Rugby vence crise, porém cenário não alcança todo o país

     Por Layo Lucena

Apesar do momento de crise do País, um esporte consegue desafiar esse cenário, o rugby. A Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) atualmente conta com apoio de 16 patrocinadores, aumentando a sua arrecadação de R$6,9 milhões em 2014 para R$10,3 milhões na temporada de 2017. A modalidade ultrapassou o número de patrocínios do futebol, vôlei e judô, de acordo com dados da própria CBRu. O rugby surgiu no Brasil em Salvador, no século XIX, por influência do Império Britânico. Hoje, o Brasil tem 11 mil jogadores federados, 300 clubes e mais de 60 mil praticantes da modalidade.

Time cearense de rugby. Foto: Divulgação

A entidade conseguiu aumentar seus recursos em momento em que todos os outros tiveram cortes significativos de verbas. Porém, esse cenário positivo é concentrado apenas no Sul e Sudeste do Brasil. Sem federação estadual reconhecida, muitas equipes no resto do país vivem situações complicadas em seu dia a dia. “Diante desse abismo que se gera, nos resta tentar desenvolvermos o rugby com recursos próprios bem limitados”, declara Elias Rêgo, treinador dos Tubarões Rugby Fortaleza, 32. Segundo ele, a equipe se mantém com apoio dos próprios atletas. “Para viajarmos, precisamos fazer rifas e até pedir doações em sinais”, afirmou o treinador.

“Diante desse abismo que se gera, nos resta tentar desenvolvermos o rugby com recursos próprios bem limitados” (Elias Rêgo

O estudante de Educação Física e atleta do Tubarões Rômulo Ferreira, 21, afirma que “a falta de investimentos por parte do Governo – municipal e estadual – dificulta [o funcionamento de] todos os times cearenses, que passam praticamente o ano inteiro esperando por uma competição, que nem sempre é viável por conta dos gastos”. Segundo ele, essa situação dificulta até encontros amistosos entre as equipes.

De acordo com o atleta, “faltam incentivos para a prática, faltam locais apropriados, faltam políticas públicas que valorizem a imagem para a modalidade. Outro ponto é a falta de interesse da CBRu em atuar e promover o esporte fora do Sul e Sudeste, que nos deixa ‘apagados’ no contexto nacional do rugby”. Ainda para Rômulo Ferreira, essa falta de “olhar público e midiático” afasta investidores, patrocinadores, apoiadores e até mesmo atletas e público.

A falta de federações

Logo da Confederação Brasileira de Rugby. Foto: Reprodução

Outro problema importante para o esporte é falta de federações oficiais. Em apenas seis estados brasileiros existem federações estaduais reconhecidas. Isso significa que nenhum jogador de clubes do Espírito Santo e das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste pode chegar à seleção brasileira, assim como não há disputa nacional do campeonato. Uma vez que não há clubes nessas regiões, as equipes do Sul e Sudeste não precisam fazer viagens longas, o que reduz o custo da confederação com os torneios.

Atualmente, se um clube fora desses seis estados aspirar chegar ao nível nacional, a equipe terá que criar uma federação que cumpra uma série de requisitos administrativos e esportivos, entre eles realizar estaduais com quatro equipes masculinas e quatro femininas, conseguir, junto ao poder estadual, uma declaração da entidade de utilidade pública.

Depois que toda a documentação necessária for juntada, ela é apresentada à Confederação, que tem seis meses para fazer uma auditoria e checar se as informações são verdadeiras. Em uma última etapa, o Conselho Administrativo precisa aprovar a federação. Um processo que não leva menos do que três anos. Além disso, a equipe tem que encontrar formas de incentivar a criação de outros clubes no estado. Como se observa, quase nenhum estado conseguiu vencer a barreira da burocracia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php