5+ marchinhas de carnaval

Por Clara Menezes

O carnaval brasileiro, atualmente a festa mais popular do país, surgiu como uma comemoração da elite. As pessoas usavam roupas elegantes e desfilavam em carros alegóricos, como uma forma de ostentar poder e dinheiro. “Com o tempo, entretanto, a importância crescente do carnaval provocou a transformação da repressão em apoio manifesto”, escreveu o antropólogo Peter Fry em seu artigo “Feijoada e Soul Food: notas sobre a manipulação de símbolos étnicos e nacionais”. Em outras palavras, o carnaval, anteriormente elitizado, começou a ser consumido quase que democraticamente pela população brasileira.

Essa popularização fez com que o samba, até 1960 consumido apenas nos morros do Rio de Janeiro, fosse a nova “sensação” da música carnavalesca. No entanto, durante a primeira metade do século XX, as canções criadas para o carnaval tinham uma batida parecida com as melodias portuguesas. Esse estilo foi chamado de marchinhas de carnaval e predominou até a chegada das escolas de samba, que mudaram a história da maior festa brasileira. O Instituto Cultural Cravo Albin, organização sem fins lucrativos que incentiva atividades de caráter cultural, escolheu as melhores marchinhas. Entre elas, o Jornalismo NIC elegeu 5. Confira um pouco da história por trás das músicas que permanecem até hoje nos blocos de carnavais:

Ó Abre Alas

Considerada a primeira marchinha de carnaval da história, ela foi composta, em 1899, por Chiquinha Gonzaga, durante uma época em que a sociedade era extremamente patriarcal. A música, histórica por seu legado cultural, também ajudou na luta social da época. Chiquinha costumava tocar nas grandes festas carnavalescas da elite do Rio de Janeiro. No entanto, segundo Edinha Diniz, autora  do livro “Chiquinha Gonzaga: uma história de vida”, “Ó Abre Alas” trouxe a cultura das ruas e da periferia para dentro dos portões das casas nobres. A música antecipou em mais de 20 anos a fixação das marchinhas. Hoje, já é de domínio público.

 

Chiquita Bacana

As marchinhas de carnaval, a partir de 1920, passaram a representar o humor carnavalesco. Era uma festa, afinal. Para se aproveitar disso, João de Barro, mais conhecido como Braguinha, compôs “Chiquita Bacana”, em 1949. A música faz uma referência humorada, principalmente, à corrente do existencialismo que permeava a época. Para isso, Braguinha conta a história de uma menina que sempre andava com uma casca de banana nanica. “Existencialista (com toda razão), só faz o que manda seu coração”, entoa a música.

 

Mamãe Eu Quero

Composta por Jararaca e Vicente Paiva, em 1937,  a música foi lançada de maneira extremamente improvisada. No livro “História do Carnaval Carioca”, escrita pela jornalista Eneida de Moraes, o cantor Almirante conta a história do dia de gravação da música. Segundo ele, a canção estava curta demais. Então, Almirante e Jararaca ficaram apenas dialogando durante a música. Ainda teve um erro de acorde. De acordo com o relato, todos acharam a música tão ruim, que não tinha nada que pudesse ser feito para melhorar. Apesar das adversidades, “Mamãe eu quero” se tornou conhecida, principalmente, depois de Carmem Miranda cantá-la.

 

Aurora

Durante a década de 1940, o compositor Roberto Roberti teve a ideia de fazer a música que seria conhecida como “Aurora”. Segundo o ator e cantor Mário Lago, que ajudou na composição, o amigo lhe procurou, eufórico, em uma Quarta-feira de Cinzas. O feriado representa o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão. Além disso, é o dia que quase todas as pessoas estão descansando logo depois de comemorar o carnaval. A música também teve seu auge no exterior quando Carmem Miranda regravou a letra nos Estados Unidos.

 

A Pipa do Vovô

Composta na década de 1970 por Manoel Ferreira e Ruth Amaral, “A Pipa do Vovô” foi uma das últimas marchinhas de carnaval a fazerem sucesso. O casal paulistano era conhecido por serem uma dupla de compositores de marchinha. Juntos, eles contrariaram a ideia de que essas músicas só eram criadas pelas pessoas do Rio de Janeiro. A letra da canção traz quase todas as características das marchinhas que foram compostas por mais de 50 anos: ritmo e humor.

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