Empoderamento feminino conquista espaço na mídia com “Tour Pelo Meu Corpo”

Por Lara Montezuma

No mês em que se comemora o dia da mulher (8 de março), vemos o progresso da militância pela luta feminina, principalmente ao chegar nos grandes meios de comunicação. Além das discussões acerca de direitos igualitários entre homens e mulheres, como salários iguais, o corpo feminino também está em pauta. Temas como gordofobia, padronização da beleza e distúrbios alimentares cada vez mais despertam o interesse do público.

A distorção da figura feminina como mercadoria típica da publicidade foi ampliada com o uso do corpo como fonte de renda nas redes sociais. Para vender roupas, acessórios ou simplesmente determinado estilo de vida, muitas blogueiras – as it girls, como também são conhecidas – postam diariamente fotos e vídeos. Nestes, propagam uma “perfeição” inexistente e ocultam prováveis truques, edições de imagem e até mesmo cirurgias.

O impacto na vida de seguidoras dessas personalidades da internet tende a ser alto e, muitas vezes, imperceptível. Para confrontar o padrão imposto, o movimento feminista busca exemplos de representação para todos os tipos de mulheres e oferece espaço para quem, muitas vezes, teve a sua voz calada.

O corpo em zoom máximo

A dona do canal “Tá, Querida” é uma das mais conhecidas bodypositives nas redes sociais. Seus vídeos também falam sobre sexualidade e feminismo. Foto: divulgação/“Tá, Querida”

Como forma de protesto e de libertação pessoal, a youtuber e ativista feminista Luíza Junqueira, 26, do canal “Tá, Querida”, iniciou um movimento que mobilizou o YouTube, a maior plataforma de vídeos online. Já conhecida pelo seu conteúdo sobre empoderamento feminino e autoestima, a jovem deu um passo à frente e lançou, em outubro, a tag “Tour Pelo Meu Corpo”(#tourpelomeucorpo) por meio da qual todas as suas maiores inseguranças referentes ao corpo são expostas em frente às câmeras. Até o momento, o vídeo de Luíza foi visto por 1 milhão e 338 mil espectadores. No youtube, assim como em redes sociais, a tag  é um termo que se refere às palavras-chaves que classificam vídeos.

Mesmo sendo considerada fora do padrão estético, a iniciativa de Junqueira obteve sucesso e opiniões controversas. Ao mostrar seus ângulos não favoráveis e características consideradas tabus, como estrias e celulites, Luíza fez com que garotas brasileiras se identificassem com a aceitação da própria imagem e promoveu um discurso de amor próprio.

Com isto, outras mulheres se sensibilizaram com o feito e decidiram contribuir com a tag. A viralização do “Tour Pelo Meu Corpo” foi promovida a partir do post da também youtuber Ellora Haonne, 20, que conseguiu chegar a marca de 2 milhões e 111 mil visualizações. “A gente vive se comparando com os corpos perfeitos na internet, mas eu posso te garantir que eles não são como nas fotos. Eu tenho certeza disso porque eu sou uma delas”, comenta Ellora logo no início do vídeo. A youtuber já falou abertamente sobre a sua própria imagem e sobre a bulimia que enfrentou durante os anos da sua adolescência.

 

O sucesso dos vídeos, reproduzidos por uma série de pessoas públicas, confirma a inclusão do assunto na mídia. Apesar de não solucionar a problemática em relação a padronização e aceitação da imagem feminina no país, a mobilização abre espaço para oportunidades de debates, inclusive nas redes sociais e na televisão aberta, já que participações de digital influencers, como Ellora, falando sobre o assunto estão cada vez mais comuns nos meios de comunicação. Produções como estas são essenciais para desviar os olhares das perfeições produzidas pela mídia e trazê-los para a beleza que também há no real.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php