Sucesso profissional na música exige vencer vários obstáculos

Por Luiza Ester

“Desde pequena, já era o que eu queria fazer. Minha família ainda gostaria que eu tivesse uma opção mais segura, porque eles trabalham no meio musical há anos e conhecem todas as dificuldades da profissão”, conta Jael Lia, 19, vocalista das bandas cearenses The Blueberries e New Vinyl. Mesmo com a instabilidade do ramo musical, a cantora quer dedicar-se à música para o resto da vida.

Grandes sucessos da música surgem o tempo todo. Mas quem escuta os hits tocando nas rádios, não imagina as inúmeras dificuldades que artistas têm até conquistarem esse mérito. Os bastidores desses profissionais no caminho para “viver de música” está longe de imediatamente ser vivido com o glamour dos palcos, o reconhecimento do público e das produtoras.

O documentário “Eu toco Rock N’Roll” (2012), dirigido por Rodrigo Gianesi, conta essa dificuldade no âmbito do rock. Músicos de diversas bandas nacionais, como Matanza e Ultraje a Rigor, relatam suas experiências. Eles falam sobre a dependência de gravadoras, os shows realizados e o papel das redes sociais na divulgação de seus trabalhos.

Viver de música

Jael Lia durante show da banda New Vinyl. Foto: Arquivo Pessoal

Para qualquer projeto é necessário investir tempo e dinheiro. Jael diz existir uma ilusão de “portas abertas” para novos artistas no Brasil. “É sempre mais do mesmo. Sempre os mesmos projetos rodam pela cidade”, opina. Para ela, projetos geralmente são vistos pela primeira vez na televisão, fazem shows recorrentes e, posteriormente, somem da cena musical.

“Existe talento em todo lugar do mundo, mas, para isso ser visto e reconhecido, é necessário portas, caminhos, não só para os artistas de renome, mas para os novos também”, acredita. Ela se refere a oportunidades de patrocínio, investimentos de empresas e gravadoras, festivais que deem chances para novos artistas e a permanência de programas de reality musicais. “Sobretudo, entender que existem outros estilos além daqueles que são colocados em todos os lugares”, salienta Jael sobre a “mesmice” do cenário nacional da música. A cantora ainda ressalta que o verdadeiro sucesso é adquirido quando um público, mesmo pequeno, entende a mensagem por trás de suas músicas.

“Existe talento em todo lugar do mundo, mas, para isso ser visto e reconhecido, é necessário portas, caminhos, não só para os artistas de renome, mas para os novos também” (Jael Lia)

Já para o produtor musical Lúcio Lelis, 33, no ramo há 12 anos, essa realidade tem “muitas variáveis, principalmente nos tempos de hoje, onde não se depende somente de uma gravadora para se alcançar um público ou ter um sucesso”. De acordo com ele, é preciso ter talento, estilo bem desenvolvido, definição de público alvo, investimento fonográfico, visual e digital. “Tudo isso precisa ser levado em consideração. Novos artistas surgem todos os dias, em algum lugar, mas, se não souber como planejar para colher um bom resultado, realmente, as portas ficarão fechadas”, opina.

Produção Musical

O produtor musical Lúcio Lelis. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Lelis, o produtor musical tem a função de aprimorar e orientar o trabalho de um artista ou de uma banda, desde a composição das letras à produção do som. “O primeiro passo para um reconhecimento nasce no estúdio, na pré-produção de álbuns, singles e EP’s. Todo produtor musical profissional busca o melhor para o seu artista/banda, pois eles levarão sua marca também”, considera.

Lelis diz que artistas empenhados precisam se deixar lapidar pelo produtor musical. “Todo artista ou banda que se preze buscará qualidade e profissionalismo no seu trabalho, se deixando moldar sem perder sua essência”, afirma. Para ele, pessoas que visam apenas “aparecer”, se deixando levar por um sucesso superficial, são produtos passageiros.

“A dificuldade [no cenário musical] existe, mas se o trabalho for excelente, comercial e autêntico, as portas se abrirão”, argumenta. São pontos importantes para o começo de carreira tocar no bairro e realizar vídeos com qualidade. Ele aconselha oferecer sempre o seu melhor para o público, pois as pessoas “compram” e cobram uma identidade.

“A dificuldade [no cenário musical] existe, mas se o trabalho for excelente, comercial e autêntico, as portas se abrirão” (Lúcio Lelis)

Quando o sonho vira hobby

Wil Júnior, 22, ilustrador e estudante de Cinema, já teve uma banda, mas hoje não sonha em seguir carreira. As dificuldades em ingressar no mercado musical desestimularam o jovem. “Eu desisti quando eu vi que todos [integrantes da banda] já tinham desistido. E, também, quando eu percebi que dentro de mim já não tinha mais a vontade de ficar insistindo tanto em algo assim. Ficou cansativo”, lamenta.

Tudo começou aos 15 anos, quando Wil “naturalmente” se interessou pela música. As melodias se tornaram, sem ele perceber, um alicerce para a sua vida. O estudante ainda estava aprendendo a tocar guitarra, mas decidiu se aventurar em uma banda. Não durou muito tempo, pois atritos entre ele e o vocalista concretizaram sua saída. Depois de um encontro com um amigo, Wil decidiu montar seu próprio projeto. “Ele chamou dois amigos que ele conhecia e nós começamos. Essa banda foi mudando de nome e de formação, mas todo esse processo de várias trocas, nome e formação, aconteceu em dois ou três anos. O nome começou com Argus, depois trocou para Khalia e o último foi The Jungle Blues”, conta.

Hoje, Wil afirma que só voltará à carreira se a “oportunidade aparecer”. Ele continua com a grande paixão. Embora não espere um sucesso profissional, toca e compõe casualmente. No vídeo abaixo é possível conferir as pretensões do jovem e seu apego quanto à música. A visão sonhadora deu lugar à realista, mas sem perder a magia da melodia.

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