Indecisão profissional e seus efeitos

Por Letícia de Medeiros

A escolha da profissão é um processo que envolve o que fazer, quem ser e qual a sua posição no mundo por meio do trabalho, como diria Bohoslavsky, autor do livro “Orientação Vocacional: a estratégia clínica”. Essa decisão acompanha suas dificuldades e pressões. O que dificulta é a pressão imposta nos jovens, para que seja feita com antecedência. “Com as novas diretrizes do Ensino Médio, as escolhas foram mais antecipadas” afirma o coordenador de cursinho pré-universitário Armênio Vitoriano, 47.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Jornalismo NIC, com aproximadamente 220 jovens de 16 a 21 anos, 76% deles já se sentiram pressionados a fazer sua escolha profissional previamente. “Adolescentes estão começando a trazer questionamentos desde cedo. Essa escolha é um momento tenso, escolher e acertar de primeira é mais difícil ainda. Porém não é algo para a vida toda, é necessário que os jovens entendam isso”, afirma psicopedagoga Ruth Guerra, 48.

Quesitos que jovens mais sentem medo para se decidir.

O que move a dúvida dos jovens

Com a variedade de profissões, jovens se sentem ainda mais confusos. Foto: Reprodução

Além da pressão imposta pela família e escola, existem outras questões pelas quais os jovens passam. O que colabora também para a dúvida, é a sensação de imaturidade para realizar essa escolha. “Não sinto que sou madura o suficiente ainda para realizar uma escolha tão grande. Estou em uma situação que se eu falhar, poderá refletir na minha vida posteriormente”, desabafa a estudante pré-universitária Camila Fontenele, 17.

A psicopedagoga Ruth acredita que outra questão pode ser a maturidade de cada um para decidir algo que eles acreditam ser para a vida toda, pois todos tem o seu tempo. “Nem todo mundo é capaz de traçar a sua vida inteira com 17 anos, e está tudo bem. Sempre digo aos meus pacientes serem fiéis e verdadeiros a eles, porque isso pode ajudar mais na tensão de sair da escola e viver outra vida”, disse. Por outro lado, o professor Armênio Vitoriano acredita que a maturidade vem por outro aspecto. “Existem ainda mais dúvidas de escolher a carreira por imaturidade. Os jovens de hoje apresentam maior conhecimento virtual e menos conhecimento real, vivencial”, afirma.

A decisão por benefício econômico

Jovens se sentem pressionados por familiares para escolher algo com retorno financeiro. Foto: Reprodução

Uma das maiores queixas dos indecisos é exatamente o medo do curso escolhido não dar tanto lucro quanto outros que são conhecidos por bons salários. “Em momentos de crises econômicas, a tendência é a escolha de carreiras mais tradicionais e de menor risco de ganhos financeiros. Tento mostrar para os alunos que sempre será mais fácil se destacar e ganhar mais fazendo algo de que se goste”, diz Armênio Vitoriano. “Adolescentes se sentem na obrigação de escolher algo que lhe dê, por garantia, uma estabilidade financeira”, completa.

Alunos deixam de realizar sonhos profissionais por medo de serem frustrados financeiramente e não conseguirem se manter. “Se fosse para me basear no que eu realmente quero, trabalharia com algo relacionado a Arte, porém, tenho medo de não me sustentar com isso. Prefiro levar em consideração fazer algo que me dê mais dinheiro”, diz a estudante Camila Fontenele.

Em contrapartida, profissionais apontam que a falta de realização naquilo que faz pode gerar insatisfação psicológica. “Não adianta trabalhar naquilo que não gosta, pessoas fazem da busca por dinheiro seu objetivo principal e se realizam cada vez menos. Dinheiro não pode ser a única condição que te move”, declara Ruth Guerra.

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