Equipes multidisciplinares ascendem em empresas brasileiras

Por Lara Montezuma

Para acompanhar as mudanças que surgem no mercado de trabalho, os gestores das  empresas emergentes buscam pessoas versáteis e procuram, sobretudo, constituir uma equipe multidisciplinar. A tendência entre as novas empresas juniores (EJs) são propostas diferenciadas da maioria já existente no mercado, capacitando a integração de diferentes visões em um mesmo ambiente. Segundo dados do jornal O Globo, até 2016, já tinham sido criadas 1.200 “EJs” em mais de 280 universidades brasileiras.

Mas o que é multidisciplinariedade e como ela pode ser aplicada nas empresas? O conceito é simples, se baseia na união de conhecimentos para alcançar certo desenvolvimento em um determinado espaço, aproximando diferentes mundos e possibilitando a troca de experiências. A prática, no entanto, é feita com um esforço conjunto da gestão e dos contratados.

Plácido Castelo Neto começou a sua carreira atuando na gestão de empresas. Foto: Lara Montezuma.

Para o professor do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão (CCG) da Unifor, Plácido Castelo Neto, este tipo de trabalho em grupo deve começar a ser incentivado antes mesmo da graduação. Ele conta que, desde a sua formação, a estratégia utilizada nas empresas está ficando cada vez mais extensa. “No início da minha carreira, tudo era muito voltado para a especialização. E agora, há uma necessidade de uma visão mais ampla”, lembra o professor.

Para que os gestores consigam efetuar a multidisciplinaridade,  o docente afirma que a gestão deve almejar a deliberação. “Não tem como semear este tipo de ambiente se a liderança é fechada”, explica. Esta acessibilidade permite que as qualidades dos funcionários sejam potencializadas ao máximo. “Quantos mais visões de mundo você tiver dentro de uma empresa, mais soluções você terá. A multidisciplinariedade sempre enriquece todo e qualquer ambiente”, defende Placido.

“Quantos mais visões de mundo você tiver dentro de uma empresa, mais soluções você terá” (Plácido Castelo Neto)

Inovação empresarial

Uma das empresas que adotou a multidisciplinaridade em seu plano de gestão é a Inova, sediada em Fortaleza e fundada em 2003. O projeto representa o Movimento Empresa Júnior (MEJ) na Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC), da Universidade Federal do Ceará (UFC). O Movimento surgiu em 1967, na França, e veio ao Brasil em 1988, buscando “formar, por meio da vivência empresarial, empreendedores comprometidos e capazes de transformar o Brasil”, segundo o site do MEJ.

O programa oferece serviços de consultoria organizacional e é efetuado por acadêmicos previamente selecionados para trabalharem em empresas que estão surgindo no mercado, analisando, entre outros aspectos, os projetos e as finanças. O trabalho em conjunto, segundo o consultor e estudante de economia, Bruno Marques, 18, é resultante do envolvimento dos estudantes em diferentes serviços que se complementam. “O benefício do trabalho em grupo está no compartilhamento de conhecimento”, ressalta.

“O benefício do trabalho em grupo está no compartilhamento de conhecimento” (Bruno Marques)

Marques destaca que a integração dos alunos e os aprendizados diários obtidos no ambiente de trabalho acrescentam ao conteúdo ensinado em sala de aula e preparam os seus “inovadores”, como são chamados os estudantes que participam do projeto, para a tendência do mercado de trabalho que está surgindo.  

 

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