Culpada ou inocente?

Por Melissa Carvalho

O processo de investigação de um crime é algo complexo e demorado. Casos sem solução não são difíceis de se encontrar, principalmente quando são de interesse internacional. A estudante Meredith Kercher foi assassinada na Itália e, até hoje, é uma incógnita para a família, para a polícia e para a mídia como ocorreu. A principal suspeita era uma americana com quem dividia a casa. Amanda Knox foi acusada e absorvida duas vezes do crime e é o centro das atenções no documentário que leva seu nome.

Amanda Knox, 30, durante a entrevista para o documentário. Foto: divulgação.

O longa-metragem é baseado em gravações que foram veiculadas na época e entrevistas com Amanda Knox, com seu ex namorado e também suspeito, Raffaele Sollecito, com o investigador e promotor do caso, Giuliano Mignini, e com o jornalista Nick Pisa. Cada personagem mostra sua visão sobre o assassinato, que ainda não teve uma conclusão. Apesar de se declarar inocente, Amanda faz alegações que deixam o telespectador curioso sobre sua possível participação no crime. “Há os que acreditam na minha inocência e há os que acreditam que eu sou culpada. Não existe meio termo. Ou eu sou uma psicopata em pele de cordeiro ou eu sou você”, afirma a americana, marcando o início do documentário.

O crime

Amanda tinha 20 anos na época do assassinato, fazia intercâmbio em Perúgia, na Itália, e dividia aluguel de uma casa com a inglesa Meredith e duas italianas. Durante sua estada no país, conseguiu um emprego em um bar. Patrick Lamumba, dono do estabelecimento, contratou Amanda com a esperança de atrair clientes, por chamar a atenção pelo fato de ser estrangeira. Uma semana antes do assassinato, conheceu o italiano Raffaele Sollecito, com quem viveu um romance intenso.

O crime aconteceu na madrugada do dia 01 de novembro de 2007. Amanda havia, supostamente, sido liberada do trabalho na noite anterior e decidiu dormir na casa do namorado. Ao chegar em casa, na manhã seguinte, encontrou a porta aberta, vestígios de sangue no banheiro, uma janela quebrada, fezes na privada e o quarto de Meredith trancado, o que fez a jovem ligar para a polícia. O corpo seminu da inglesa foi encontrado coberto por um colchão depois de receber 47 facadas, sendo uma fatal na garganta. O quarto cheio de sangue revelava um suposto jogo sexual que não deu certo.

Acusações

Amanda Knox e Raffaele Sollecito, em 2007. Foto: reprodução.

O comportamento de Amanda após descobrir a morte da colega causou estranhamento em Giuliano Mignini. A jovem não parecia assustada, nem surpresa e continuava aos beijos com Raffaele em frente à casa . Apesar da janela quebrada, a residência não parecia ter sido invadida realmente, não faltava nenhum objeto de valor. O corpo estava coberto, o que pode indicar que o crime seria obra de uma mulher, mas isso não era suficiente para incriminar Amanda, que afirmava ter passado a noite com Raffaele e tentou provar que havia ganhado folga através de um torpedo que recebeu do chefe. Mas durante um longo interrogatório, o namorado assumiu que estava falando apenas o que a jovem tinha pedido e não passaram a noite inteira juntos.

A faca usada no assassinato foi encontrada na casa de Raffaele, com vestígios de Amanda no cabo e de Meredith na ponta. Evidências do namorado da acusada também foram encontradas na cena do crime. Por fim, o DNA de Rudy Guede, um traficante da Costa do Marfim, foi encontrado no corpo da garota. No desespero, Amanda acabou acusando Patrick, que acabou solto depois de apresentar um álibi.

Falhas do sistema

A morte de uma jovem estrangeira em uma cidade tranquila, e uma cena de crime estranha foram suficientes para chamar a atenção internacional. A pressão em cima da polícia italiana ocasionou na pressa em obter respostas. Amanda, Raffaele e Rudy foram condenados em 2009, no que ficou conhecido como “O julgamento da década”. Em 2011, o casal foi absorvido depois de recorrer. Ficou comprovado a falta de preparo da equipe policial durante a investigação, já que muitos protocolos internacionais não foram cumpridos, podendo ter comprometido a apuração das provas. Rudy continua preso, alegando sua inocência. Segundo sua versão, ele e Meredith não tiveram nenhum tipo de relação por falta de preservativo e fugiu da casa ao perceber que havia alguém no local, porém não conseguiu identificar a pessoa.

Foxy Knox

A morte de Meredith foi “um presente” para a imprensa, que aproveitou todos os ângulos da história para preencher os tabloides. Nick, jornalista que fez a cobertura do caso, se vangloria durante a entrevista dos furos que conseguiu pesquisando sobre a vida de Amanda e das matérias assinadas ocuparam as manchetes do jornal. A teoria de um crime sexual parecia viável, o nome Foxy Knox (Knox “safada”) passou a ser usado para se referir à acusada. Amanda se tornou um símbolo nos meios de comunicação, concedeu entrevistas e publicou um livro sobre seu tempo na prisão. O caso que era apenas policial foi um combustível para a produção midiática, representando como tragédias podem ser transformadas em produto.

Ficha técnica

Ano: 2016

Direção: Brian McGinn e Rod Blackhurst

Duração: 92 minutos

Gênero: Documentário

Trailer

 

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