Centenário de vida: Nelson Mandela

      Por  Sabrina de Souza

Símbolo de luta e combate à desigualdade racial, Nelson Rolihlahla Mandela completaria em 2018 seus 100 anos . O centenário é lembrado em memória de suas realizações enquanto líder ativista e presidente da África do Sul. Mandela foi condenado à prisão perpétua, e, após sua soltura, recebeu o “Prêmio Nobel da Paz” pela sua batalha contra o apartheid. Recebeu também outros prêmios de honra, como “Ordem de St. John”, da rainha Elizabeth II e a “Medalha Presidencial da Liberdade” do presidente George Bush, dos Estados Unidos. Por último, foi premiado pela Anistia Internacional com o prêmio Embaixador de Consciência em 2006.

Quem foi Nelson Mandela?

Nelson Mandela discursando na África. (Foto: Reprodução)

Nascido em Mvezo, na África do Sul, no dia 18 de julho de 1918, em uma família de nobreza tribal, da etnia Xhosa, recebeu o nome de Rolihiahia Dalibhunga Mandela. Em 1925, ingressou na escola primária, onde recebeu da professora o nome de Nelson, em homenagem ao Almirante Horatio Nelson, seguindo um costume de dar nomes ingleses a todas as crianças que frequentavam a escola. Já em 1939, depois de muitos anos estudando a cultura ocidental em colégios internos, Mandela ingressou no curso de Direito, na “Universidade de Fort Hare”, a primeira a ministrar cursos para negros.

Por se envolver em protestos junto com o movimento estudantil contra a falta de democracia racial na instituição, foi obrigado a abandonar o curso. Mudou-se para Joanesburgo por medo de um suposto casamento arranjado pela sua tribo. Foi na maior cidade africana onde ele se deparou com o regime de terror imposto à maioria negra. Em 1943, concluiu o bacharelado em Artes pela Universidade da África do Sul. Após obter autorização, continuou os estudos de Direito, por correspondência, na universidade de Fort Hare. Mais tarde receberia o título de “Doutor Honoris Causa”, na tentativa de compensar a sua expulsão.

Apartheid

Mandela também teve uma significante participação no Apartheid, regime que tornou-se um verdadeiro sistema jurídico com o Partido Nacional, dominado pelos africânderes (brancos de ascendência germânica). Esse governo venceu as eleições e impôs o regime segregacionista do Apartheid, que visava à separação de brancos e negros em zonas habitadas por ambos, mesmo sendo os negros 80% da população na África do Sul.  

“As vidas negras são baratas, e continuará assim enquanto o Apartheid continuar a existir.” (Em discurso no funeral de Chris Hani Martin, em abril de 1993)

Nelson Mandela passou 27 anos preso. Foto: Reprodução

De espírito revolucionário, Mandela defendia os direitos iguais e prezava pelo ideal de resistência pacífica. Apesar de toda a sua luta, de primeiro foi preso em 1956 e acusado de traição. Absolvido em 1961, engajou-se na luta armada após o massacre de Sharpeville – em que 69 manifestantes negros foram mortos pela polícia – e o banimento do CNA pelo governo. Fundou o movimento Umkhonto we Sizwe, que promoveu ataques com bomba a prédios do governo, e em seguida foi julgado à prisão perpétua por sabotagem e por conspirar para outros países invadir a África do Sul.

Resistência

Depois de 27 anos preso, Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, aos seus 72 anos. Esse fato representou o início das negociações para o fim do regime Apartheid na África do Sul, já que o principal rosto da oposição estava livre.

Em abril de 1994, ganhava as eleições presidenciais e, com isso, coloca um fim no regime que assolava os negros sul-africanos por mais de 40 anos. Durante a presidência, se esforçou para continuar na luta contra o racismo e a desigualdade social, fazendo políticas que representavam integração entre negros e brancos para garantir o igualitarismo. Mandela faleceu em 2013 e deixou, além de seus seis filhos, um importante legado mundial.

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