Remédio demais pode virar veneno

Por Sabrina de Souza

Ter uma crise de enxaqueca e imediatamente tomar um comprimido. Passar muito tempo usando algum aparelho eletrônico, sentir tonturas e tomar outra dose de remédio. “Um mal-estar de pré-resfriado?” Uma “simples” vitamina C resolve. Chegar do trabalho muito estressado e/ou ansioso, então decidir que o melhor é ingerir um comprimido “inocente” que vai te fazer relaxar. Começar uma dieta e tomar algum inibidor de apetite para ter um mais rápido resultado. Em meio a correria do dia a dia, é imperceptível a quantidade de remédios que se é ingerido. Além disso, os possíveis danos passam despercebidos pelos consumidores. Em alguns casos, depois de várias doses da mesma droga, o efeito esperado não acontece mais.

Consequências

Medicamentos vendidos em farmácias, apesar de legalizados, são capazes de viciar, assim como as drogas ilícitas. A automedicação se tornou algo muito comum entre os brasileiros, com isso, a dependência deles também é cada vez mais recorrente. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), em nosso país, 80 milhões de pessoas têm o hábito de se automedicar. Essa situação pode ser alarmante, tendo em vista o levantamento realizado pela Fundação Oswaldo Cruz, das 80 mil mortes por intoxicação que o Brasil registra anualmente, cerca de 30% são causadas por uso indevido de medicamentos.

Remédios “inofensivos” mais danosos. Infográfico: Sabrina de Souza

Mas a partir de que momento a automedicação se torna prejudicial? A dependência medicamentosa se caracteriza quando ocorre um alívio imediato da dor após uma dose do remédio. Isso pode provocar a polimedicação ou o uso recorrente daquela droga sempre que os sintomas retornarem, e, assim, torna-se um vício.

“Essa relação de dependência se caracteriza a partir do momento em que o medicamento está no centro da vida de uma pessoa”, comenta a psicóloga e professora Tatiana Tostes. “É o fato da submissão do sujeito em relação ao objeto. Quando ele passa a abrir mão de outras coisas em benefício do seu vício [droga]”, acrescenta. Já a interação medicamentosa, por exemplo, vai anular ou potencializar os efeitos de remédios que entraram em combinação dentro do organismo.

Hipocondria

Vício em descongestionante. Foto: Reprodução

Na origem da palavra, significa obsessão na ideia de que possui alguma doença mesmo sem o diagnóstico médico. É uma doença crônica, podendo durar anos ou a vida inteira e que geralmente é identificado pela própria pessoa. É normal pessoas em geral serem cautelosas em relação à própria saúde. Mas, o diferencial do hipocondríaco, muitas vezes, está em acreditar fielmente em suas teorias, e até desconfiar do seu estado de saúde, mesmo depois de uma consulta.

Pacientes nesse quadro crônico estão mais sujeitos à abusarem na dosagem de medicamentos em busca de uma suposta cura. Essas pessoas, normalmente, são frequentadoras assíduas de farmácias e drogarias. Ana Carolina de Araújo, 34, é hipocondríaca e revela que já passou horas dentro de uma farmácia. “Fiz da farmácia o meu supermercado”, conta.

Ana faz uso de um multivitamínico diariamente há onze meses. “Me vi dependente e viciada”, desabafa. Ela conta ainda que a obesidade colaborava para o consumo de remédios. “Eu diminui muito [o consumo de remédios] depois que eu fiz a cirurgia bariátrica. Devido ao sobrepeso, tudo me causava doenças, então eu ingeria mais medicamentos. Hoje em dia já é mais tranquilo, mas mesmo assim, se eu estiver em uma farmácia, eu me realizo”, revela.  Ana relata que já fez tratamento psicológico para auxiliá-la melhor no uso de fármacos. “Sofro de ansiedade, mas hoje em dia já sei administrá-la”, reconhece.

Cibercondria

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