Prática de teatro ajuda a desenvolver expressividade

Por Isabelle Lima

O teatro é essencial para o crescimento cultural da sociedade. Segundo Margarida Saraiva, da Escola Superior de Teatro e Cinema de Portugal, o surgimento dessa arte deu-se a partir da reunião de um grupo de pessoas em uma pedreira, que se reuniam para aquecer-se do frio perto de uma fogueira. Como a luz do fogo espelhava a imagem das pessoas na parede, se iniciou o ato de improvisar textos e fazer gestos com o corpo para refletir nas sombras.

Já no Brasil, o teatro surgiu no século XVI para espalhar a crença religiosa. Porém, as artes cênicas começaram a ser uma forma de entretenimento após a chegada da Família Real Portuguesa, em 1808. Isso ocorreu porque o rei D. João costumava convidar companhias de teatro estrangeiras para fazer apresentações para a nobreza.

O teatro transformando vidas

Celina Diógenes. Foto: Arquivo Pessoal

Além do entretenimento, o teatro é um espaço de expressão pessoal e causa arrepios, não só quem pratica, mas também quem assiste.​ Celina Diógenes, 20, é estudante de Jornalismo na Universidade de Fortaleza (Unifor). Ela contou o quanto o teatro ajudou em sua futura profissão e para perder a timidez. Na entrevista, a seguir, ela conta um pouco da sua relação com essa arte.

Isabelle Lima: Como e por que você começou a fazer teatro?

Celina Diógenes: Eu comecei a fazer teatro porque eu era muito tímida, e vi nele uma forma de perder essa timidez. Eu comecei no grupo Em Cena, do Colégio Christus,  [e fiquei] durante quatro anos. A pessoa que abriu as portas para mim, que me deu mais oportunidades, foi a professora Nazaré Fontenele. Eu devo muito a ela porque me incentivou. Ela me ajudava quando eu tinha algum problema e sempre estava ali do meu lado. Ainda sou uma pessoa muito tímida, mesmo sendo da Comunicação Social, mas, depois desses cinco anos, vejo que eu melhorei muito, que sou mais expressiva, que consigo falar melhor com as pessoas.

IL: Como você acha que o teatro pode te ajudar na profissão de jornalista?

CD: Eu acho que no jornalismo, e também em qualquer outra profissão, precisa ter muita comunicação e muita abertura para lidar com as pessoas. Então, o teatro fez isso comigo, ele me abriu para outras oportunidades e melhorou a minha forma de falar.

Foto: Arquivo Pessoal

IL: O teatro mudou sua vida. Como?

CD: Essa pergunta é bem difícil, complexa. Sem o teatro, eu não teria as experiências que vivi lá e não teria, talvez, essa liberdade que hoje tenho em determinados aspectos. Pelo teatro, eu sou uma pessoa mais leve e mais liberta. Como falei, a professora Nazaré Fontenele me ajudou muito porque quando entrei eu não ia entrar no Em Cena, eu ia entrar em uma turma abaixo, em uma turma de iniciantes. Foi ela que me incentivou e disse “não, você consegue, você vai, eu quero que você entre”. Por causa disso, entrei no Em Cena, me esforcei para estar lá, para estar em um ambiente que ainda não era o meu. Eu não me sentia preparada para estar no Em Cena, por ser um grupo maior, por ser um grupo que representa uma instituição. De certa forma, o teatro mudou tudo, o meu curso, a relação com a minha família e amigos.

IL: Você continua fazendo teatro?

CD: Eu parei no começo de 2015 porque entrei na faculdade. A vida começou a ficar bem atribulada. Participei de uma seleção de estágio e eu não estava conseguindo conciliar o estágio com o teatro. Então, tive que fazer uma escolha, infelizmente. Eu gostava muito do teatro, mas precisava seguir a minha vida. Então, priorizei o estágio.

IL: Qual foi a peça que você atuou que mais te marcou?

