Tatuagem pode influenciar conseguir vaga no mercado

Por Thomás Regueira

Segundo o pesquisador americano Derick Laumann, em 2006, cerca de 25% da população adulta dos Estados Unidos tinha alguma tatuagem. No Brasil, ainda não há dados a respeito, mas em cidades grandes é possível ver que a prática é bem popular devido à facilidade em encontrar pessoas tatuadas nas ruas. Hoje, as tatuagens são feitas como uma forma de externalizar algo pessoal, exprimir um significado forte para a pessoa e até mesmo servir como uma forma de acessório. Assim como um estilo de cabelo ou uma maquiagem, a única diferença é que vai estar sempre lá, a não ser que se adote algum procedimento para remoção.

A tatuagem externaliza algo pessoal. Foto: Dienifer Reis

Apesar disso, ainda hoje os tabus persistem, principalmente entre pessoas de ideais mais conservadores e até no mercado de trabalho, entre algumas empresas. Existe também a ideia de que para seguir determinada carreira profissional, a pessoa não pode ter tatuagens ou qualquer modificação corporal que não se enquadre no “padrão”, é o caso de advogados, bancários, entre outros.

Caroline Couto Schmidt, 32, foi tentar uma vaga para “o emprego dos sonhos”, segundo ela na época. Porém, soube que não ia ser contratada porque a pessoa que lhe indicou para a vaga disse que a dona da empresa ficou com medo da tatuagem no seu braço, além de seu cabelo que, na época, era colorido. “Fiquei muito frustrada em saber que um emprego que eu tanto queria tinha sido me tirado por algo que eu tanto amava. Foi um dos únicos momentos em que me arrependi de tatuagens minhas, pensei durante dias como seria se eu não as tivesse, como teria sido se tivesse conseguido a vaga”. Depois do ocorrido, Caroline acabou conseguindo um emprego de mais tarde abriu a própria empresa.

“Fiquei muito frustrada em saber que um emprego que eu tanto queria tinha sido me tirado por algo que eu tanto amava” (Caroline Schmidt)

Karoline Coutinho, 32, foi outra que deixou de ser contratada por ser tatuada. “Nunca tinha passado por esse tipo de situação. Não me senti mal em momento nenhum, muito pelo contrário. Senti pena e fiquei chocada em como ainda tem pessoas e empresas com esse tipo de pensamento tão ultrapassado. Não me arrependi de ter feito minhas tatuagens. Todas têm um significado pra mim e foram feitas em momentos diferentes e únicos da minha vida”, relata. A reportagem do Jornalismo NIC entrou em contato com o estabelecimento para falar sobre o ocorrido e se existia alguma norma da empresa sobre funcionários não poderem ser tatuados. Em resposta, disseram não ter conhecimento da situação.

Não empregar alguém por causa da tatuagem pode ser considerado discriminação. Foto: Dienifer Reis

Mas há empresas que escolhem tatuados. No artigo “Visual Corporativo: A Influência da Tatuagem na Carreira Profissional”, de Fábio Oliveira Pedro e Helder de Souza Aguiar, eles explicam que existem empresas que declaram preferência por funcionários que sejam tatuados ou considerados “pessoas alternativas”, na tentativa de agradar e atrair um público específico. Segundo a atual Constituição Federal, no art.3, um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, entre elas está a discriminação de pessoas com tatuagem.

 

O surgimento da tatuagem

Esta prática de pintar o corpo começou a ser utilizada há muito tempo entre os indígenas e os aborígenes, que pigmentavam a pele para indicar status sociais, pertencimento a uma tribo e até significados mitológicos e espirituais. Com o tempo, essa tradição foi disseminada no meio urbano, porém com conotações negativas. Por exemplo, aqueles que usavam tatuagens eram pessoas de baixa escolaridade e criminalizados. Mais tarde, também ficou associada com a anarquia e rebeldia, assim como com a marginalidade.

Box: João Victor Prado

 

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