Filmes brasileiros lutam por espaço nas salas de cinema

Por Melissa Carvalho

Altos e baixos caracterizam a história do cinema nacional. A ascensão das produções marcam o período atual da indústria cinematográfica brasileira. Projetos de financiamento têm colaborado para o investimento nos filmes, que são aclamadas pelo público e pela crítica. As novas produções tentam mostrar o potencial brasileiro, porém sofrem com a falta de espaço dentro das salas de cinema.

O Brasil, hoje, conta com a Lei do Audiovisual, que assegura o investimento em todo o processo de produção até a exibição dos filmes. O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) é uma categoria do Fundo Nacional da Cultura que aplica recursos para a realização e a distribuição de longa-metragens. Essas políticas públicas contribuem para o desenvolvimento do mercado de audiovisual nacional e na melhoria da qualidade das obras. Entretanto, elas não garantem a distribuição justa das salas de cinema em relação aos filmes estrangeiros.

A coordenadora do curso de Audiovisual e Novas Mídias da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ana Elisabete Jaguaribe, aposta no cinema brasileiro e nessa fase de desenvolvimento. “A estrutura de produção do país, hoje, vive um momento muito interessante. Nunca na  história do país a produção teve tantos investimentos e recursos para financiamento”, ressalta.

A disputa com produções internacionais

A concorrência com as mega produções estrangeiras atrasam a circulação dos longa-metragens nacionais. Segundo a coordenadora, há uma média de 100 a 120 filmes esperando por vagas nas salas de cinema. “A gente tem uma estrutura de exibição de cinema muito fechada para o filme nacional, que é dominada pelas grandes empresas de exibição americana. Na verdade, elas dominam todo o mercado internacional”, afirma.

Ana Elisabete falou sobre o contexto histórico dessa hegemonia cinematográfica dos Estados Unidos no vídeo, a seguir:

 

O gráfico abaixo compara, em milhões, a diferença de público que vai aos cinemas assistir a filmes brasileiros e internacionais:

O início do cinema no Brasil

Os irmãos italianos, Pascoal e Afonso Segreto, foram os responsáveis pelo início do cinema nacional. Eles incentivaram a inauguração da primeira sala de cinema aberta ao público, localizada no Rio de Janeiro, na década de 1880. Classificados como os primeiros cineastas do país, os irmãos realizaram a primeira filmagem em território nacional, na Baía de Guanabara, em 1898.

Depois da Primeira Guerra Mundial, o cinema nacional passou por uma crise, devido à ascensão da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. O declínio foi seguido por uma grande expansão audiovisual brasileira, na década de 1920 e 1930. A filmografia brasileira tem clássicos como “O Cangaceiro” (1953), primeiro filme nacional que ganhou o festival de Cannes, produzido pelo estúdio Vera Cruz.

Cinema nacional hoje

As obras brasileiras têm ganhado destaque no cenário internacional. O aumento na produção, a introdução de tecnologias e os novos investimentos contribuíram para essa visibilidade no exterior. A melhora na qualidade dos filmes é refletida nos prêmios obtidos e na crítica favorável. Nenhuma produção totalmente brasileira ganhou o Oscar. Mas, obras de grande relevância, como “Cidade de Deus” e “O menino e o Mundo” receberam indicações para o prêmio.

 

Confira os filmes brasileiros mais vistos:

Cinco melhores filmes brasileiros

Os principais críticos de cinema do Brasil se reuniram para selecionar os 100 melhores filmes nacionais. A lista foi realizada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e publicada no livro “Os 100 melhores filmes brasileiros”. Em uma edição de luxo, a obra foi lançada durante o Festival de Gramado, em 2016.

Segue abaixo a listagem do cinco primeiros classificados:

1° “Limite” (Mário Peixoto, 1931)

O enredo é baseado no encontro de duas mulheres e um homem. Os três, presos em um pequeno barco, perdem a esperança de conseguir sair dali e passam a contar suas experiências passadas. O filme é construído a partir de flashbacks da vida dos personagens.

 

2° “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (Glauber Rocha, 1964)

A seca é o cenário principal da história que narra a vida do casal Manoel e Rosa. O sertanejo tenta partilhar o gado com o Coronel para conseguir comprar um pedaço de terra. Porém, Manoel informa ao Coronel que sua parte dos animais morreu. Então, este exige sua parcela como recompensa pela perda. O filme retrata uma crítica às posições sociais e à miséria.

 

3° “Vidas Secas” (Nelson Pereira dos Santos, 1963)

O filme é baseado na obra homônima de Graciliano Ramos. A trama apresenta uma família de retirantes. Fabiano, Sinhá Vitória, o menino mais velho, o menino mais novo e a cachorra Baleia cruzam o sertão para fugir da seca e tentar sobreviver. O longa mantém o foco do autor, retratando a grosseria nas relações humanas.

 

4° “Cabra Marcado para Morrer” (Eduardo Coutinho, 1984)

A vida de João Pedro Teixeira é retratada no filme documentário. A gravação da obra, que conta a história do líder camponês da Paraíba, morto 1962, foi interrompida devido ao Golpe Militar. Após 17 anos, as filmagens foram retomadas. O longa é baseado em relatos dos camponeses, que trabalharam nas primeiras gravações, e da família de João Pedro.

 

5° “Terra em Transe” (Glauber Rocha, 1967)

O jornalista Paulo Martins é o personagem principal e tem seus sonhos falidos com o Golpe Militar. O filme acontece na República de Eldorado. A narrativa é uma crítica ao período da ditadura no Brasil e de outros países da América Latina. Dessa forma, o longa relembra o pensamento político e o contexto dos países na época.

 

Confira a matéria editada por Melissa Carvalho:

Cinema brasileiro

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