uma pizza porque não querem engordar, mas também há quem não queira comer nada fora da dieta por medo de ficar doente”, alerta a estudante. “Na verdade, é muito fácil disso acontecer, aconteceu comigo antes de começar a fazer o acompanhamento, eu achava que eu não podia comer nada porque tudo ia me fazer mal”, completa.

Para a nutricionista Fabiana Melo, tudo em excesso pode trazer malefícios “É necessário um estado de equilíbrio, o correto sempre será a reeducação alimentar.” “Fitness é um estilo de vida, não é vício”, aconselha Vitória Lira.

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