Uma vida repleta de livros

Por Clara Menezes

“Para ter universidade, tem que ter biblioteca”, declara a bibliotecária da Universidade de Fortaleza (Unifor), Leonilha Maria Brasileiro Lessa. Com 61 anos, a mulher afirma que não tem como separar seu trabalho de sua vida pessoal, porque já trabalha há 37 anos no mesmo local. Para ela, é um orgulho ter acompanhado tantas mudanças na área da Biblioteconomia. Desde a falta de organização dos livros até a utilização da internet para ordenar as obras.

Leonilha é bibliotecária da Unifor. Foto: Ares Soares

Em 1978, Leonilha ingressou no curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Fortaleza (UFC). Seu sonho era simples: ela apenas queria conseguir um diploma universitário. Para isso, a bibliotecária precisava se profissionalizar. Uma de suas principais referências para começar sua profissão foi uma prima, que já tinha feito Biblioteconomia. “Eu tinha uma prima que era bibliotecária e trabalhava na UFC. Uma tia minha chegou e disse ‘Leonilha, faz biblioteconomia, a Luiza faz e ganha tão bem. É uma profissão muito bacana’. Então, eu resolvi fazer. Foi simples assim”, explica.

Diferente do que é esperado, Leonilha não tinha o hábito de ler e de usar a biblioteca. No entanto, isso nunca a impediu de ser uma profissional de sucesso no seu ramo. “Têm pessoas que podem ter feito Biblioteconomia e não tenham conseguido alcançar seu objetivo. Eu me sinto muito realizada”, aponta.

“Têm pessoas que podem ter feito Biblioteconomia e não tenham conseguido alcançar seu objetivo. Eu me sinto muito realizada” (Leonilha Lessa)

Acesso à informação

Com 37 anos trabalhando como bibliotecária, acredita que um grande problema do Brasil é a falta de acesso à informação. Por isso, ela defende a preservação das bibliotecas públicas. “Como as escolas não têm [biblioteca], é necessário suprir as pessoas de informação”, conta ela.

Segundo ela, a informação não necessariamente precisa ser paga. “Nós temos, como bibliotecários, estar atentos a isso. É uma fonte de livre acesso. Se temos uma fonte muito boa, vamos disseminar”, afirma. Leonilha conta que o papel da biblioteca é fornecer informação. Por isso, ela é extremamente importante. “A Biblioteconomia é uma profissão que é vista no momento com grandes possibilidades, porque a gente trabalha com informação”, complementa. Ou seja, se o conhecimento está em grande expansão, a Biblioteconomia segue o mesmo caminho.

Projetos

Acredita que a biblioteca da Unifor mudou e evoluiu muito durante seu trabalho ali. Foram criados diversos projetos, como o de capacitação dos funcionários em libras, atividades que transformam os textos em arquivos de MP3 e um teclado ampliado em braile.

Leonilha em uma das reformas da biblioteca. Foto: Arquivo Pessoal

Um projeto recente, que ainda não está pronto, é o “Biblioteca para Todos”. Na mesma linha do “Biblioteca Livre”, a biblioteca vai proporcionar um carrinho de livros no Escritório de Práticas Jurídicas (EPJ). Com isso, qualquer pessoa poderá pegar e doar livros, tanto professores, como alunos, funcionários e a comunidade do Dendê. “A gente está procurando muito ajudar a comunidade mais pobre e ajudar os desinformados, os que precisam ter uma atenção”.

Um dos projetos que a bibliotecária sonha em realizar tem como objetivo melhorar as bibliotecas prisionais. Inspirada em Catia Lindermann, ativista de Biblioteconomia social, Leonilha pretende trabalhar com o Curso de Direito da Unifor para realizar esse plano. Segundo ela, apesar de existir a lei de remição de pena, ela não funciona da maneira certa. Segundo o artigo, se o preso ler um livro em um prazo de 22 a 30 dias, ele teria sua pena reduzida em quatro dias. O limite de obras é, no máximo, 12. Porém, essa situação não é cumprida nos presídios brasileiros.

“Esse é um lado da cidadania ativa que a gente pode desenvolver. Só que a gente tem que estimular, o aluno às vezes tem muita coisa para fazer. Mas, cabe a gente fazer esse estímulo”, declara. Para ela, quanto mais informada as pessoas estão, menos elas têm tendências a tomarem decisões ruins.

“Esse é um lado da cidadania ativa que a gente pode desenvolver. Só que a gente tem que estimular, o aluno às vezes tem muita coisa para fazer. Mas, cabe a gente fazer esse estímulo” (Leonilha Lessa)

Além desse projeto ativista, ela tem outro desejo mais simples e pessoal: descansar. Com 61 anos de idade e 37 anos de trabalho, Leonilha conta que ainda pretende trabalhar por 10 anos. Após décadas de conquistas e de desafios profissionais, sua maior vontade é tirar férias e, por fim, se aposentar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php