“Astrologia não é adivinhação, é uma tradução”

Por Letícia Serpa

O que motiva você a acreditar na possibilidade de algo dar certo? Para algumas pessoas, esta motivação vem de pressupostos astrológicos que trazem para tais utilizadores um aspecto de conforto diário. Segundo o site Horóscopo Virtual, a medida em que os planetas se movem e giram pelo céu através dos signos zodiacais, criam aspectos de graus matemáticos entre si que nos afetam e mudam nossas energias.

Isabel Studart, 20, estudante de Arquitetura. Foto: arquivo pessoal

É o que relata a estudante do curso de Arquitetura, Isabel Studart, 20, quando afirma utilizar a astrologia como uma forma de sistematização do seu cotidiano. “Eu aplico a astrologia à minha rotina, na tentativa de organizar meus horários, decidir quais os melhores dias para começar novos planos, para tomar decisões importantes ou até para entender melhor as situações que estou passando na minha vida”, fala.

Para Isabel, o estudo funciona como um instrumento pessoal de autoconhecimento “A astrologia é, para mim, algo que permite às pessoas entender melhor suas características positivas e negativas e saber lidar com elas e com suas relações pessoais”, declara.

A estudante percebe que isso traz certa disciplina na hora de organizar tarefas. “O estudo das transições diárias a longo prazo me ajuda a organizar melhor os meus dias. Eu aplico a astrologia à minha rotina, na tentativa de organizar meus horários, decidir quais os melhores dias para começar novos planos, para tomar decisões importantes ou até para entender melhor as situações que estou passando na minha vida”, conta.   

Conceito

A definição de astrologia se resume ao estudo de corpos celestes e às prováveis relações que têm com a vida das pessoas. É um conhecimento que foi se modificando ao longo do tempo e que se divide em Astrologia Tradicional (produções astrológicas até o final do século 17) e a Astrologia Moderna, que data do final do século 19 até o momento. Ambas têm diversas “subdivisões” e “vertentes”.

A astróloga Letícia Helena Santa Cruz, 31, fala que a ciência funciona, basicamente, por analogia. Segundo Helena, “para tudo o que existe na terra, existe, também, um dos sete planetas clássicos, visíveis a olho nu (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno) que corresponda àquele assunto, coisa, pessoa ou evento. Se podemos prever o movimento dos planetas, as relações que fazem entre si, momentos em que eles perdem ou ganham força, também podemos prever o movimento ou condição daquilo que, por analogia, é representado por eles aqui na terra”, revela.

“Não acredito que a astrologia seja uma ciência, e sim uma arte” (Letícia Helena)

Letícia Helena, 31, astróloga. Foto: arquivo pessoal

No entanto, indo contra as noções gerais sobre o tema, a profissional fala que não considera a astrologia uma ciência, mas uma forma de representação artística. “Não acredito que a astrologia seja uma ciência, e sim uma arte, no sentido de ser a aplicação de uma técnica, de um ofício que exige o conhecimento de uma técnica. Ela existe há muitos séculos antes daquilo que conhecemos hoje como ciência ocidental”, declara.

Mas seria o astrólogo responsável em dar uma direção à vida das pessoas? Letícia nega isso. “A função do astrólogo não é ajudar alguém, ele é só um tradutor daquilo que está exposto nos céus. Às vezes erra, porque ele errou na leitura, na tradução, mas o céu nunca erra. O que ajuda a quem procura um astrólogo é esse conhecimento a respeito da própria história que o contato com o céu de nascimento pode proporcionar. Muita gente se reencontra, esclarece questões emocionais ou físicas que perturbavam, entende relações familiares difíceis, se reergue para tocar a vida de maneira mais próxima daquilo que é, ou que gostaria de ser, se reconecta com suas motivações”, conta.

Horóscopo

O elemento da astrologia mais famoso, sendo popularmente encontrado nos finais de revistas e de jornais, é o horóscopo. Nele há, como componentes de sua formulação, os signos do zodíaco. A data de nascimento de cada indivíduo corresponde a um signo específico que, por sua vez, dita as características principais daquela pessoa.

Porém, Letícia fala de um horóscopo menos conhecido, que abrange uma maior quantidade de pessoas “O horóscopo que eu e outros astrólogos tradicionais escrevemos é baseado no céu do dia e vale para todo mundo, afinal, estamos todos debaixo do mesmo céu. E também é genérico, fala sobre perspectivas mais coletivas ou sobre o tom geral do dia, mas não traz nenhuma especificidade, é mais um exercício literário, simbólico, poético e mais consistente”, alega.

Mapa Astral

O mapa astral é a representação gráfica do céu no exato momento de seu nascimento. Para prepará-lo são necessários cálculos precisos baseados na data, hora e local que a pessoa nasceu. “Ele é uma imagem do céu no momento de nosso nascimento. Funciona como um desenho simbólico das possibilidades, dos assuntos e dos eventos da vida de uma pessoa, do nascimento até a morte”, afirma a astróloga.

Letícia cita, porém, que qualquer mapa do céu pode ser chamado de mapa astral. E o trabalho da astrologia é desvendar o que cada mapa indica. “Esse simbolismo é desdobrável, cada planeta, cada aspecto, não significa uma coisa só, e é por isso que astrologia não é adivinhação, é uma tradução. E é por isso, também, que o mesmo aspecto no mapa de duas pessoas diferentes simbolizará eventos ou cenários diferentes, mas que também se encaixam em algum desdobramento deste simbolismo. A tradução é feita junto com o cliente durante a leitura, precisamos saber de onde ele está vindo para saber para onde aquele simbolismo o levará”.

 

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