“Jogo Perigoso” aborda desespero mental

Por Clara Menezes

Jessie (Carla Gugino) e Gerald Burlingame (Bruce Greenwood) são um casal em crise. Casados depois de anos juntos, o marido e a mulher resolveram ir a uma casa isolada da cidade para poderem se reconciliar. Gerald, então, planejou tudo para que eles não fossem incomodados: a casa foi limpa antes, a grama cortada e os funcionários dispensados.

No entanto, como qualquer outra história criada pelo escritor de terror, Stephen King, ela não continua feliz por muito tempo. Logo após a primeira visita do casal à casa do lago, eles resolvem “apimentar” sua relação em uma tentativa de recuperar as emoções antigas. Para isso, Gerald leva algemas para prender Jessie na cama e, assim, realizar uma de suas fantasias sexuais. Ele pede para que a mulher pelo menos tente entrar no clima do momento, mas ela não consegue.

Jessie e Gerald começam a discutir porque a mulher não está se sentindo confortável durante o momento. O marido, por algum tempo, acredita que Jessie está apenas fazendo seu papel no “jogo” e continua. No entanto, Gerald começa a ter um infarto e a mulher, ainda algemada, se desespera. O homem, ao que tudo indica, teve complicações cardíacas por causa do uso constante do Viagra. Ela, agora, estava presa na cama com Gerald morto no quarto.

Jogo Perigoso

Gerald não havia dito o que queria fazer antes do jogo. Foto: Reprodução.

Apenas com o nome do filme, já é possível entender um pouco da tensão. O longa, dirigido por Mike Flanagan, reproduz com riqueza de detalhes o livro homônimo de Stephen King. Conhecido por suas obras de terror, principalmente psicológicos, o escritor conta uma história que, vista no filme, pode ser difícil de assistir.

Logo após a morte de seu marido, Jessie se vê presa em um local isolado. Ela começa a alucinar, conversando com a imagem de seu ex-marido e a dela mesma. O longa mostra, de maneira sutil, o passar do tempo na percepção da mulher. Sua tensão contínua parece diminuir a velocidade dos dias, deixando o espectador agoniado.

Entre cenas difíceis de ver, como um cachorro abandonado que entra na casa para comer o corpo de seu marido morto no chão, o filme faz os espectadores sentirem como se eles tivessem vivendo aquilo. No começo, ainda é difícil entender os motivos pelos quais Jessie estava com um marido apresentado, desde o começo, como abusivo. A personalidade doce da mulher se contrapõe ao do homem, que não aceita nem a piedade de acolher animais.

Abuso sexual

​Jessie e seu pai na primeira vez que ele abusou da menina. Foto: Reprodução.​

Com um roteiro simples, o filme demonstra diversas facetas do desespero mental. Entre conversas com seu ex-marido morto e até com o que ela considera ser o “anjo da morte”, sua história vai sendo contada. Um dos momentos principais do filme é a memória de Jessie sobre o seu passado. Após sofrer abuso sexual de seu pai desde os 12 anos, o longa mostra como todo os problemas que sofreu com sua figura materna a levaram até aquele momento.

Além disso, a história de Stephen King aborda inúmeras crítica sociais. Entre elas, estão as consequências do abuso sexual na infância e a passividade da mulher em relação a uma situação crítica. O filme demonstra como um trauma pode mudar a vida de uma pessoa para sempre.

Confira o trailer abaixo:

 

Ficha técnica

Ano: 2017

Direção: Mike Flanagan

Duração: 105 minutos

Classificação: 18 anos

Gênero: Terror

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