Dzi Croquettes: Nem homem. Nem Mulher. Gente.

Por Letícia Feitosa

Na década de 1970, em pleno regime militar no Brasil, nasceu o Dzi Croquettes, grupo alinhado à contracultura e famoso por suas apresentações andrógenas. Inspirado no grupo psicodélico americano The Cockettes, o coletivo de teatro era composto por atores e bailarinos que utilizaram a inteligência e o humor para driblar a censura da época. O filme “Dzi Croquettes” é uma biografia da trupe carioca e foi lançado em 2010. Dirigido por Tatiana Issa e Raphael Alvarez, o longa é o documentário mais premiado do Brasil.

O grupo surgiu em 1972 e unia o teatro e a dança nos palcos. O primeiro espetáculo formado pelo coletivo foi o “Gente Computada Igual a Você”, coreografado por Tinindo Trincado. As apresentações traziam pequenas esquetes de humor e monólogos cômicos, intercalados por números de canto e dança. Logo, o grupo se tornou referência no Brasil e criou uma base de fãs bem consistente. O espetáculo, além de ter feito sucesso em terras nacionais, após ser apresentado na Europa, começou a ser adorado pelos franceses.

Dzi Croquettes. Foto: divulgação

O Dzi Croquettes foi revolucionário para o cenário teatral brasileiro. A ironia era um elemento muito comum no grupo, e a comédia era usada até quando tinham que falar de temas sérios. Os treze integrantes, todos homens peludos, se apresentavam com maquiagens exageradas, saltos grandes e finos e vestidos curtos. Assim, trajados com acessórios considerados femininos, os atores e bailarinos questionavam a identidade de gênero e a sexualidade. Logo, o grupo foi inspiração para muitos coletivos gays e andrógenos, como o Grupo de Teatro Vivencial, de Recife.

No documentário, a história do Dzi Croquettes é contada por meio de imagens dos espetáculos, além de mostrar depoimentos de personalidades que vivenciaram o grupo, como Gilberto Gil, Ney Matogrosso e Liza Minnelli. A trajetória de cada integrante também é explorada. O filme reuniu parte do elenco para compartilhar seus relatos, ligando a história individual de cada um ao sucesso internacional do coletivo. O filme documentário recebeu 17 prêmios, como o de “Melhor Montagem” pelo júri oficial do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2011. O longa também foi bem recebido internacionalmente, com boas críticas nos jornais americanos, como no Los Angeles Times e no New York Times.

As cenas de danças dos atores, os pequenos clipes de partes do espetáculo e os depoimentos prendem a atenção de quem assiste. A forma como o Dzi Croquettes é apresentado é instigante. Os diretores conseguiram encantar o público com a trajetória de uma trupe tão importante para o teatro brasileiro. Até hoje, o grupo é uma fonte de inspiração para atores que querem trazer o debate da identidade de gênero e da sexualidade para os palcos. Como foi mostrado no documentário, o Dzi Croquettes não se classificava quando entrava em cena. “Nem homem. Nem Mulher. Gente.”

“Nem homem. Nem Mulher. Gente.” (Dzi Croquettes)

 

FICHA TÉCNICA:

Direção: Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Ano de produção: 2010

Duração: 100 min

Gênero: Documentário/Biografia/Nacional

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