O amor que resgata vidas

Por Letícia Serpa

Gabriela Hipólito Moreira Neto, 50, fundadora da ONG “Deixa Viver” Foto: Arquivo Pessoal

O abandono de animais domésticos acontece diariamente. Há casos em que os donos não dão conta de cuidar do animal adotado, colocando-o em situação de perigo. Para ajudar a minimizar esse quadro, existem as Organizações não Governamentais (ONG’s) que cooperam no resgate desses animais sem um lugar para ficar. “Nós somos corajosos, apaixonados, dedicados e protetores. Somos a parte da sociedade que dá tudo de si para ajudar seres inofensivos que precisam de carinho, cuidado e atenção”, afirma a empresária, cuidadora de gatos e fundadora da ONG “Deixa Viver”, Gabriela Hipólito Moreira Neto, 50.

De acordo com ela, o maior número de casos de abandono é o de felinos, porque as fêmeas engravidam rapidamente e, devido a gestação de apenas 3 meses, podem ter vários ciclos gestacionais por ano, o que gera ainda mais animais desabrigados. “Um casal de gatos, em um ano, é responsável por centenas de outros gatos. Claro que não são todos do casal, é o que vai juntando com os aderentes”, explica. Por isso, Gabriela fala que é de extrema importância que, ao saber de algum caso de desamparo, a pessoa tente rapidamente ajudar aquele animal. “Isso porque a iniciativa tem que vir de cada um”, continua.

“Nós somos corajosos, apaixonados, dedicados e protetores. Somos a parte da sociedade que dá tudo de si para ajudar seres inofensivos que precisam de carinho, cuidado e atenção” (Gabriela Hipólito)

Ao ser questionada sobre a importância da “Deixa Viver” para os animais, a fundadora afirma ser uma ONG onde as pessoas têm uma consciência do coletivo e do ético, além de fazerem algo para mudar a situação dos animais. “É um trabalho que tira parte do seu tempo e dinheiro do seu bolso. Por isso, as pessoas [em geral]  não se sentem na vontade de ajudar a quem precisa”, relata.

Sobre a ONG

Foto: divulgação/ONG Deixa Viver

Para Gabriela, o que leva os “protetores” a montar uma ONG é a possibilidade de se institucionalizar e, consequentemente, adquirir mais credibilidade para receber doações financeiras ou realizar denúncias. Porém, comenta sobre a superlotação de abandonados nessas instituições e como é importante cada um fazer a sua parte no cuidado com os animais, independente da existência destas entidades. “A ONG é a primeira coisa que as pessoas pensam em recorrer quando vêem um abandono. Mas ela é, na verdade, a última coisa que vai poder ajudar. Todas as ONG’s estão superlotadas, algumas até devendo clínicas veterinárias. E, ainda que haja essa ajuda financeira por parte da pessoa que solicitou o resgate, não adianta. Porque chega a um ponto em que não dá mais para colocar um animal para dentro da instituição, já é humanamente impossível cuidar dos animais existentes. Então, quando virmos algum animal abandonado, o mais ético seria que nós mesmos resolvêssemos a situação daquele bicho”.

A frequência que uma ONG resgata um animal é a medida com que ela se depara com um abandono. Porém, há sempre empecilhos que impedem de isso acontecer com frequência. “Sempre há um limite financeiro, físico, psicológico, ou de espaço. Hoje em dia, os protetores costumam resgatar somente animais em um estado realmente crítico”, explica.

Além disso, Gabriela cita que as ONGs não possuem suporte governamental e são, completamente, voluntárias. “Uma ONG não tem ajuda alguma do governo, não possui isenção de impostos. Vez ou outra, existe algum fornecedor de ração que pratica um preço diferenciado para a ONG, mas isso é muito difícil”, informa.

Castração

O método mais indicado para a prevenção de várias doenças em órgãos sexuais, possíveis mudanças de humor e longevidade da vida do animal, é a castração. “Em machos, a castração ajuda a evitar o câncer nos testículos. Nas fêmeas, tumores de mama. Porém, um gato não precisa exatamente deixar de sair de casa por conta da castração, porque a sua natureza exploratória não é prejudicada”, explica Gabriela.  

Ela conta que uma extração custa entre 80 e 100 reais e, geralmente, quando o animal é resgatado, as clínicas veterinárias fazem um preço mais baixo. A profissional cita, porém, que a instituição deve já doar o animal castrado. “Ele tem que passar pela cirurgia assim que atingir a idade de castração”, esclarece.

Experiência Marcante

“Cada resgate é uma alegria, é uma emoção, de a gente encostar o animalzinho no peito e sentir que ele percebeu que o abandono e a dificuldade acabaram” (Gabriela Hipólito)

“Cada resgate é uma alegria, é uma emoção, de a gente encostar o animalzinho no peito e sentir que ele percebeu que o abandono e a dificuldade acabaram”, narra. Ela conta que um caso sério que já vivenciou, foi quando, ao ir ao Parque do Cocó ajudar uma amiga em um resgate, se deparou com filhotes de gatos em péssimo estado. A única solução que encontrou foi a de levá-los com ela. “Tinham uns arbustos perto do local e, quando eu olhei mais de perto, eram quatro gatinhos sendo comidos por formigas, eles ainda estavam com o cordão umbilical. Alguém tinha os deixado no local e, por conta do sangue exposto, as formigas estavam em cima deles que, por sua vez, permaneciam aos gritos. Eu não tive outra alternativa a não ser a de pegá-los e levá-los comigo, eu não ia deixar que eles morressem ali, daquela forma”, relembra.

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