CD: Uma peça que me marcou bastante foi uma que a gente fez sobre a loucura. Eu tive que sair muito de mim, de como eu era para encarar o meu personagem. Para mim, viver a vida de outra pessoa é difícil até hoje. Você precisa ter uma liberdade corporal muito grande – que fui aprendendo a ter com o tempo. Eu fazia o papel de uma pessoa que tinha problemas mentais, falando muito alto, muito forte. Você tinha que ter interações com outros colegas, que talvez você não tivesse antes. Para mim, foi bem marcante porque foi a peça que eu mais tive que sair da minha zona de conforto.

Isabelle Galeazzi. Foto: Arquivo Pessoal

Já Isabelle Galeazzi, 19, do curso de Psicologia na Unifor, é outra estudante que também faz teatro e fala sobre as suas experiências no palco.

Isabelle Lima: Como e por quê você começou a fazer teatro?

Isabelle Galeazzi: Fiz teatro muito nova, mas acabei deixando de lado. Foi no segundo ano do ensino médio no Colégio Batista, através de um evento chamado Modernismo (trata-se de um show com dança, música e teatro produzido pelos alunos do ensino médio sobre algum tema que traga conhecimento histórico) que eu resolvi participar do teatro. Na hora de passar as falas, eu me tremia toda, suava de tanto medo e vergonha. Mas, mesmo assim, uma amiga me chamou para participar do grupo dela. Comecei a ir para os ensaios do Abre Alas, um grupo independente de teatro musical infantil e logo já estava fazendo as primeiras peças com o grupo.

IL: Como o teatro mudou a sua vida?

IG: Os momentos em que eu preciso falar em público, com certeza, se tornaram mais fáceis. Até mesmo desenvolver um diálogo com pessoas novas se tornou menos desafiador. Eu me soltei muito, virei uma pessoa menos travada. Mas o teatro fez muito além disso. Saber minha hora de fala, analisar situações pacientemente, saber o que fazer, entender o que o outro está sentindo e me colocar no lugar dele. Tudo isso foi contribuição do teatro. Mesmo com pouco público – às vezes cinco pessoas na plateia -, segurar um espetáculo é uma experiência que me ajuda muito a continuar firme diante de situações complicadas. Poder vivenciar momentos dentro do teatro é algo que me dá forças para seguir.

Foto: Arquivo Pessoal

IL: Como atriz, qual é o maior prazer que você tem?

IG: É encantador ver as crianças cantando as músicas da peça juntos, elas entram muito na história, interagem e sempre soltam comentários super preciosos. É mais mágico ainda ver que os pais também se envolveram com a peça. Eu vou embora para casa mais feliz quando fico sabendo que tinha algum pai chorando por causa da história. Meu grupo costuma fazer adaptações de clássicos da Disney. Então, na hora de tirar as fotos e falar com as pessoas que assistiram a peça, as crianças ficam loucas. Poder ter esse contato é maravilhoso, poder dar aquele abraço e tirar personagens tão queridos do plano do inalcançável é incrível. As crianças valorizam muito tudo isso. O que eu mais amo é poder levar personagens com histórias tão lindas para perto das pessoas, mostrar para as crianças que elas podem ser o que elas quiserem, provar que nada é distante demais.

IL: Qual foi a peça que você atuou que mais te marcou?

IG: Com certeza foi Moana. Sou apaixonada pela história e pela personagem, pois fala sobre afirmar quem você é, abraçar e valorizar a cultura do seu povo. Foi um papel mais desafiador do que eu pensei que seria, desenvolvê-lo exigiu muitos ensaios de dança, canto e teatro. Poder fazer a Moana proporcionou um crescimento na minha maturidade como atriz. A melhor parte foi poder levar a personagem para além do nosso teatro na Escola de Artes Viva. Moana foi parar na Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente (Edisca), fazendo uma breve intervenção no dia das crianças. Lá é uma organização não governamental que oferece diversos serviços a crianças de baixa renda, tendo como foco a dança.

Grupo Mirante de Teatro

O Grupo Mirante de Teatro foi fundado na Universidade de Fortaleza (Unifor), em 1984, e atualmente é dirigido por Hertenha Glauce. São aproximadamente 17 atores que dividem a missão de espalhar essa arte tão importante para a nossa sociedade.

Teatro

 

Confira a matéria editada por Isabelle Lima:

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