David Albuquerque: um cearense que acreditou no futebol americano

Por Layo Lucena

Matéria do Diário do Nordeste sobre o Futebol Americano em Fortaleza David Albuquerque no centro e Diego Lima a esquerda. Foto: Arquivo Pessoal

Um dos primeiros a ter contato com o futebol americano em Fortaleza foi David Albuquerque, 33, professor de Filosofia e ex-atleta. Em 2002, David fazia parte de um grupo de amigos que se reuniam para jogar RPG (Role Playing Game), estilo de jogo de muito sucesso até hoje em que as pessoas interpretam seus personagens, criando narrativas, histórias e um enredo guiado por elas. O grupo que jogava junto RPG se transformou mais tarde nas figuras mais importantes para o futebol americano local, como Diego Lima, Felipe Ribeiro, Tiago Barroso.

Os primeiros encontros do grupo aconteceram no bairro Montese, onde começaram a praticar uma mistura despretensiosa de rugby com futebol americano. “Na época, o grupo era composto por jovens de 15 a 20 anos”, afirmou David Albuquerque. Conta que o grupo alugava um campo de futebol para as partidas. O ex-atleta era um dos mais ativos no grupo que depois formou o Ceará Cangaceiros, um dos times mais antigos do Nordeste.

Ceará Cangaceiros

Albuquerque declarou a dificuldade encontrada para praticar um esporte pouco conhecido no Brasil: “era muito difícil ser levado a sério no campo, pois os times do ‘racha’ (futebol amador) chegavam e faziam pressão para que o dono cortasse o nosso tempo. Além do escárnio público, a gente ouvia muitas ofensas, éramos xingados”. Apesar do início difícil, a equipe se manteve unida por meio da amizade. Isso, segundo David, foi fundamental para que dentro de pouco tempo criassem o time Ceará Cangaceiros.

No começo, o grupo não tinha equipamentos para a prática da modalidade. “Naquela época, usávamos uma bola de brinquedo para crianças de 10 a 12 anos, mas era o que a gente tinha”, revelou o ex-atleta. De acordo com ele, os amigos tentaram (em vão) comprar várias vezes bolas de nível profissional, porém a situação continuou. Na época, o time tinha o nome de Ceará Ents, em homenagem a obra do Senhor dos Anéis. “Mais para a frente, com minha sugestão, passamos a nos chamar Ceará Cangaceiros”, relatou o ex-jogador.

Equipe do Ceará Cangaceiros. Foto: Reprodução

Segundo ele, os próprios membros buscavam a imprensa para divulgar o time e o esporte, “houve matérias no Diário do Nordeste, Tv União, Tv Cidade, depois de um tempo Verdes Mares, [além de atletas] nós precisávamos ser a assessoria de imprensa”. De acordo com David, a divulgação foi uma das principais dificuldades.

O ex-atleta chegou a ser convidado a fazer parte da comissão técnica da primeira seleção de futebol americano brasileira em um amistoso contra o Uruguai, mas, por motivos econômicos, não pode comparecer. “Nessa época, fui um dos criadores da primeira lista de e-mails de futebol americano em todo o Brasil” , revela o ex-atleta.

De acordo com David, a equipe não atraía muito público. Com isso, alguns membros da equipe decidiram mudar termos utilizados para facilitar a compreensão dos torcedores. “Nós sabíamos que tínhamos um público que teria muita dificuldade de assimilar um esporte estrangeiro”, relata.

Fim da trajetória no esporte

No final de sua trajetória no esporte, David assumiu o cargo de primeiro presidente da Associação Nordestina de Futebol Americano (ANEFA). Logo depois, foi  um dos idealizadores do primeiro campeonato nordestino de futebol americano, que aconteceu no campo da FIC Via Corpus, reunindo times de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Mais tarde, foi realizado uma simulação entre Ceará Cangaceiros e Dragões do Mar, no estádio Castelāo, no intervalo do clássico entre Ceará e Fortaleza.

Em uma de suas várias viagens, Oros. Foto: Arquivo Pessoal

“Estava há quase uma década à frente de vários projetos. Muito tranquilamente encerrei a minha participação na modalidade  e nunca mais tive vontade de voltar. Já estava bem desgastado”, revelou o ex-atleta. Segundo ele, não conseguia conciliar seus trabalhos: era treinador, jogador, presidente do Ceará Cangaceiros e presidente da ANEFA. Em 2008, David se despedia do futebol americano. “Minha missão havia sido cumprida”, conta.

Após sair do cenário esportivo, o professor fez diversas viagens. Uma delas foi feita com dois amigos, no qual o grupo foi de Fortaleza até o interior de Goiás, depois até interior de São Paulo apenas de bicicleta, a viagem durou 4 meses. “Devo ter mochilado, ao todo, 17 países”, afirma o professor. Em 2009, formando um grupo de 10 pessoas, David visitou Bolívia, Argentina, Uruguai e Paraguai e alguns outros países europeus.

Carreira e vida acadêmica

Além de sua carreira no futebol americano, o professor trabalhou em vários colégios e Organizações Não-Governamentais (Ongs) de Fortaleza. Trabalhou dando aulas de inglês do ensino infantil até o ensino médio, como professor de História e Filosofia na rede Agnus, São Tomás de Aquino, colégio Rosa Gatorno e no Padre Andrade. 

Atualmente, o professor faz mestrado de Educação Brasileira na Universidade Federal do Ceará, onde pesquisa a crítica marxista do direito e na educação. “Termino o mestrado no segundo semestre de 2018. Logo depois, pretendo fazer doutorado em Filosofia”, declara. David e sua namorada Karine de Moraes e Silva, 21, possuem o objetivo de se tornarem, futuramente, professores em universidades públicas.

Um comentário em “David Albuquerque: um cearense que acreditou no futebol americano

  • 15 de maio de 2018 em 11:51
    Permalink

    EXCELENTE MATÉRIA JORNALÍSTICA SOBRE ESSE ATLETA. MUITO BEM DESENVOLVIDA E
    TAMBÉM BASTANTE ELABORADA.
    PARABÉNS !!! LAYO LUCENA!!!

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php