Bicampeão de jiu-jitsu sonha em treinar nos EUA

Por Davi Sacramento e João Vitor Paiva

A  história aparentemente tão comum de Paulo André Lanzillotti, 23, lutador de jiu-jitsu, se destaca pelas dificuldades e pela rápida ascensão. Ele já foi duas vezes campeão do Mundial CBJJE (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo), em 2016. É de origem humilde, mas, em apenas cinco anos de prática esportiva, o atleta cearense surpreendeu a todos com resultados expressivos.

Paulo André Lanzillotti na CBJJE. Foto: Duda Aquino

Hoje, treinando no Monte Castelo, bairro popular de Fortaleza, tem o sonho de morar e treinar no mais rico estado dos Estados Unidos, a Califórnia. Os EUA são hoje considerados a capital da prática dessa luta, em função do número de competições e praticantes, segundo informa em entrevista o português Pedro Rodrigues, professor de jiu-jitsu na Califórnia, no portal Jiu-Jitsu Portugal. O caminho parece longo, mas, da forma como Lanzillotti luta nos tatames e também em sua vida, seu sonho cada dia se aproxima mais.

O bicampeão mundial aponta como principal dificuldade a falta de patrocínio. “Para você participar de competições, para você viajar, para manter uma dieta, uma suplementação é preciso apoio”, conta. O preconceito, segundo ele, também dificulta o reconhecimento dos esportistas. ”Há um certo preconceito com o esporte, pois é uma arte marcial, é um esporte de luta”.                

”Há um certo preconceito com o esporte, pois é uma arte marcial, é um esporte de luta” (Paulo André Lanzillotti)

Se é difícil ter sucesso no Jiu-Jitsu de uma forma geral no Brasil, no Estado Ceará as dificuldades, na opinião de Paulo, só aumentam devido à falta de apoio. ”O Jiu-Jitsu cearense é um dos melhores do Brasil, mas o que falta aqui é um apoio que já existe no Rio de Janeiro e São Paulo para os atletas de lá”, relata o desportista.

Essa falta de patrocínio das empresas privadas pode ser vista no pouco número de academias em comparação a algumas capitais, como é visto no infográfico a seguir:

 

Apoio da família

O suporte da família foi importante por um lado, mas também foi uma barreira na sua caminhada. ”Uma parte apoiou e outra não. Meu pai me ajudou muito com viagens e com campeonatos. Minha tia também, mas ela reclama que eu treino muito e que gasto um certo dinheiro em relação às viagens. Eles me ajudam sempre que eu preciso”, conta o campeão.

A quantidade excessiva de treino é causada tanto pela carga horária, já que os treinos são diários e duram três horas, quanto pela intensidade nos exercícios. No vídeo a seguir, é possível perceber os resultados do esforço e da dedicação de Paulo André nos treinos:

Publicado por Davi Sacramento em Segunda, 20 de novembro de 2017

 

Em sua família está seu maior admirador, seu irmão João Victor Lanzillotti. Também praticante da modalidade, o irmão mais novo contou como é a relação entre eles, o que ele espera de Paulo André e muito mais. Confira no podcast a seguir:

O mundial de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, é o campeonato dos sonhos para Paulo André, junto com a Califórnia que, nas palavras dele, foi o lugar que o deixou mais realizado. ”Eu viajei quase todo o Brasil para participar de competições e, no exterior, fui para a Argentina e para os Estados Unidos. Esse último foi o que me deixou mais realizado, pois foi quando disputei o mundial na cidade de Los Angeles”, relembra.

Lutando pelo sonho, Paulo André saiu da sua dura realidade e conheceu outros locais e culturas. Mas onde ele quer chegar, as rotas serão mais difíceis. Confira o mapa a seguir com os locais que Lanzillotti pretende competir:

Confira a matéria editada por Davi Sacramento e João Vitor Paiva:

Lutando pelo Sonho

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