A poesia transformadora de Bráulio Bessa

Por Melissa Carvalho

Eu nasci no interior

Nunca neguei a ninguém

A terra que a gente vem

Merece todo amor

Lá sorri e senti dor

Lá eu fui feliz demais

E sempre que olho pra trás

Quero voltar sem ter freio

Porque quem esquece de onde veio

Não sabe pra onde vai

E foi de lá

Lá do meu Alto Santo

Que escrevi meus primeiros versos

E que eu disse

Quanto mais sou nordestino

Mais tenho orgulho de ser (…)”

Com esse poema sobre ser nordestino, o escritor Bráulio Bessa abriu sua palestra “Matuto, sim. Besta, não”. O evento ocorreu no último sábado (5) e encerrou a 5° edição da Feira de Profissões da Universidade de Fortaleza (Unifor). A poesia transformadora do cearense de Alto Santo lotou o Teatro Celina Queiroz. Com muito humor, Bráulio palestrou para jovens e adultos sobre a importância de sonhar, além de falar sobre sua infância e os caminhos que escolheu até conseguir lançar seu livro.

O primeiro contato de Bráulio com a poesia aconteceu quando conheceu a obra de Patativa do Assaré em um trabalho escolar. O escritor acredita que a influência da educação e da cultura foram fundamentais em sua vida pessoal. Ver que Patativa, além de falar de temas como saudade e amor, tinha um poder social por meio de seus textos quando abordava sobre corrupção, seca e desigualdade, transformou Bráulio. O poeta foi motivado pela força das palavras. “Em um dia, meu sonho era usar camiseta de marca e ter um videogame. No outro dia, meu sonho era ser escritor e lançar um livro. Tudo isso graças à educação, à aproximação da criança com a literatura”, declara.

Teatro Celina Queiroz lotado durante a palestra de Bráulio Bessa. Foto: Ares Soares

No ensino superior, o escritor começou o curso de Análise de Sistemas, mas desistiu no último semestre e resolveu se dedicar à poesia, em busca da sua felicidade. A faculdade aproximou Bráulio da tecnologia, que viu ali uma oportunidade para mostrar sua arte. O poeta começou a gravar vídeos por considerar que “o poder da poesia falada era muito maior do que a escrita”. Apesar de ganhar visibilidade com os vídeos, Bráulio não conseguiu nenhum retorno das editoras que entrou em contato. “Eu só precisava de atenção. Eu me senti muito invisível”, lembra. A falta de atenção das editoras acabou se tornando um estímulo para o poeta, que recebeu várias mensagens de pessoas que foram influenciadas pelo vídeo sobre uso de drogas. “Eu vou fazer a minha poesia do meu jeito”.

“Eu vou fazer a minha poesia do meu jeito” (Bráulio Bessa)

Oportunidades

Bráulio Bessa conta sua trajetória na palestra “Matuto, sim. Besta, não.” Foto: Ares Soares.

A grande oportunidade de Bráulio chegou por um email, que a princípio achou que era um spam, quando o programa Encontro com Fátima Bernardes entrou em contato para uma participação de cinco minutos. “A chance da minha vida de ser visto”, afirmou. Por não ter retornado o email dentro do prazo, o escritor quase perdeu a chance. Mas depois de ligar para a produção, conseguiu uma conversa com a Fátima Bernardes ao vivo no programa, via Skype. A pequena aparição resultou em outras participações e, em pouco tempo, Bráulio se tornou “especialista em gente” do Encontro. Porém, ainda não era contratado e não tinha mostrado o que realmente sabia fazer. “Eu me senti muito covarde com a minha arte, com o meu sonho, com a missão que eu sempre acreditei que eu tinha”, admite.

Na primeira vez que Bráulio declamou um poema ao vivo, recebeu retorno de vários telespectadores e conseguiu chamar atenção dos diretores da emissora. Atualmente, o escritor apresenta semanalmente o quadro “Poesia com rapadura” dentro do programa Encontro. No início, o quadro só ajudava a atrair atenção das editoras, porém as diferentes reações à sua poesia mostraram que Bráulio tinha um papel social. Depois de três anos no programa, o poeta conseguiu lançar seu livro e falar de diversos assuntos, como suicídio, abuso sexual e vingança. Bráulio se descobriu como um “empreendedor social” e passou a palestrar sobre a sua trajetória.  “Não é fazer poesia por fazer. É falar sobre temas transformadores para milhões de pessoas, através da linguagem poética”, declara.

“Não é fazer poesia por fazer (Bráulio Bessa)

Box: Melissa Carvalho
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