Palestra aborda perspectivas do jornalismo econômico

Por Clara Menezes

“O jornalismo é sempre uma área de crise”, disse a jornalista e colunista do jornal O Povo, Neila Fontenele, no início da palestra “Comunicação Corporativa e Jornalismo Econômico: Presente e Futuro”. Ministrado pela cadeira de Macroeconomia e Geopolítica do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor), o evento discutiu as perspectivas do futuro da comunicação na área da economia.

Para iniciar seu momento de fala, Neila Fontenele contou que os jornalistas, em geral, estão sempre angustiados. Isso ocorre porque a crise é o que move o jornalismo. No entanto, para ela, é necessário que o profissional da comunicação saiba lidar com as crises. Caso contrário, ele não aguentaria a pressão da profissão. “As redações têm uma rotatividade muito grande por causa disso”, conta a jornalista.

Jornalismo econômico

Com humor, Neila Fontenele falou sobre sua visão do jornalismo econômico. Foto: Juliano Almada.

Neila afirma que estamos vivendo um momento de “desamparo aprendido” por causa da atual situação econômica e política do Brasil. Essa expressão é referente ao comportamento que os seres vivos, em geral, têm quando passam por estímulos dolorosos que não podem controlar. “A gente se abaixa e chora”, diz a jornalista.

Em contrapartida, para ela, o jornalismo brasileiro está vivendo sua melhor fase exatamente por causa dessa crise. No entanto, com tantas informações, fica difícil de refletir sobre o que está acontecendo. Isso ocorre, principalmente, porque o ambiente acelerado de uma redação de jornal não permite desacelerar para pensar acerca de um determinado assunto. “O jornalismo econômico tem que ter uma crítica sobre os números divulgados”, conta Neila.

Porém, “a reflexão exige uma maturidade de pensamento”, afirma a colunista. No entanto, ela acredita que é difícil pensar por si mesmo. O jornalista, por ser parte de um produto vendável (a matéria), depende de patrocinadores para poder sobreviver. Isso é o que torna o exercício do pensamento mais complicado. No entanto, para Neila, o aprendizado e a angústia precisam existir no mercado de trabalho. “A  crise e a angústia nos transformam como pessoa, como sociedade. Elas empoderam”, afirma a jornalista.

“A crise e a angústia nos transformam como pessoa, como sociedade. Elas empoderam” (Neila Fontenele)

Comunicação Corporativa

A jornalista e especialista em Comunicação Corporativa, Valerya Abreu, palestrou sobre a área em que trabalha. Para a jornalista, o setor de comunicação de grandes empresas é extremamente difícil porque ela trabalha com a imagem, com a reputação. “O papel dessa área é gerenciar as informações entre o público externo e o interno”, conta. A comunicação corporativa é, portanto, o porta-voz de quem detém o capital.

Valerya Abreu é especialista em comunicação corporativa. Foto: Juliano Almada.

Reforçando a ideia de Neila Fontenele, Valerya diz que essa área funciona exatamente para gerenciar as crises, porque as informações da empresa nem sempre são boas. “A reputação é muito difícil de construir e muito fácil de destruir”, conta. Para manter essa imagem, o profissional na área de Comunicação Corporativa precisa lidar com o que a empresa é, faz e fala.

No entanto, quando a reputação de uma empresa está em risco, é necessário diminuir ao máximo as consequências. “A notícia negativa tem um poder maior de noticiabilidade que a notícia positiva”, conta Neila. Com isso, os “erros” que uma corporação pode cometer têm a maior tendência de serem espalhados. Mas, segundo ela, “às vezes, algumas informações não podem chegar no público externo” para que a imagem da empresa continue boa. Porém, para a jornalista, esses momentos de crise são os mais difíceis e o de maior aprendizado.

Valores

De acordo com as duas palestrantes, o jornalista tem um valor de mercado. “O jornalismo, mais do que tudo, é um instrumento de poder”, conta Neila Fontenele. Em outras palavras, toda informação é poder. No entanto, a forma como os dados chegam ao público é mais importante do que a informação bruta.

“O jornalismo, mais do que tudo, é um instrumento de poder” (Neila Fontenele)

O poder do jornalismo, segundo Valerya Abreu, é saber passar uma informação adiante. Para isso, é necessário que o jornalista tenha experiências e estudos  suficientes. “Quando mais a gente tem valores, mais a gente tem valor”, conta a especialista em Comunicação Corporativa. Porém, “não é todo profissional que consegue lidar com a ansiedade que a profissão traz”, finaliza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *