Comércio ainda utiliza panfletos impressos

Por Newton Luiz

Panfleteiros trabalhando em via pública l Foto: Reprodução.

Cidade grande, cidade pequena, estabelecimentos de bairros ou multinacionais, o panfleto já existe em todas essas áreas da comunicação há, pelo menos, 900 anos. Criado no século XII, na Inglaterra, o panfleto começou a ter sua utilização questionada por causa da maior conscientização ambiental e do crescimento das redes sociais. Se antes era comum um empresário pensar no meio para divulgar e anunciar seus produtos, hoje ele avalia outras formas para multiplicar sua mensagem. Contrária ao panfleto, a publicitária, Yasmin Menezes, 24, acredita que o panfleto não é mais a maneira mais rentável para anunciar uma novidade no mercado.

Segundo Yasmin, “com a valorização das redes sociais e a relevância da figura do digital influencer crescendo nas plataformas, o empresário tem hoje uma alta possibilidade de personificar seu público e obter mais lucros para a empresa”. Porém, a publicitária defende que o folheto ainda é uma opção barata para os donos de pequenas empresas.

Do outro lado, a estudante de Jornalismo, Adnayara Medeiros, 25, conta que, muitas vezes, recebe os panfletos para ajudar no trabalho do entregador. Para ela, o layout da publicação é essencial na hora de pegar a peça. “Às vezes, só pego [o panfleto] porque achei bonito e é sobre algo que me interessa. Se o tema não me interessar, não pego”, relata a jovem.

“Às vezes, só pego [o panfleto] porque achei bonito e é sobre algo que me interessa. Se o tema não me interessar, não pego” (Adnayara Medeiros)

Meio ambiente

A coordenadora de Políticas Ambientais, Edilene Oliveira, conta que o folhetos são bastante prejudiciais ao meio ambiente, por existirem vários tipos de papéis na produção e por causa da dificuldade de ser reciclado pelo material ligado a tinta de impressão. Reforçando a idéia, o estudante de Ciências Ambientais, Lucas Fontenelle, 22, também expõe que, quanto mais formas de extração da matéria prima a publicação utiliza, mais poluente essa se torna para o meio. “Há também a questão do acúmulo de resíduos no solo, onde, muitas vezes, [os panfletos] são descartados de maneira inadequada. Quando não recolhidos, podem parar em galerias de esgotos, contribuindo para o problema da drenagem urbana, uma das causas das inundações”, complementa o estudante.

Legenda: Panfletos no chão l Foto: Reprodução

Atuando no ramo de gráficas há vários anos, o impressor Denílson Soares confirma que realmente o panfleto ainda é uma das opções mais baratas e usadas para comunicar algo. O impressor também cita o avanço dos publicitários e dos clientes em optarem por opções com papéis reciclados e menos poluentes para o meio ambiente. Soares sinaliza que há uma tendência para o desuso da publicação, tendo diminuído significamente nos últimos anos. “Antigamente, eu chegava a imprimir mais de 15 mil panfletos por semana. Hoje, não passa de três mil”, avalia o técnico.

Pesquisa

Em pesquisa simples realizada pelo Jornalismo NIC com 34 pessoas, 75% das respostas confirmaram aceitar panfletos na rua. Porém, apenas 4% aceita parar para se informar sobre algo que possa lhe interessar. Enquanto isso, 64% dos entrevistados relataram que só pegam os papéis para ajudar no trabalho do entregador. Questionados se costumam comprar o que leem nos panfletos, 53% das pessoas relataram que não.

Sobre o panfleto ainda ser uma boa forma de publicidade, 82% acham ultrapassado e anti-ecológico. Para eles, as redes sociais são o caminho mais eficaz e correto para substituir o folheto. 75% dos entrevistados também acreditam que o meio será extinto em 10 anos e 78% das pessoas já procuram outras maneiras de se informar.

É lei!

Desde 1998, é extremamente proibida a distribuição de folhetos em vias públicas. Eles podem até ser encartados em jornal, mas a panfletagem na rua é ilegal. A lei que fiscaliza e pune pessoas que desobedecem a norma é a 8221, do Artigo 9, de 1998.

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