Hey Jude, 50 anos do sucesso dos Beatles

Por Letícia Feitosa

Os Beatles se consagraram como a banda que revolucionou a história do rock. O grupo, formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, entrou na lista das 100 pessoas mais importantes e influentes do século XX, feita pela revista Time, em 1999. O quarteto de Liverpool, como também eram conhecidos, emplacou diversos sucessos durante os anos 1960 e, até hoje, já vendeu mais de um bilhão de discos ao redor do mundo. A canção “Hey Jude” é um dos maiores sucessos da banda e, em 2018, completa 50 anos de seu lançamento.

A música, escrita por Paul McCartney, começou a ser ouvida pelo público em 1968, quando apareceu no Lado A do single Hey Jude/Revolution. “Hey Jude” foi o primeira música a ser lançado com o selo da Apple Records, empresa fonográfica fundada pelos Beatles, em 1968. No final deste ano, o grupo vendeu mais de 5 milhões de cópias. Em 2001, a canção se eternizou no Hall da Fama do Grammy, um dos mais prestigiosos prêmios da indústria musical, e, em 2004, a Rolling Stone a elegeu como a 8ª melhor música de todos os tempos.

 

Há muitas especulações para o que inspirou Paul a compor “Hey Jude”. A verdadeira história foi publicada no livro “The Beatles – A História Por Trás de Todas as Canções”, do jornalista musical Steve Turner.

História

No final dos anos 1960, John Lennon e a sua esposa da época, Cynthia, estavam em viés de separação. John tinha começado um romance com uma artista plástica, Yoko Ono. Os dois foram morar juntos em um apartamento no centro de Londres, enquanto Cynthia e Julian Lennon, filho do casal, viviam em Weybridge, na Inglaterra. Como um ato de solidariedade à ex-mulher e ao filho de Lennon, Paul viajou para visitá-los.

John Lennon, Julian Lennon e Cynthia. Foto: reprodução

Paul McCartney era muito próximo de Cynthia e de Julian, que estava com cinco anos na época. O artista saiu de carro, levando uma rosa vermelha, até a casa dos dois. No trajeto, enquanto pensava no futuro incerto de Julian, Paul começou a improvisar uma possível letra para o que viria a ser a canção “Hey Jude”. De início, a faixa era nomeada “Hey Julian”, mas logo foi encurtada para “Hey Jules”. Nos primeiros versos compostos, Paul entonava, “hey Jules, don’t make it bad. Take a sad song and make it better” (“ei, Jules, não fique mal. Pegue uma canção ruim e torne-a melhor”).

Paul segurando Julian no colo. Foto: reprodução

Após um tempo, quando foi desenvolver melhor a canção, Paul trocou Jules por Jude. Os motivos dessa troca de nomes ainda são incertos. “Como filho de mãe católica, será que talvez também tivesse conhecimento de que São Judas (St. Jude) é o padroeiro das causas impossíveis, para quem os devotos rezam quando parece não haver saída?”, se questiona o jornalista Steve Turner quanto à escolha da palavra Jude.

Porém, a música ser uma mensagem ao filho de John Lennon não é algo central. Aos poucos, a canção se torna menos específica. O verso “You are made to go out and get her” (“Você foi feito para ir lá e conquistá-la”) pode ser direcionado ao seu colega John, como uma motivação para o seu romance com Yoko. “Hey Jude” também pode ser para o próprio McCartney, sendo um hino de encorajamento para a quebra de laços entre os Beatles.

Em 1987, Julian Lennon e Paul McCartney tiveram uma conversa em Nova York e a verdadeira inspiração de Paul para a canção foi, enfim, confirmada. “Ele me disse que vinha pensando nas circunstâncias da minha vida naquela época, sobre o que eu estava passando e o que eu ainda passaria no futuro. Paul e eu andávamos muito juntos, mais do que eu e meu pai”, compartilhou Julian para Steve Turner.

“Paul e eu andávamos muito juntos, mais do que eu e meu pai” (Julian Lennon)

 

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