Fortaleza é ilha de guerra entre facções

Por Sarah do Nascimento

A segurança pública em Fortaleza passa por uma crise desde o começo de 2017, desenvolvendo um aumento gradativo no número de vítimas de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI). Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSPDS), o número de vítimas teve uma variação de 140,3% de outubro de 2016 a outubro de 2017. A Comissão de Estudo do Perfil das Vítimas de CVLI apresentaram, em novembro desse ano, dados mostrando o perfil dessas vítimas e se descobriu, no meio desse estudo, uma taxa de 38% de vítimas com idade entre 18 e 24 anos, identificando que, além da crise na segurança, existe uma instabilidade na educação da maioria desse jovens.

 

 No começo de 2017, as Áreas Integradas de Segurança (AIS) foram tomadas por grupos criminosos que iniciaram um controle de entrada e saída nas áreas, tirando o direito de ir e vir da população e transformando a cidade em pequenas “panelinhas”. Isso limitou as áreas integradas, chamadas popularmente de “Cinturão Vermelho”, as fronteiras de AIS em maior vulnerabilidade.

 

O Programa Em Defesa da Vida, criado em 2013 pelo ex-governador Cid Gomes, dividiu o Estado do Ceará em Áreas Integradas de Segurança (AIS). No período de 2014, quando foi dado o início do programa, o número de vítimas de CVLI estabilizou no Ceará, que antes vinha crescendo 14,5%. Fortaleza tem, atualmente, dez AIS, cada uma com um oficial da Polícia Militar, um delegado da Polícia Civil e um oficial do Corpo de Bombeiros, responsáveis por diminuir a taxa de CVLI nessas áreas.

Segundo Kélia Jácome, Assessora de Comunicação da SSPDS, “o aumento desses números está ligado a uma série de fatores, inclusive de conjuntura nacional. Ele começou com a crise no sistema penitenciário, no fim de 2016 e no início de 2017, e com acirramento na disputa entre as facções”. O tráfico de drogas e o desejo de conquistar o poder territorial transformaram a cidade de Fortaleza em um campo de guerra.

“O programa estabeleceu algumas metas de redução de CVLI e de Crimes Violentos Contra o Patrimônio (CVP)”, explica Kélia. “Quando os servidores da segurança pública de uma determinada área conseguem reduzir esses índices criminais, eles recebem uma premiação em dinheiro, que o Governo do Estado estabeleceu desde o início do programa. Eles recebem se a AIS bater a meta, se o território reduzir e se o Ceará conseguir bater”, afirma a assessora.

Foto: Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social.

Fortaleza recebeu novo policiamento

Em 2017, o Governador Camilo Santana colocou em campo 730 novos policiais civis, 1.116 novos policiais militares (PMs) e 104 novos profissionais no efetivo do Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio), que passaram a atuar na capital. A nova frota de segurança foi dividida por todas as Áreas Integradas de Segurança (AIS) de Fortaleza, onde dois PMs guardam cada esquina junto com as viaturas para um maior alcance nas áreas em que o crime se excede. Os novos policiais passaram a atuar na cidade na semana seguinte de sua formação em uma solenidade junto ao governador.

Mesmo passando por um treinamento que a polícia acha capacitante, a população sente desconfiança pela falta de experiência em campo. Em entrevista, Kélia explicou que todo o grupo de oficiais da polícia, sejam novos ou antigos, recebem supervisionamento.

A população de Fortaleza opina sobre o policiamento

As opiniões divergem sobre o funcionamento desses projetos implantados este ano pelo Governador Camilo Santana e o Secretário da SSPDS, André Costa. Foi levantado um debate no grupo de Facebook “Mulher, me ajuda aqui!” sobre o funcionamento do novo policiamento na cidade e muitas pessoas deram suas opiniões sobre as medidas.

Foto: Sarah do Nascimento.

Lorena Araújo mora na região da Aldeota e mostrou insatisfação ao ser questionada sobre o novo policiamento na cidade. “Não melhorou nada, há dois anos ia tranquila com minha filha a pé para a escola que fica a dois quarteirões da minha casa. Hoje não tenho coragem, porque todo dia tem assalto próximo ao colégio, que fica a um quarteirão do ponto onde os policiais ficam”. Segundo Lorena, a situação de insegurança piorou nos últimos dois anos e ela não viu resultado nenhum nas novas medidas.

Já Maria Évila discorda e confirma que os policiais são vistos com frequência em locais como Justiniano de Serpa e Rio Mar, onde ela passa costumeiramente. “Ando de bicicleta para todo canto e me sinto segura. Essa ação nova de segurança gera, sim, bons frutos, me senti melhor com a presença deles”, conta.

Outra fonte que não quis ser identificada informou sobre a situação da região onde mora: “Eu não vou a pé para canto nenhum aqui, a não ser que eu esteja completamente sem nenhum pertence. Transito pelo bairro apenas de carro. Tive que ir esses tempos para Maracanaú e já fui logo avisada para baixar o vidro do carro”.

Confira a matéria editada por Sarah do Nascimento:

Na Boca do Povo

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