Seja quem você quiser

Por Lara Albuquerque

Algumas pessoas costumam usar fantasias em festas ou em datas comemorativas. Elas se divertem fantasiando-se de algum personagem que gostam por algumas horas. Mas há pessoas que levam a fantasia um pouco mais a sério. Elas vivem no mundo cosplay, expressão formada pela junção da palavra “costume” com “roleplay” (encenação, em tradução livre para o português).

Ser cosplay é algo além do que apenas se fantasiar, é dedicar-se a um personagem. Estudar a sua personalidade, suas habilidades, se preocupar com os detalhes da armadura, da capa, das armas e, também, fazer com que o público se encante ao ver seu trabalho, que pode durar meses para ser feito. Essa é a realidade de Ivigna Sales, 20, cosplayer que se dedica a cada fantasia que faz, se tornando irreconhecível  devido ao seu talento de incorporar um personagem.

Ser cosplay não é fácil

Ivigna Sales. Foto: arquivo pessoal

O cotidiano de um cosplayer pode ser bem cansativo. Porém, para Ivigna Sales, que já faz cosplays há 6 anos, é algo que ela leva como um estilo de vida. O primeiro passo para fazer um cosplay é a escolha do personagem. Para Ivigna, a primeira coisa que a atrai é a personalidade, se combina com ela ou se a roupa da mesma cairia bem nela. Entretanto, para se fazer um bom cosplay, é preciso além de uma roupa bem feita, estudar os trejeitos e a personalidade do personagem a fim de passar para o público a real sensação de estar frente a frente com seu desenho e herói favorito.

É um trabalho de meses, e Ivigna leva isso muito a sério. Ela fala que “ser cosplayer é ser tudo. É ser várias pessoas dentro de uma só. Eu já fui chamada até de Mística (personagem dos quadrinhos x-men que tem poder de mudar de forma), porque eu consigo mudar de rosto dependendo do cosplay que eu estou fazendo. Então, ser cosplay é ser todas as pessoas”.

Com relação ao investimento para ser um cosplay varia muito, porém, para algumas pessoas, isso não é um problema. Pelo menos não é para a Ivigna e, se ela gosta de um personagem e tem condições de fazê-lo, ela o faz. Ivigna conta que já fez um cosplay simples de $80 reais usando apenas tecido. Mas, a cosplayer já chegou a gastar $300 reais. Não considera caro. “É uma coisa que eu quero, não faço por obrigação. Valor é o que menos importa”.

Ser quem você quiser pode ser realizador. Ivigna diz que, para ela, existem sensações incríveis. “Não é só para mim. É quando eu vejo uma criança e ela fala: ‘Olha, mãe, a florzinha’. E sorri, me abraça, tira foto, diz que não vai me soltar e quer me levar para casa. Aí sim, eu me sinto uma heroína. Não é só por eu estar vestida como ela. Não é a roupa que te faz uma heroína, É o que as pessoas de fora vão ser para contigo”.

Origem

A cultura cosplay começou no Japão por volta de 1984, mas o primeiro cosplay conhecido foi o americano Forrest James Ackerman, que criou uma roupa inspirado em um filme da época “Things to Come”, em 1939. Quem espalhou a ideia e viralizou o hábito de fantasiar-se para ir em eventos foi o japonês Nobuyuki Takahashi. E assim, a cultura foi se popularizando no mundo todo e, hoje em dia, podemos ver vários eventos com muitos cosplays, sendo eles até uma das principais atrações.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, ser cosplayer não é apenas diversão, existe uma parte séria e trabalhosa por trás de todo o processo. O cosplay “nasce” desde a compra do tecido até o trabalho manual de costura e confecção de acessórios. Também existem vários campeonatos que consistem em desfiles dos cosplayers em que eles mostram sua roupas e habilidades (lutas, armas, danças). Os prêmios são em dinheiro ou, como aconteceu no evento SANA (Super Amostra Nacional de Animes), em janeiro de 2017, a recompensa é uma viagem para algum local. No caso, o evento proporcionou uma viagem ao Japão para os vencedores.

Eventos e cosplays

Mauricío Aragão, 36, é diretor de marketing na empresa S1 Produções, que promove várias festas com temas atuais da cultura pop, como Star Wars, Netflix e afins. Ele afirma que os cosplays são relevantes em eventos culturais por se tornarem uma atração para o público. Também diz que, através dos cosplays, as pessoas se inspiram e tem seu “momento mágico” como acontece, por exemplo, na Disney.

 

Confira a matéria editada por Lara Albuquerque:

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