A vida de quem precisa de um ídolo para chamar de seu

Por Thomás Regueira

Fanatismo (do francês “fanatisme“) é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema. Assim surgiu a palavra “fã”, da abreviatura do inglês fanatic, que significa “fanático”. Os fãs são pessoas dedicadas a expressar sua admiração por uma pessoa, grupo, ideia, esporte, etc. Embora eles geralmente não costumem ser definidos como fanáticos, porém, alguns chegam a ser tão obcecadas por alguém ou algo, que chegam a fazer várias loucuras, como passar horas em pé na fila de um show ou, até mesmo, cometer um crime, como no caso do assassinato do membro da banda The Beatles, John Lennon, morto por um fã obcecado pelo seu ídolo.

Segundo a psicóloga Geórgia Camurça, 48, o processo de se tornar fã é feito de forma inconsciente, é como se fosse projetar símbolos heróicos nos ídolos para adquirirmos algo que possa ser integrado na personalidade. Isso ocorre quando o ego precisa se fortificar e acaba se aproximando de fontes de energia inconsciente, por isso a identificação das crianças com seus heróis e heroínas (incluindo princesas) e dos adolescentes com os ídolos (atores, cantores, mestres, etc).

Geórgia afirma que isso afeta de maneira positiva a vida de alguém, mas é prejudicial quando há alienação nesse processo. “Quando, através da identificação com o ídolo, há um reconhecimento e afirmação de características suas projetadas nele, é afirmado o que de fato somos e precisamos fortalecer em determinado momento de nossa vida. É prejudicial quando ficamos apenas na projeção sem fazermos o processo de introjetar. Apenas seguimos inconscientes, o que ocorre no fanatismo”.

“É prejudicial quando ficamos apenas na projeção sem fazermos o processo de introjetar” (Geórgia Camurça)

Eduarda Castelar. Foto: arquivo pessoal

Eduarda Castelar, 19, estudante de Psicologia, era muito fã da cantora e atriz estadunidense, Selena Gomez, durante a sua infância e no começo da sua adolescência. “Ela representava muito para mim. Eu tava meio que entrando na adolescência e me separando dos meus pais. Porque, quando a gente é pequeno, nos voltamos muito para eles, mas quando a gente vai crescendo, tiramos esse vínculo que tínhamos. Com isso, acabei colocando nela todo esse amor e energia”, fala.

A estudante conta que se inspirava muito na cantora para lidar com problemas pessoais, pensava no que a artista faria nessas horas. No dia que ela veio fazer um show no Brasil, Eduarda conseguiu convencer seus pais a comprarem o ingresso e viajar para o Rio de Janeiro, apesar do preço elevado. “Eu fiz tudo! Blusa, personalizei um ursinho com o nome dela, fiz cartinha, comprei pulseira, tudo, tudo, tudo. Lembro que o show era mais ou menos umas 18h. Cheguei no Rio um dia antes, aí eu acordei, tomei café da manhã e fui pra fila. Consegui convencer meu pai a ir pra fila, e ficamos lá de manhã até de noite, quando abriram os portões. Na época foi algo muito importante pra mim, hoje ainda é, assim que eu vi ela chegando eu pensei ‘meu deus ela é de verdade’, passei a ver ela como pessoa, deixou de ser algo idealizado e se tornou algo real pra mim. No outro dia eu voltei pra Fortaleza”, relembra o sonho realizado.

“Acabei colocando nela todo esse amor e energia” (Eduarda Castelar)

O perfil dos fãs

De acordo com uma pesquisa feita pelo Jornalismo Nic com 22 pessoas, por meio da ferramenta Google Forms, cerca de 45% das pessoas que responderam o formulário já foram tão fãs a ponto de serem obcecadas e 82% já compraram peças de roupa, pôsteres, revistas e acessórios referentes à algo ou alguém. Mais da metade dos entrevistados já passaram horas em pé em uma fila para ir a um show, tirar uma foto e ganhar um autógrafo do ídolo. Quase todas disseram que não se arrependeram.

1 - Comprar CDs e DVDs 2- Comprar peças de roupa e acessórios (camisas, tênis, pulseiras…) 3 - Ter posters ou quadros no quarto ou casa 4 - Ir em shows, mesmo que não seja na sua cidade 5 - Esquecer da vida para maratonar séries e filmes 6 - Fez amizade com pessoas que gostavam das mesmas coisas que você 7 - Enfrentou uma fila imensa para tirar uma foto e pegar autógrafo de alguém 8 - Acampou durante horas/dias para conseguir um bom lugar no show ou ser o primeiro a chegar

1 – Comprar CDs e DVDs
2- Comprar peças de roupa e acessórios (camisas, tênis, pulseiras…)
3 – Ter posters ou quadros no quarto ou casa
4 – Ir em shows, mesmo que não seja na sua cidade
5 – Esquecer da vida para maratonar séries e filmes
6 – Fez amizade com pessoas que gostavam das mesmas coisas que você
7 – Enfrentou uma fila imensa para tirar uma foto e pegar autógrafo de alguém
8 – Acampou durante horas/dias para conseguir um bom lugar no show ou ser o primeiro a chegar

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