Dúvidas na primeira escolha de curso leva jovens a mudarem de carreira

Por Lara Montezuma e Melissa Carvalho

Testes vocacionais são úteis no momento de escolha de curso. Foto: reprodução

O momento de escolha do curso universitário é complicado para muitos jovens. A cobrança durante o ensino médio e por parte da família levam estudantes a tomarem decisões incertas na hora de ingressar na universidade, gerando uma crescente evasão nos cursos.  Em 2015, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelou um aumento na taxa de desistência do curso de ingresso. Em 2010, 11,4% universitários abandonaram o curso, em 2014 essa taxa subiu para 49%.

Para ajudar no processo de escolha, existem testes vocacionais e vários psicólogos oferecem o serviço de orientação profissional. Esses métodos auxiliam e evitam o aumento da desistência.  A ansiedade de fazer a escolha certa e a influência familiar, às vezes, leva os jovens a tomarem decisões precipitadas. “É importante trabalhar com esses pais para que eles consigam fornecer esse suporte, mas se colocando em uma posição que permita ao filho escolher aquilo que ele deseja e que faça sentido para ele”, afirma a  psicóloga organizacional e orientadora de carreira Flávia Ibiapina, 27.

Segundo uma pesquisa feita pelo JornalismoNIC, a média de entrada dos estudantes nas instituições de ensino superior acontece aos 18 anos. Com relação aos cursos procurados, os favoritos são da área de Humanas, com 45% dos resultados dos 20 entrevistados. Os principais motivos para a decisão do primeiro curso de ingresso na faculdade são a pressão social e familiar, o salário e a identificação pessoal com a formação.

Gráfico: Google Forms

De acordo com a psicóloga, as principais dúvidas dos estudantes surgem pela falta de autoconhecimento e de informação acerca dos cursos. “Eles [os alunos] ficam em dúvida em relação as suas competências e habilidades, sobre os seus próprios valores, tornando a escolha de uma profissão compatível ainda mais difícil”, relata a profissional. 

Segundo Flávia, o serviço de orientação profissional pode ser introduzida na escola, através de encontros individuais e coletivos para debater questões psíquicas e também relacionadas à carreira. Nestas reuniões, os testes vocacionais são uma das atividades mais efetuadas. “O teste vocacional será útil para que o aluno reflita e tenha uma melhor percepção de si”, comenta a orientadora.

A pesquisa do JornalismoNIC revelou também que a falta de interesse e de adaptação foram os principais motivos para a desistência da primeira formação dos participantes. Para esses casos, a psicóloga afirma que o apoio dos familiares e dos colegas, junto com uma reorientação profissional, são essenciais para ajudar o aluno.

“Eu tive que errar três vezes para acertar agora”

Fernanda Ferreira, 26, estudante de Publicidade e Propaganda. Foto: FotoNIC

A estudante de Publicidade e Propaganda, Fernanda Ferreira, 26, mudou de curso três vezes até se sentir confortável em sua área de atuação. Antes do curso atual, a aluna passou por Sistema de Informação, Engenharia Elétrica e Física. Apesar da paixão pela área de exatas, Fernanda sentiu uma humanização na comunicação, algo que faltava nas graduações passadas, sendo crucial para a sua decisão. “Eu tinha muito medo de dar errado porque, querendo ou não, a gente cresce com aquela pressão de que se não der certo de primeira, você é um fracassado na vida. Infelizmente, a população não sabe que a gente tem que errar para acertar, porque é errando que se aprende. Eu errei três vezes para acertar agora”, relata.

Atualmente no segundo semestre, Fernanda garante que não se arrepende de suas mudanças e acredita que fez a escolha certa quando optou pela comunicação. “Tenho uma mochila enorme nas minhas costas de histórico e de experiência, mas, se eu não tivesse passado por esses cursos, eu não seria a Fernanda que eu sou hoje. Eu sinto que tanto Sistema de Informação, quanto Engenharia, quanto a Física, me fizeram crescer como mulher e como estudante. Meu senso de responsabilidade e meu foco foram coisas que eu trouxe nessa minha trajetória”, afirma.

“Tenho uma mochila enorme nas minhas costas de histórico e de experiência, mas, se eu não tivesse passado por esses cursos, eu não seria a Fernanda que eu sou hoje.” (Fernanda Ferreira)

Beatriz Farias, 19, estudante de Pedagogia. Foto: arquivo pessoal

Outro caso parecido aconteceu com Beatriz Farias, 19, que iniciou o curso de Fisioterapia e mudou para Pedagogia. “Surgiu uma oportunidade de cursar Fisioterapia e, mesmo este não sendo um curso que eu tivesse alguma forma de apreço e afinidade, o escolhi por realmente não querer perder a oportunidade.”, declara.

Após concluir o primeiro semestre de Fisioterapia, Beatriz precisou decidir se continuaria. A estudante optou em abandonar o curso e ingressar em Pedagogia pela afinidade que sente pela profissão. “Quando eu já estava cursando a Fisioterapia, prestei vestibular em uma universidade e consegui ser aprovada em Pedagogia. Cogitei não trocar de curso, mas percebi algo que outrora não tinha percebido: eu era adepta ao pensamento de ‘aprender ensinando’. Foi nessa hora que decidi mudar. Eu espero me eternizar em cada aprendiz que passar pelas minhas mãos”, reflete.

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