Aumenta interesse dos brasileiros pela cultura latina

Por Newton Cordeiro

Em 2017, “Despacito”, de Luis Fonsi, ocupou por quinze semanas o topo da Billboard. Foto: Reprodução

Se hoje a língua espanhola está cada vez mais familiar e aceita pelos brasileiros na música e nas artes cénicas, nem sempre foi assim. Por muito tempo, nas rádios de música pop e em clubes de dança, apenas o inglês tinha vez. Era raro uma música latina tocar e se popularizar entre o público. Porém, essa realidade está mudando. Com a posição de segunda língua mais falada do mundo, atrás apenas do chinês, o espanhol é hoje utilizado por mais de 500 milhões de pessoas ao redor do mundo e língua oficial de 23 países.

“A medida que o trabalho de grandes ídolos da América Latina, o público também foi cada vez mais estimulado a querer dançar na balada. A aposta do ano é o reggaeton, tenho certeza que o estilo só irá crescer daqui pra frente”, analisa a Dj Carina França, que também comenta a força da internet em divulgar esses artistas. Para ela, a popularização do reggaeton foi algo espontâneo e pedido pelos próprios frequentadores de bares e boates, que com a popularização aguçou ainda mais o público a querer consumir e difundir o ritmo.

Seguindo essa perspectiva, Anitta é uma das que já aderiram ao movimento de latinização de seus trabalhos no Brasil e tem colhido os frutos pelo investimento nos hermanos. Com os últimos quatro singles em espanhol, a cantora faz sucesso nas paradas musicais da América Latina.

Infográfico: João Victor Prado

Escola de idiomas

Escolas de indiomas se beneficiam do interesse dos brasileiros pelo espanhol. Foto: Reprodução

A professora de Espanhol, Naziane Lira, sente que o interesse dos brasileiros em aprender a língua dobrou nos dois últimos anos. “As pessoas estão buscando aprender, seja para viajar, trabalhar ou até mesmo pela curiosidade em aprender outra língua que não seja o inglês. Estamos cada vez mais sentindo a necessidade de apreender o idioma falado pelos nossos vizinhos”, argumenta Naziane. A professora também atenta para o fato do conhecimento ainda ser uma porta para abrir novas portas no mercado de trabalho.

Para ela, houve uma grande evolução. “Lembro que há 20 anos não tínhamos sequer material didático acessível aos estudantes de Espanhol. Hoje, está muito mudado, quase não vemos aquele preconceito com a língua espanhola. Temos acesso a uma grande variedade de músicas, séries e livros no idioma. Por exemplo, muitos alunos sentem curiosidade em aprender por causa da série ‘La Casa de Papel’, da Netflix. No ano passado, tivemos a febre do Despacito”, relata.

Empresas de viagem

Quando o assunto chega às empresas de viagens, o aumento do interesse dos brasileiros pelos países latinos também é sentido. Para a responsável do marketing da Agência CVC Fortaleza, Juliana Lage, os destinos sul-americanos e de língua espanhola já competem de maneira igual na hora do cliente escolher o destino. Segundo ela, essa demanda pode ser explicada também pela proximidade territorial entre os países, a similaridade entre as línguas e as muitas vezes não obrigatoriedade do visto. Outro fator a ser considerado é o câmbio, com o dólar valendo R$ 3,46, e o euro, R$ 4,25, é mais viável fazer compras e passear por países com sua própria moeda, como a Bolívia e o México, e de valor mais próximo ao do real, caso da maioria de países da América do Sul, que se aventurar a moedas mais fortes. Juliana fala que um dos destinos preferidos pelos brasileiros atualmente é o Caribe.

No âmbito econômico os laços também estão mais estreitos com esses países. No ano de 2017, Argentina, Uruguai e Colômbia foram essenciais para o Brasil, movimentando de maneira intensa a balança de importações e exportações entre a América do Sul e América Central. Tendo o Brasil, como maior país em extensão territorial e o mais forte na economia global, o país viu um aumento de 10% no número de acordos firmados entre os países desse bloco no último ano, um recorde em cinco anos. Os setores que tiveram mais destaque foram os do agronegócio e venda de automóveis.

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